Uma visita ao álbum de estreia de Maria Rita, no dia do aniversário da cantora

Lívia Nolla
13:53 09.09.2025
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Lívia Nolla

Cantora e Pesquisadora Musical
Curiosidades

Uma visita ao álbum de estreia de Maria Rita, no dia do aniversário da cantora

'Maria Rita' foi lançado no dia do aniversário de 26 anos da artista. Hoje, 22 anos depois, o site da Novabrasil relembra disco que marcou uma era

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- 09.09.2025 - 13:53
Uma visita ao álbum de estreia de Maria Rita, no dia do aniversário da cantora
Maria Rita. Foto: Divulgação.

Há exatos 22 anos, no dia 09 de setembro de 2003, Maria Rita lançava o primeiro álbum de sua carreira, que levou o seu nome e a consagrou como uma das maiores cantoras do país.

O lançamento aconteceu no mesmo dia em que a cantora completou 26 anos. Hoje, 22 anos depois, no aniversário de 48 anos da artista, nós relembramos tudo sobre esse álbum que marcou uma era.

“Maria Rita”: estreia fonográfica de uma das maiores cantoras do país

O talento e a musicalidade vem de berço: Maria Rita é filha de – ninguém mais ninguém menos – que Elis Regina, uma das maiores cantoras da história da música brasileira (e também do mundo!), e do grande arranjador e pianista César Camargo Mariano.

Apesar disso, Maria Rita seguiu seu caminho com muita calma, propósito e dedicação. Começou a cantar profissionalmente aos 24 anos, depois de passar por importantes processos e reflexões acerca do peso, da cobrança e da responsabilidade de ser filha de Elis – e também da semelhança vocal (de técnica impecável e expressividade absurda) e física entre as duas.

Quando tinha apenas quatro anos de idade, Maria Rita perdeu a mãe. Elis Regina deixou órfãos de sua presença, de forma inesperada – não só Maria e seus dois irmãos mais velhos – o produtor musical João Marcello Bôscoli (fruto do casamento de Elis com o músico, produtor e compositor Ronaldo Bôscoli) e o cantor, compositor e instrumentista Pedro Mariano (irmão de pai e mãe) – mas também o Brasil inteiro, que tinha profunda admiração por aquela que era a maior voz brasileira dos últimos tempos.

Aos 13 anos, Maria Rita chegou a ser backing vocal da banda de seu irmão Pedro, mas a ideia de embarcar em uma carreira musical ainda lhe parecia amedrontadora, pela grande proporção que tinha o nome de sua mãe. 

Muito solicitada a soltar a voz desde cedo, esperou ter a certeza de que a música era essencial em sua vida. Antes de se tornar cantora, Maria Rita formou-se em Comunicação Social e em Estudos Latino-Americanos na Universidade de Nova York, nos EUA, onde morou desde os 16 anos (por conta do trabalho de seu pai), até o fim dos cursos. Antes de ir para Nova York, chegou a fazer estágio na Revista Capricho.

Durante o período da faculdade, Maria Rita fez estágio no departamento de divulgação da Warner Music, gravadora que assinaria contrato como cantora anos depois. Na faculdade, ela já tinha a voz admirada pelos amigos, que insistiam para que participasse de shows de calouros. 

A estadia nos Estados Unidos, onde sua família não era famosa, permitiu a busca de conquistas próprias e a segurança que precisava para voltar ao Brasil e se tornar, enfim, cantora.

Quando voltou ao Brasil, Maria Rita foi produtora musical do irmão Pedro Mariano. Em suas palavras, a partir desse momento, sentia-se “no lugar certo fazendo a coisa errada“, e, em pouco tempo, adquiriu a certeza da necessidade de cantar. Maria Rita começou a cantar profissionalmente aos 24 anos e não acha que foi tarde. 

A artista conta, em seu site oficial, que ouviu desde cedo que tinha o dever de cantar, mas resistiu durante algum tempo: “Encaro a vida como um grande processo construído por pequenos processos no caminho. Sempre quis cantar. Mas a questão não era querer, era por quê. Não gosto de fazer nada sem ter um porquê. Fica mais fácil quando você tem um objetivo, uma meta. Tal objetivo passou a existir quando percebi que ficaria louca se não cantasse”.

