10 livros para conhecer Ana Maria Machado

Lívia Nolla
10:00 24.12.2025
Autor

Lívia Nolla

Cantora e Pesquisadora Musical
Arte e cultura

10 livros para conhecer Ana Maria Machado

A escritora Ana Maria Machado completa 84 anos neste 24 de dezembro e - para homenageá-la, trouxemos uma lista com seus 10 principais livros

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- 24.12.2025 - 10:00
10 livros para conhecer Ana Maria Machado
A escritora Ana Maria Machado completa 84 anos | Foto: Guito Moreto / Agência O Globo

Hoje é aniversário de uma das mais importantes escritoras brasileiras da história: Ana Maria Machado! Para homenageá-la, nós selecionamos uma lista com 10 de seus livros mais importantes.

Sobre Ana Maria Machado

Considerada pela crítica como uma das mais versáteis e completas das escritoras brasileiras contemporâneas, a carioca Ana Maria Machado ocupa a cadeira Número 1 da Academia Brasileira de Letras (ABL), que presidiu de 2011 a 2013. 

Na sua carreira, os números são generosos: são mais de 40 anos escrevendo, mais de 100 livros publicados (dos quais nove romances e oito de ensaios), mais de 20 milhões de exemplares vendidos, publicados em 20 idiomas e 26 países. 

Ana Maria nasceu em Santa Teresa, Rio de Janeiro, a 24 de dezembro de 1941. Estudou no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e no MOMA de Nova York, tendo participado de salões e exposições individuais e coletivas no país e no exterior, enquanto fazia o curso de Letras (depois de desistir do curso de Geografia). 

Formou-se em Letras Neolatinas, em 1964, na então Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, e fez estudos de pós-graduação na UFRJ. Deu aulas na Faculdade de Letras na UFRJ (Literatura Brasileira e Teoria Literária) e na Escola de Comunicação da UFRJ, bem como na PUC-Rio (Literatura Brasileira). 

Além de ensinar nos colégios Santo Inácio e Princesa Isabel, no Rio, e no Curso Alfa de preparação para o Instituto Rio Branco, também lecionou em Paris, na Sorbonne (Língua Portuguesa), na Universidade de Berkeley, Califórnia – onde já havia sido escritora residente – e ocupou a cátedra Machado de Assis em Oxford

Ana Maria Machado é uma das escritoras mais importantes da literatura brasileira | Imagem: Reprodução

Literatura por um mundo melhor

No final de 1969, depois de ser presa pelo governo militar e ter diversos amigos também detidos, deixou o Brasil e partiu para o exílio. Na bagagem para a Europa, levou cópias de algumas histórias infantis que estava escrevendo, a convite da revista Recreio. Lutando para sobreviver com seu primeiro filho ainda pequeno, trabalhou como jornalista na revista Elle em Paris e no Serviço Brasileiro da BBC de Londres, além de se tornar professora de Língua Portuguesa em Sorbonne

Nesse período, participou de um seleto grupo de estudantes cujo mestre era Roland Barthes, e terminou sua tese de doutorado em Linguística e Semiologia sob a sua orientação, em Paris, onde nasceu seu filho Pedro. A tese resultou no livro “Recado do Nome” (1976), sobre a obra de Guimarães Rosa.

Paralelamente, nunca deixou de escrever as histórias infantis, que continuavam a ser publicadas pela revista e só a partir de 1976 passaram a sair em livro. A volta ao Brasil veio no final de 1972, quando começou a trabalhar no Jornal do Brasil e na Rádio Jornal do Brasil, cujo departamento de Jornalismo chefiou de 1973 a 1980, numa gestão que deixou marcas entre os ouvintes, pela ousadia e inventividade com que soube animar uma equipe jovem no enfrentamento cotidiano contra a censura da ditadura. 

Como jornalista, trabalhou também no Correio da Manhã, no O Globo, e colaborou com as revistas Realidade, IstoÉ e Veja e com os semanários O Pasquim, Opinião e Movimento. Continuando a escrever para crianças, em 1977 ganhou o prêmio João de Barro pelo livro “História Meio ao Contrário”. 

O sucesso foi imenso e levou à publicação de muitos livros até então guardados na gaveta. Dois anos depois, junto com Maria Eugênia Silveira, decidiu abrir a Malasartes, a primeira livraria infantil do Brasil , que co-dirigiu por 18 anos, apostando na inteligência do leitor, na criteriosa seleção dos títulos a partir de um conhecimento acumulado, na liberdade de escolha, na convicção de que ler livro bom é uma tentação irresistível e um direito de toda criança. 

