Mais Preta: Letícia Soares: superando barreiras e conquistando o sucesso

Elis Brasil
17:12 21.01.2025
Arte e cultura

Mais Preta: Letícia Soares: superando barreiras e conquistando o sucesso

Letícia Soares compartilha sua trajetória de superação, desde suas raízes em Magé até o sucesso nos palcos dos grandes musicais brasileiros

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- 21.01.2025 - 17:12
Mais Preta: Letícia Soares: superando barreiras e conquistando o sucesso
Foto: Divulgação

Com uma carreira consolidada no teatro musical brasileiro, Letícia Soares é um nome que transcende os palcos e se tornou uma verdadeira inspiração para aqueles que, como ela, sonham em transformar suas vidas por meio da arte.

Em entrevista no Mais Preta, podcast que celebra a negritude e a trajetória de personalidades negras no Brasil, Letícia compartilhou um pouco sobre sua trajetória, suas influências e os desafios que enfrentou para chegar onde está hoje. Este é o episódio 30 da série, que tem emocionado e inspirado os ouvintes a cada nova conversa.

Música como ponto de partida

Nascida e criada em Magé, cidade histórica na região metropolitana do Rio de Janeiro, Letícia cresceu em uma família sem tradição artística, mas profundamente envolvida com a música. “Embora não venha de uma família de artistas, a música sempre esteve presente na minha vida. Meu avô, por exemplo, cantava ‘Lamentos’ de Pixinguinha, e eu achava que ele tinha escrito a música”, revela Letícia, emocionada com a memória do avô. “A música estava no ar da minha casa o tempo todo, e isso me formou”, completa.

Desde pequena, Letícia foi movida pela paixão pela música. Seu cotidiano era marcado pelo rádio, que, como um ritual, só era desligado na hora do jornal. A música, assim, foi uma constante na sua formação, algo que a acompanhou de perto, mesmo diante das dificuldades de uma cidade que, apesar de seu valor histórico, ainda luta por desenvolvimento e reconhecimento.

Desafios e conquistas: de Magé para o mundo

A vida de Letícia não foi fácil. Magé, apesar de sua importância histórica, enfrenta problemas econômicos e sociais, sendo uma das cidades com maior índice de deslocamento diário para a capital, Rio de Janeiro. Letícia, que sempre viveu essa realidade de idas e vindas, relembra a dificuldade de se ausentar do seu lugar, mas ao mesmo tempo, a necessidade de buscar oportunidades fora de sua cidade. “Eu estudava e trabalhava no Rio, mas meu dia começava cedo e terminava tarde. Não tinha tempo para nada, e a cidade não oferecia muitas opções de lazer”, afirma.

Apesar das adversidades, Letícia sempre buscou levar sua arte consigo. Mesmo quando a decisão de seguir a carreira artística parecia impossível para quem vinha de uma cidade com poucas perspectivas, ela encontrou forças para lutar por seu sonho. O ponto de inflexão aconteceu em 2013, quando, após se formar em Serviço Social, ela decidiu se mudar para São Paulo para perseguir seu sonho de ser atriz e cantora. “Cheguei sozinha, no dia do meu aniversário. A sensação era de estar em um lugar gigantesco, sem ninguém para compartilhar aquele momento”, lembra.

Música como forma de expressão

A carreira de Letícia nos musicais foi construída aos poucos, com muita dedicação e coragem. A atriz participou de grandes produções como O Rei Leão, Mudança de Hábito, Os Miseráveis, A Pequena Sereia e Rent, sempre mostrando sua versatilidade e talento. Para ela, o musical foi a porta de entrada para o mundo artístico, uma vez que “não precisava cantar como Letícia, mas como uma personagem”.

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No entanto, um dos papéis mais marcantes de sua carreira foi em A Cor Púrpura, onde interpretou a protagonista Celie. A peça, que emocionou o público e a crítica, representou um divisor de águas na carreira de Letícia. Ela, que inicialmente não acreditava em si mesma como cantora, encontrou no teatro musical a chance de se expressar de forma plena. “Eu tinha vergonha de ser a cantora. O musical me deu uma oportunidade de cantar sem precisar ser eu mesma. Eu estava ali como uma personagem”, explica.

Valor do sonho e a coragem para acreditar

Hoje, Letícia é um exemplo claro de que, mesmo diante das dificuldades, é possível lutar por nossos sonhos e conquistar o que parece inatingível. “Sonhar é um privilégio. E mais do que isso, é caro. O sonho exige muito de nós”, reflete a artista, que já superou diversos obstáculos para chegar onde está. “Acho que o musical e a arte me ajudaram a entender o quanto é importante persistir, mesmo quando o medo de dar errado parece muito maior”, afirma.

Letícia segue firme em sua jornada, mostrando que é possível fazer da arte um caminho de transformação pessoal e coletiva. Para aqueles que ainda duvidam da sua força, ela deixa uma mensagem clara: “Nunca desista dos seus sonhos, mesmo que pareçam impossíveis. Eles podem ser mais próximos do que você imagina.”

A artista, que atualmente está no palco com o musical O Homem da Máscara de Ferro, segue provando que a música e a atuação são mais do que uma profissão: são uma forma de vida e de resistência.

Este é o episódio 30 do Mais Preta, um podcast que nos inspira a seguir acreditando, a continuar sonhando e a lutar por nossos espaços no mundo.

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