Maria Rita começou se apresentando profissionalmente junto com o guitarrista Chico Pinheiro e a cantora Luciana Alves e, logo, passou a fazer shows solo. 

Em seguida, foi apadrinhada por Milton Nascimento – grande amigo de Elis, que tornou-se seu grande amigo também – e foi convidada por ele para cantar em seu disco “Pietá”.

Não demorou muito para que Maria Rita atraísse a atenção da indústria da música e fosse sondada por várias gravadoras. No ano seguinte, 2003, a artista assinou contrato com a Warner Music Brasil, não sem antes ganhar o Troféu APCA de Artista Revelação de 2002, sem nem ainda ter gravado o seu primeiro disco.

Seu primeiro álbum – “Maria Rita” – foi lançado em 2003, fruto de pleno direito e por mérito próprio, quando Maria Rita entendeu que não podia fazer outra coisa de sua vida, senão cantar e mostrar a sua voz, cheia de personalidade e verdade, e seu amor à música ao mundo. 

O disco foi coproduzido pela cantora, junto com Tom Capone e Marco da Costa e vendeu mais de um milhão de cópias (ganhando disco triplo de platina) e trouxe grandes sucessos como:

A Festa (de Milton Nascimento) 

– Encontros e Despedidas (de Milton e Fernando Brant), que entrou para a trilha de abertura da novela “Senhora do Destino”, que foi ao ar pela TV Globo de 2004 a 2005

Cara Valente, Veja Bem Meu Bem e Santa Chuva (todas de Marcelo Camelo);

Menininha do Portão (de Nonato Buzar e Paulinho Tapajós); 

– Não Vale a Pena (de Jean e Paulo Garfunkel);

– Lavadeira do Rio (de Lenine e Bráulio Tavares); 

– Agora Só Falta Você (de Rita Lee e Luiz Carlini)

– Pagu (de Rita e Zélia Duncan)

Maria Rita logo foi aclamada pelo público e pela crítica. O disco – lançado em mais de 30 países e que deu origem também ao primeiro DVD da sua carreira (que foi o segundo DVD mais vendido do ano) – venceu o Grammy Latino de Melhor Artista Revelação, a única brasileira na história a vencer essa categoria, e também o Grammy Latino de Melhor Álbum de MPB

A música “A Festa” ficou com o prêmio de Melhor Canção de Língua Portuguesa.

Durante a turnê do primeiro álbum, a cantora teve 160 shows completamente lotados ao longo de 18 meses.

Mais sobre Maria Rita

A cantora, compositora e produtora musical Maria Rita tem milhões de discos vendidos no Brasil e no mundo, é vencedora de oito Grammy Latinos – é a cantora brasileira que mais vezes recebeu o prêmio, além de ter sido indicada outras cinco vezes – e uma das maiores representantes da MPB nos tempos atuais.

Em 2005, Maria Rita lançou o seu segundo disco – que foi batizado de “Segundo” – produzido por ela e por Lenine e que também ganhou um registro em DVD. 

Entre as faixas, mais alguns grandes sucessos: 

– Caminho das Águas e Recado (ambas de Rodrigo Maranhão

– Casa Pré-Fabricada (de Marcelo Camelo)

– Minha Alma (A Paz Que Eu Não Quero) (sucesso da banda O Rappa, de Marcelo Yuka, Marcelo Falcão, Xandão, Marcelo Lobato e Lauro Farias)

– Muito Pouco (Paulinho Moska

Veja também:

– Conta Outra (de Edu Tedeschi)

Premiado com o Grammy Latino, nas categorias de Melhor Álbum de MPB e Melhor Canção de Língua Portuguesa (Caminho das Águas), “Segundo” vendeu mais de 350 mil cópias no país, sendo certificado com disco de platina duplo

Juntamente com a pré-venda do CD em lojas online, foi feita a “venda digital” do single da música, uma novidade no mercado brasileiro de discos até então. O resultado: foram tantos downloads, que houve congestionamento já na data de lançamento.