O sucesso foi tanto que, daí a um ano, só no Rio de Janeiro, havia 14 livrarias que buscavam seguir o mesmo modelo. Também foi editora, uma das sócias da Quinteto Editorial, junto com Ruth Rocha. 

Há mais de três décadas, Ana Maria Machado vem exercendo intensa atividade na promoção da leitura e fomento do livro, tendo dado consultorias, seminários da UNESCO em diferentes países e sido vice-presidente do IBBY (International Board on Books for Young People). 

Na presidência da Academia Brasileira de Letras deu especial ênfase a programas sociais de expansão do acesso ao livro e à leitura nas periferias e comunidades carentes. 

Ana Maria Machado foi a Personalidade Literária do Prêmio Jabuti 2025.

Ana Maria Machado foi a Personalidade Literária do Prêmio Jabuti 2025 | Imagem: Reprodução CBL

Os prêmios conquistados ao longo da carreira também são muitos:

Prêmios de Ana Maria Machado

  • 03 Jabutis: 

1978 – “História Meio ao Contrário” (categoria Literatura Infantil)

1997 – “Esta Força Estranha” (categoria Infanto/Juvenil)

2000 – “Fiz Voar meu Chapéu” (categoria Infanto/Juvenil)

  • Machado de Assis da ABL – em 2001, para “Conjunto da Obra”
  • Machado de Assis da Biblioteca Nacional – em 1999, para “Romance” – “A Audácia dessa Mulher”
  • Casa de Las Americas (1981, Cuba) – pelo livro Infantil/Juvenil “De Olho nas Penas”
  • Hans Christian Andersen (prêmio de literatura infanto/juvenil mais importante do mundo, frequentemente chamado de “Nobel da Literatura Infantil”) – pelo Conjunto de sua Obra Infantil (2000)
  • Príncipe Claus (Holanda, 2010)
  • Iberoamericano SM de Literatura Infantojuvenil (2012, pelo conjunto da sua obra para crianças e jovens)
  • Zaffari & Bourbon (2013) – por “Melhor Romance do Biênio em Língua Portuguesa”, com “Infâmia”
  • Prêmio Bienal de SP – 1988 – Menção Honrosa – Uma das Cinco Melhores Obras do Biênio – para “Menina Bonita do Laço de Fita”
  • João de Barro – 1977, pelo livro “História Meio ao Contrário”
  • APCA – Melhor Livro Infantil do Ano, com “Bisa Bia, Bisa Bel”, em 1982

10 livros de Ana Maria Machado para você conhecer

1 – História Meio ao Contrário (1978)

Você conhece alguma história que começa com: “E então eles se casaram, tiveram uma filha linda como um raio de sol e viveram felizes para sempre”? Pois esta, com rei, príncipe, princesa e dragão, começa exatamente assim. Quer saber como ela termina?

Nesta narrativa, o príncipe e a princesa não se contentam em ser felizes para sempre. Eles querem fazer sua própria trajetória, numa trama cheia de surpresas.

Veja também:

2- De Olho nas Penas (1981)

Miguel tinha dois pais e vivia mudando de país. Nesse constante ir e vir, vai descobrindo os segredos do mundo e a história da América Latina. Um livro que trata com delicadeza da questão do exílio durante o regime militar no Brasil.

3 – Bisa Bia, Bisa Bel (1981)

Bel é cheia de imaginação e questões. A partir de um velho retrato, ela desenvolve um relacionamento imaginário com a bisavó e, a seguir, com sua futura bisneta. O diálogo de Bel com o passado e o futuro é uma mistura encantadora do real com a fantasia, levando o leitor a perceber as mudanças no papel da mulher na sociedade.

4 – Menina Bonita do Laço de Fita (1986)

Era uma menina linda. A pele era escura e lustrosa, que nem o pêlo da pantera quando pula na chuva. Do lado da casa dela morava um coelho que achava a menina a pessoa mais linda que ele já vira na vida. Queria ter uma filha linda e pretinha como ela. 

