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História da música “Tico-tico no Fubá”
História da música “Tico-tico no Fubá”
Uma das músicas brasileiras mais famosa de todos os tempos é uma composição de Zequinha de Abreu, que ganhou o mundo na voz de Carmen Miranda; confira

Hoje seria aniversário do compositor brasileiro Zequinha de Abreu, autor de diversas importantes canções da nossa música popular, a principal delas o choro “Tico-tico no Fubá”, eternizado na voz da cantora Carmen Miranda.
Nesta matéria especial, além de conhecer mais sobre o compositor, vamos saber a história por trás dessa, que se tornou uma das músicas brasileiras mais gravadas em todo o mundo.
A história por trás da música “Tico-tico no Fubá”
Em 1917, durante um baile em sua cidade natal – Santa Rita do Passa Quatro, no interior de São Paulo – o compositor Zequinha de Abreu apresentou um chorinho inacabado e ainda sem nome e sem letra.
Conta-se que, ao final da interpretação do número, impressionado com os casais dançando, que pulavam freneticamente, disse aos músicos: “Até parece tico-tico no farelo!”.
O Tico-tico é uma espécie de ave (Zonotrichia capensis) das mais conhecidas do Brasil. Ele vive mesmo pulando, uma técnica usada para remover folhas ou terra que eventualmente cobrem seu alimento – sementes ou insetos – no solo.
O livro “Ornitologia Brasileira”, de Helmut Sick, cita que os tico-ticos chegam a pular até quatro vezes consecutivas sem alterar a posição das pernas, jogando para trás o material do solo.
Surgiu daí o título definitivo, “Tico-tico no Fubá”, como a canção passou a ser chamada em 1931, para evitar confusão com outra música chamada “Tico-tico no Farelo”, composta por Américo Jacomino (Canhoto), em 1927.
Foi em 1931 que “Tico-tico no Fubá” de Zequinha de Abreu foi gravada pela primeira vez em disco, pela Orquestra Colbaz, em um compacto que também contava com outro grande clássico do compositor: a valsa “Branca”, dedicada à filha do chefe da estação ferroviária de Santa Rita do Passa Quatro.
Nesta primeira gravação, “Tico-tico no Fubá” ainda era apenas instrumental:
Foi somente em 1942, já depois da morte de Zequinha de Abreu, que a cantora potiguar Ademilde Fonseca – conhecida como a “Rainha do Chorinho”– gravou “Tico-tico no Fubá” já com versos de Eurico Barreiros, o primeiro a colocar letra na canção:
A popularidade de “Tico-Tico no Fubá” atingiu seu ápice em meados dos anos 1940, quando fez parte da trilha sonora de seis filmes de Hollywood.
Em 1944, a canção foi incluída no filme musical norte-americano “Escola de Sereias (Bathing Beauty)”, com direção de George Sidney, em que a organista norte-americana Ethel Smith toca uma famosa interpretação da canção:
No mesmo ano, “Tico-Tico no Fubá” entrou para a trilha do filme “Melodias Roubadas (Kansas City Kitty)”, direção de Del Lord e no ano seguinte, entrou também para a trilha do filme americano “It’s a Pleasure (É um Prazer)”, de William A. Seiter. A letra em inglês é do compositor americano Ervin Drake,
Mas o auge mesmo da canção foi quando, em 1947, “Tico-tico no Fubá” – agora com uma nova letra feita por Aloysio de Oliveira, diretamente dos Estados Unidos – foi interpretada pela diva Carmen Miranda no filme estadunidense de comédia musical, “Copacabana”, com direção de Alfred E. Green, sendo amplamente divulgada em todo o mundo.
Figura-chave na internacionalização da música popular brasileira, o produtor musical, cantor, compositor, dublador, músico e locutor carioca Aloysio de Oliveira participou de toda a carreira de Carmen Miranda no exterior, com o Bando da Lua, conjunto musical que fundou em 1929.
Aloysio fez essa versão de letra especialmente para a cantora, dançarina e atriz luso-brasileira, que já havia lançado a versão em inglês da canção em compacto, dois anos antes. Conheça tudo sobre a trajetória de Carmen Miranda no “Acervo MPB” especial sobre a artista, programa origina Novabrasil, que é uma verdadeira enciclopédia da nossa música:
Depois da interpretação de Carmen Miranda, “Tico-Tico no Fubá” tornou-se uma das músicas brasileiras mais gravadas no mundo todo.
Outras versões emblemáticas
Em 1974, uma gravação da banda Black Rio deu uma nova cara para a canção, com uma pegada black music, que é a sua cara:
Veja também:
Já em 1981, foi a vez de Pepeu Gomes dar a sua personalidade à icônica canção, também instrumental:
Em 1994, Dominguinhos traz sua sanfona para o choro de Zequinha de Abreu, no seu álbum “Choro Chorado”:
No ano seguinte, João Bosco já inclui voz, em sua versão, acompanhado de seu violão característico, no álbum “Dá Licença meu Senhor”:
Em 2001, o cantor Ney Matogrosso regravou a canção para o seu álbum “Batuque”:
Em 2009, foi a vez da cantora baianaDaniela Mercury, que a incluiu em seu décimo terceiro álbum de estúdio, “Canibália”.
Em 2010, a grande sambista Leci Brandão interpretou a canção no álbum “Disney Adventures in Samba”, que relembra a inclusão de “Tico-tico no Fubá” no filme estadunidense de animação, “Saludos Amigos! (Alô, Amigos!)”.
Produzido por Walt Disney, em 1942 e situado na América do Sul, o filme possui quatro diferentes segmentos: o último, “Watercolor of Brazil”, mostra a primeira aparição do personagem Zé Carioca, levando o Pato Donald para o Rio de Janeiro, e o ensinando o samba:
Sobre Zequinha de Abreu
Nascido em 1880, desde os seis anos de idade Zequinha de Abreu já mostrava que tinha vocação para a música, tirando melodias da flauta.
Ainda durante o curso primário organizou uma banda na escola, da qual ele mesmo era o regente. Com 10 anos, já tocava requinta, flauta e clarineta na banda e ensaiava suas primeiras composições.
Em 1894, foi para o Seminário Episcopal de São Paulo, onde aprendeu harmonia. Aos 17 anos, voltou para sua cidade natal e fundou sua própria orquestra, visando se apresentar em saraus, bailes, aniversários, casamentos, serestas e em cinemas, acompanhando os filmes mudos.
Nessa época, fez suas primeiras valsas conhecidas, como – por exemplo – “Flor da Estrada”. Passou a compor choros, tangos, marchinhas e foxtrotes e tornou-se então figura decisiva da música popular brejeira, circulando bastante entre a classe média no Brasil do começo do século XX.
Em 1933, fundou a banda Zequinha de Abreu, com 25 integrantes. Mas, infelizmente, o compositor morreu em janeiro de 1935, aos 54 anos, vítima de um ataque cardíaco.
Foi anos depois de sua morte – com a gravação de Carmen Miranda do choro “Tico-tico no Fubá”, em 1947 – que Zequinha de Abreu ficou internacionalmente conhecido.
Sua vida inspirou o filme “Tico-tico no Fubá”, de 1952, dirigido por Adolfo Celi e Fernando de Barros, e estrelado por Anselmo Duarte e Tônia Carrero. O filme conta bastante sobre a história da canção.



