Azia ou sinal de alerta? Médico explica quando a queimação exige atenção

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14:00 24.11.2025
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Azia ou sinal de alerta? Médico explica quando a queimação exige atenção

Até 20% das pessoas sente azia semanalmente. Entenda o que é normal, os sinais de alerta e quando buscar um especialista, segundo o Dr. Antonio Couceiro Lopes

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- 24.11.2025 - 14:00
Azia ou sinal de alerta? Médico explica quando a queimação exige atenção
Foto: Divulgação.

Queimação no estômago é uma queixa comum e costuma aparecer em pessoas de todas as idades. Na maioria dos casos, é passageira. Mas, em alguns, pode indicar gastrite, refluxo, úlcera e, raramente, problemas mais sérios. “A correta diferenciação entre a azia episódica e o quadro persistente ou associado a sinais de alarme é fundamental para o diagnóstico precoce”, afirma o cirurgião do aparelho digestivo Dr. Antonio Couceiro Lopes.

Como diferenciar incômodo ocasional de problema crônico

A azia ocasional costuma estar ligada ao refluxo de ácido do estômago para o esôfago e aparece, por exemplo, após comer demais, ingerir gordura, álcool ou cafeína. “É comum após refeições volumosas, ricas em gordura, com consumo de álcool ou cafeína, e tende a regredir com medidas simples, como modificação da dieta e uso esporádico de antiácidos”, explica o médico.

Quando a queimação se repete mais de duas vezes por semana, cresce a chance de haver uma doença por trás do sintoma. Entre as principais causas estão:

  • · Refluxo (DRGE): refluxo frequente que pode inflamar e estreitar o esôfago; em alguns casos, leva a lesões pré-cancerígenas.
  • · Gastrite: inflamação do estômago, muitas vezes ligada à bactéria H. pylori, ao uso prolongado de anti-inflamatórios e ao álcool.
  • · Úlcera péptica: ferida no estômago ou no duodeno, com dor e queimação que podem piorar em jejum ou à noite.

Sinais de alerta que pedem investigação imediata incluem dificuldade ou dor para engolir, perda de peso sem explicação, vômitos persistentes e presença de sangue no vômito ou nas fezes. Como ressalta o especialista: “A presença de sinais como dificuldade ou dor para engolir, perda de peso involuntária, vômitos persistentes, vômitos ou fezes com sangue deve ser considerada indicativa de investigação imediata.”

Foto: Divulgação.

Alimentos e hábitos que pioram a queimação

Café, chá preto, chocolate, bebidas alcoólicas, refrigerantes, alimentos gordurosos e molhos à base de tomate estão entre os maiores vilões. A hortelã, apesar do sabor “refrescante”, relaxa a válvula que separa o esôfago do estômago e favorece o refluxo.

Hábitos também contam: comer rápido, ingerir grandes volumes, deitar logo após a refeição, fumar e o excesso de peso aumentam o risco. O estresse e a ansiedade podem potencializar a sensibilidade e estimular a produção de ácido.

Quando procurar um médico e quais exames podem ser pedidos

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Se os sintomas durarem mais de duas semanas apesar de ajustes na rotina, ou se houver sinais de alarme, é hora de buscar um gastroenterologista. “A consulta com um gastroenterologista é indicada nos casos em que os sintomas persistem por mais de duas semanas apesar de medidas comportamentais, ou quando há sinais de alarme”, orienta o Dr. Couceiro Lopes.

A avaliação pode incluir:

  • · Endoscopia: examina por dentro esôfago, estômago e duodeno, identificando gastrite, úlceras e complicações do refluxo.
  • · Testes para H. pylori: como biópsia na endoscopia, teste respiratório ou exames específicos.
  • · pHmetria de 24 horas: mede o refluxo ácido e relaciona com os sintomas.
  • · Manometria esofágica: avalia a força e o movimento do esôfago, útil quando há dificuldade para engolir.

Sobre o uso de remédios que reduzem a acidez, o médico reforça a necessidade de orientação: “O uso empírico de inibidores da bomba de prótons pode ser considerado em pacientes sem sinais de alarme, mas sempre de forma orientada, evitando o mascaramento de condições graves.”

No balanço final, a mensagem é clara: “Embora a azia seja, na maioria das vezes, um sintoma benigno e autolimitado, a sua persistência, frequência elevada ou associação a sinais de alarme justifica avaliação médica e investigação diagnóstica.” Ajustes na alimentação e nos hábitos, aliados ao diagnóstico precoce quando necessário, são as melhores estratégias para evitar complicações.

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