Cada vez que ele lhe pergunta qual o segredo de sua cor, ela inventa uma história. O coelho segue todos os “conselhos” da menina, mas continua branco. Esta narrativa delicada e tocante aborda temas como autoaceitação, respeito às diferenças e a beleza da diversidade. Com ilustrações encantadoras e uma mensagem poderosa, o livro convida os leitores a refletir sobre a importância de valorizar a singularidade de cada pessoa, independentemente de sua cor de pele.

5 – A Peleja (1986)

Incorporando o verso popular, à moda do cordel, em “A Peleja” Ana Maria Machado mistura a água da linguagem poética com o barro da arte popular para narrar a história do valente Rufino contra o Monstro invencível – mas que ao final terá o rabo torcido e o couro chifrado pelos bois do vaqueiro. Nas páginas, os versos bem construídos e as fotos dos lindos bonecos de barro da tradição nordestina se articulam e se oferecem ao jovem leitor como um mar de cultura, em que é sempre doce mergulhar.

6 – Mico Maneco (1988)

Mico Maneco é um macaco muito levado. Mona Maluca é um macaca meio de miolo mole. O que será que eles aprontam quando se juntam?

A história do Mico Maneco é ideal para quem está começando a ler, com leitura de palavras bem simples.

7 – Esta Força Estranha (1997)

Neste livro autobiográfico, Ana Maria Machado descreve, com toda a “força estranha” da palavra, a rara trajetória de uma leitora inveterada que se tornou autora, oferecendo aos leitores o mesmo presente que recebeu desde a infância: o fascínio das histórias contadas e escritas ontem, hoje e sempre.

8 – A Audácia Dessa Mulher (1999)

Romance sobre o amor e o ciúme, a fidelidade e a rebeldia. Construído em camadas, conta a história de Bia e Virgílio que, nos dias atuais, se conhecem durante a produção de uma minissérie histórica para a TV e logo iniciam uma relação amorosa. Em paralelo, Bia recebe de Virgílio um diário misterioso, de uma jovem do século XIX, escondido nas páginas de um antigo livro de receitas de família. 

Ao conduzir essas – e outras – histórias, que se ramificam e se entrelaçam, Ana Maria Machado compõe um livro que discute o próprio ofício do escritor. Para Ana Maria, escrever A audácia dessa mulher foi “uma grande experiência de liberdade, um exercício de derrubar fronteiras”. A autora define também seu romance como “uma celebração do poder da palavra, que traz personagens fictícios para o convívio com pessoas reais, de carne e osso, por sua vez também fictícias, convivendo com leitores reais.”

9 – Dona Baratinha (2004)

No conto popular recontado por Ana Maria Machado, Dona Baratinha estava varrendo a casa quando achou uma moeda e resolveu se casar. Guardou o dinheiro com cuidado, tomou banho, se arrumou toda, botou uma fita no cabelo e foi para a janela procurar um noivo. Quem vai se casar com Dona Baratinha?

10 – Infâmia (2011)

Em Infâmia, a escritora questiona os artifícios e as calúnias que com tanta frequência encobrem a verdade no mundo atual. O romance narra duas histórias em paralelo, centradas numa família de diplomatas e seus amigos mais próximos. 

Manuel Serafim Soares de Vilhena é um embaixador aposentado, patriarca de uma família bem-sucedida de diplomatas. Com problemas de visão, aguarda o agendamento de uma cirurgia. Enquanto isso, Camila, a filha de um casal de amigos, o visita com frequência, para ajudá-lo a ler livros e jornais. 

Tudo parece bem na casa dos Soares de Vilhena. Mas o aparecimento de um envelope com documentos antigos traz à tona os fantasmas que há tempos assombram a família. Na pasta, há fotos e fragmentos de textos de Cecília, filha do embaixador, que morreu anos antes em circunstâncias misteriosas. 

Mas esse não é o único núcleo narrativo do romance: o embaixador recebe também as visitas de Jorge, um fisioterapeuta jovem, cujo pai, que trabalha numa repartição pública, é acusado injustamente de participar de um esquema de corrupção. Aos poucos, eles se verão presos a uma rede de falsas acusações, num turbilhão kafkiano que só pode levar à tragédia. 

Em Infâmia, Ana Maria Machado entrelaça fatos da história recente do Brasil em que a verdade, em meio a distorções e calúnias, nem sempre prevalece. O resultado é um livro coeso sobre as múltiplas faces da realidade nos dias atuais.

Fonte: https://www.anamariamachado.com.br/

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