A MPB como referência no Funk, Trap e Rap; confira especial

Henrique Oliveira
14:47 22.01.2026
Música

A MPB como referência no Funk, Trap e Rap; confira especial

Da poesia de Belchior ao suingue de Alcione, a música popular brasileira atravessa gerações e inspira novos artistas

Avatar Henrique Oliveira
- 22.01.2026 - 14:47
A MPB como referência no Funk, Trap e Rap; confira especial
Foto: Montagem.

À primeira escuta, a MPB pode parecer distante do funk, do trap ou do rap. Entretanto, basta olhar com atenção para perceber que esses universos musicais estão conectados. Nesse sentido, rimas afiadas e beats eletrônicos trazem referências diretas a artistas que moldaram nossa história. Dessa forma, a tradição dialoga com o presente sem hierarquias. A MPB segue viva como referência estética e emocional para a nova cena urbana.

O Poder da Identidade: De Sandra de Sá a Alee

Um dos exemplos mais fortes dessa ponte está na obra de Sandra de Sá. O clássico “Olhos Coloridos” atravessou décadas e ganhou novo fôlego recentemente. Com efeito, o verso “sarará crioulo” ressurgiu na faixa “Glock de Cor”, de Jovem Dex e Alee. Além disso, o trapper baiano Alee traz essa veia artística de berço. Por ser sobrinho de Denny Denan, da Timbalada, ele mistura trap com influências de matriz africana. Assim, a frase de Sandra de Sá mantém sua força na afirmação da ancestralidade.

Poesia Urbana e Paternidade

MC Hariel promove esse encontro na faixa “Salve Jorge”. A canção homenageia seus filhos, Jorge e Maitê, e cita diretamente Belchior. Além de referenciar o “rapaz latino-americano”, Hariel também bebe da fonte dos Secos & Molhados. Inclusive, o artista utiliza o sample de MC Marcinho em outros projetos. Portanto, o que era reflexão existencial no passado agora ganha voz dentro da vivência periférica atual.

Reverência aos Ícones: Alcione e Djavan

A MPB também invade o rap e o trap nas interpolações, onde os artistas usam a base de grandes clássicos para construir seus próprios hits. Por exemplo, Veigh, Borges e MC Cabelinho brilham no hit “Loucura”. A música recria a melodia de “Você Me Vira a Cabeça”, da eterna Alcione. De fato, Borges admite a inspiração logo nos primeiros versos. Da mesma maneira, Luccas Carlos homenageia Djavan em sua obra. Ao mesmo tempo que usa tecnologia virtual em seus clipes, Luccas mantém a poesia clássica sobre o amor.

Veja também:

Em resumo, tudo isso prova que a MPB não ficou parada no tempo. Ela é uma fonte de inspiração viva que ganha cara nova em cada batida. No fim das contas, essa mistura mostra que a nossa música é um lugar de encontro. Assim, ritmos diferentes ganham força ao contar suas histórias. O que parece distante, na verdade, é bem próximo e mostra como a música brasileira sabe se transformar e resistir.

Siga a Novabrasil nas redes

Google News

Tags relacionadas

#novabrasil Alcione alee Belchior Brasilidades cultura funk mchariel MPB Notas musicais novabrasil rap Trap veigh
< Notícia Anterior

Cris Braun revisita canção de Jards Macalé no EP “Terno”

22.01.2026 14:14
Cris Braun revisita canção de Jards Macalé no EP “Terno”
Próxima Notícia >

Tuia celebra 25 anos de carreira com show que revisita sucessos e clássicos do Rock Rural

22.01.2026 16:23
Tuia celebra 25 anos de carreira com show que revisita sucessos e clássicos do Rock Rural