O novo trabalho rendeu à cantora uma extensa turnê no Brasil, participações especiais em diversos discos nacionais, shows nacionais e mais de 50 apresentações no exterior, com sucesso absoluto de público e crítica, como no Montreux Jazz Festival e San Francisco Jazz Festival.

Em 2007, Maria Rita celebrou a sua proximidade com o samba, universo pelo qual transitou de forma primorosa, e lançou o disco “Samba Meu”, produzido por ela e por Leandro Sapucahy.

O álbum traz vários grandes hits como: 

– O Homem Falou (Gonzaguinha) 

– Maltratar Não É Direito e Tá Perdoado (ambas de Arlindo Cruz e Franco)

– Num Corpo Só (Arlindo Cruz e Picolé)

– Cria (Serginho Meriti e César Belieny

– O Que É O Amor (Arlindo Cruz, Serginho Meriti e Fred Camacho

– Trajetória (Arlindo Cruz, Serginho Meriti e Fanco

– Novo Amor e Maria do Socorro (ambas de Edu Krieger)

Corpitcho (Luiz Cláudio Picolé e Ronaldo Barcellos) 

– A faixa-título (de Rodrigo Bittencourt).

“Samba Meu” foi premiado com disco de platina e rendeu à Maria Rita o Grammy Latino de Melhor Álbum de Samba/Pagode

Em 2011, veio o álbum “Elo”, em que a artista regravou canções que gostaria muito de cantar, como: 

Coração a Batucar (Davi Moraes e Alvaro Lancellotti

Só de Você (Rita Lee e Roberto de Carvalho)

– Coração em Desalinho (Monarco e Alcino Correa)

Com o álbum, que ganhou disco de platina, Maria Rita se apresentou novamente no Montreux Jazz Festival e é aplaudida de pé pelo público presente.

No final de 2011, Maria Rita começou a preparar um show em homenagem a sua mãe, 30 anos depois de sua morte, que fazia parte do projeto “Viva Elis”, patrocinado pela Nivea

A princípio, seriam cinco apresentações gratuitas ao longo do primeiro semestre de 2012, em diferentes cidades brasileiras. O sucesso foi tão grande, que a cantora decidiu seguir com o show, rebatizando-o de “Redescobrir”, e saiu em turnê pelo Brasil. 

Além disso, o espetáculo foi gravado e lançado em CD ao vivo, duplo, e DVD, que receberam disco de platina. O álbum ganhou o Grammy Latino, na categoria Melhor Álbum de Música Popular Brasileira.

Em 2012, foi lançado o documentário “Maria Rita – Canto Encanto Tanto”, dirigido por Bruno Levinson, e que mostra a artista falando sobre sua trajetória profissional, música e vida.

Em 2014, a artista lançou o sexto álbum da carreira, “Coração a Batucar”, produzido pela própria Maria Rita e sendo seu segundo álbum totalmente dedicado ao samba. Com o álbum, que ganhou disco de ouro, conquistou o Grammy Latino de Melhor Álbum de Samba/Pagode

No mesmo ano, Maria Rita foi convidada a cantar, pela primeira vez, no Réveillon de Copacabana, no Rio de Janeiro, para um público de cerca de dois milhões de pessoas.

Em 2015, a cantora apresentou o show “Samba da Maria”, uma proposta intimista e com repertório especialmente pensado para recriar a atmosfera das tradicionais rodas de samba cariocas. 

No ano seguinte, o registro do show virou CD e DVD: “O Samba Em Mim  – Ao Vivo na Lapa” – com os principais sambas já interpretados por Maria Rita ao longo de sua carreira. 

Em 2018, foi a vez de comemorar 15 anos de carreira, lançando o disco “Amor e Música”, o qual também dirigiu e produziu (junto com Pretinho da Serrinha) e que ganhou o Grammy Latino de Melhor Álbum de Samba/Pagode

Os trabalhos mais recentes da cantora foram o EP “Desse Jeito”, em 2022, sobre o qual falamos com mais profundidade em uma matéria em nosso site – e que foi indicado ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Samba e Pagode – e o disco duplo e ao vivo “Samba da Maria”, com os maiores sucessos de sua carreira, lançado em 2023.

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Lívia Nolla é cantora, apresentadora e pesquisadora musical

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