Sexo, autoestima e reconstrução: os desafios (e caminhos) após o câncer de mama

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14:00 25.10.2025
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Saúde

Sexo, autoestima e reconstrução: os desafios (e caminhos) após o câncer de mama

Mais de 75% das mulheres enfrentam disfunções sexuais após o tratamento oncológico. Apoio especializado e acolhimento emocional fazem parte da reabilitação

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- 25.10.2025 - 14:00
Sexo, autoestima e reconstrução: os desafios (e caminhos) após o câncer de mama
Foto: Divulgação.

O fim do tratamento do câncer de mama não encerra a jornada de cuidados. Para muitas mulheres, começa aí uma nova etapa: reconstruir a autoestima, resgatar o prazer e se reconectar com o próprio corpo. “Mais de 75% das pacientes enfrentam algum tipo de disfunção sexual após o tratamento, e isso precisa ser olhado com mais empatia e menos tabu”, afirma o oncologista Gustavo de Oliveira Bretas.

Alterações físicas e emocionais dificultam a intimidade

As disfunções sexuais surgem como consequência direta das mudanças hormonais, corporais e emocionais causadas pelo câncer e por seus tratamentos. Entre os efeitos mais comuns estão:

• menopausa precoce e secura vaginal

• dor nas relações sexuais devido à atrofia vaginal

• perda de libido, vergonha do corpo e medo da rejeição

• sensação de perda da feminilidade e isolamento afetivo

“Esses impactos muitas vezes são silenciados, quando deveriam ser acolhidos com naturalidade dentro da rotina de cuidados”, destaca Bretas.

Cuidar da sexualidade também é cuidar da saúde

O tema ainda encontra resistência dentro da própria prática médica, mas instituições como a American Cancer Society e o National Cancer Institute já defendem que a sexualidade seja incluída de forma sistemática no modelo de cuidado pós-tratamento — o chamado survivorship care, voltado para o bem-estar integral das pacientes.

“Cabe à equipe médica iniciar esse diálogo com empatia, perguntando diretamente sobre dor, desejo, autoestima e vínculo afetivo”, reforça o oncologista.

Foto: Divulgação.

Ferramentas que ajudam na reabilitação

A reconstrução da vida íntima exige uma abordagem multidisciplinar. Entre as estratégias indicadas estão:

Veja também:

• exercícios para o assoalho pélvico, que melhoram a resposta sexual

• fisioterapia e terapia ocupacional para resgatar conforto corporal

• terapia sexual, individual ou em casal

• participação em grupos de apoio com outras mulheres

Com esses recursos, muitas pacientes redescobrem o prazer e constroem uma relação mais livre com seu corpo — agora transformado, mas ainda pleno de possibilidades.

“A sexualidade não termina com o câncer”, afirma Bretas. Mesmo com as mudanças físicas, o prazer e a conexão continuam possíveis. É preciso acolher essa fase com coragem, apoio especializado e autocompaixão.

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