Homem não chora?

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14:00 30.05.2025
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Homem não chora?

Resistência masculina à terapia ainda é forte, mas reconhecer a vulnerabilidade pode transformar vidas

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- 30.05.2025 - 14:00
Homem não chora?
Foto: Divulgação.

Apesar dos avanços na conscientização sobre saúde mental, muitos homens ainda enfrentam um obstáculo silencioso: o medo de parecer fracos por expressarem emoções ou procurarem ajuda psicológica. O reflexo disso aparece nas estatísticas: a procura masculina por terapia continua significativamente menor em comparação às mulheres, mesmo diante de quadros de sofrimento emocional intenso.

“Frases como ‘engole o choro’ e ‘homem não chora’ foram naturalizadas por gerações, reforçando uma masculinidade que reprime emoções e dificulta o acesso a espaços de escuta e acolhimento”, afirma a psicóloga Marina Dammous, que alerta para o impacto dessas crenças no adoecimento psíquico masculino.

Por que os homens resistem à terapia?

A ideia de que o homem deve ser forte, autossuficiente e incapaz de demonstrar fragilidade ainda permeia muitos discursos sociais. Isso contribui para que a terapia seja vista por parte do público masculino como um espaço “não apropriado”. Muitos homens optam por anestesiar a dor com comportamentos de risco, como o uso abusivo de álcool e drogas, ou o isolamento social.

“Buscar ajuda não é sinal de fraqueza. Pelo contrário, é sinal de maturidade. Reconhecer que algo não vai bem é o primeiro passo para uma mudança real”, explica Marina.

Vulnerabilidade não é fraqueza — é humanidade

A psicóloga propõe uma metáfora: entrar em um processo terapêutico é como acender a luz em um quarto escuro. “Pode parecer assustador à primeira vista, porque não sabemos o que vamos encontrar. Mas só quando enxergamos com clareza conseguimos identificar o que é perigoso, o que é valioso e o que já não serve mais”, diz.

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O que pode ser feito na prática?

Desde a infância, é importante permitir e incentivar que meninos expressem afeto, tristeza, medo ou insegurança — sentimentos que, erroneamente, são rotulados como negativos. Para os adultos, Marina sugere dois passos fundamentais:

  1. Reconhecer que sentir não é fracasso. Assumir a própria vulnerabilidade é uma forma de força emocional e maturidade.
  2. Buscar uma rede de apoio empática e segura, que acolha e incentive o autocuidado, inclusive por meio da terapia.

O recado é claro: ser vulnerável é parte do ser humano — e cuidar das emoções é um ato de coragem. “Quando um homem se permite sentir e buscar ajuda, ele não apenas transforma a si mesmo, mas também abre caminho para que outros façam o mesmo”, conclui a psicóloga.

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