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Acervo MPB: Carmen Miranda – Parte 3
Acervo MPB: Carmen Miranda – Parte 3
Este conteúdo faz parte do Acervo MPB, podcast com áudio-biografias de grandes nomes da nossa MPB, escute aqui: Encontre a segunda parte deste conteúdo aqui. – Desde o início de sua carreira americana, Carmen Miranda fazia uso de barbitúricos para poder dar conta de uma agenda exaustiva. Conseguia as drogas com receitas médicas legais, pois … Continued
Este conteúdo faz parte do Acervo MPB, podcast com áudio-biografias de grandes nomes da nossa MPB, escute aqui:
Encontre a segunda parte deste conteúdo aqui.
– Desde o início de sua carreira americana, Carmen Miranda fazia uso de barbitúricos para poder dar conta de uma agenda exaustiva. Conseguia as drogas com receitas médicas legais, pois – na época – os médicos as receitavam sem muitas preocupações com efeitos colaterais. Nos Estados Unidos, a artista tornou-se dependente de vários remédios, tanto estimulantes quanto calmantes.
– Por conta do uso cada vez mais frequente, Miranda desenvolveu uma série de sintomas característicos do uso de drogas, mas não percebia os efeitos devastadores, que foram erroneamente diagnosticados como estafa e cansaço por médicos americanos.
– Ela ainda estava passando por problemas em seu casamento – que tinha acontecido em 1947, com o assistente de produção do filme Copacabana, David Sebastian, que passou a ser o seu empresário e cuidar bem mal de seus contratos. A relação era bastante complicada e envolvia uma série de questões como ciúme, abuso de álcool e a frustração de Carmen em ter descoberto que não poderia ter filhos, o que a levou a uma forte depressão.
– Em dezembro de 1954, a artista retornou pela primeira vez ao Brasil após 14 anos trabalhando incessantemente no exterior. Seu médico brasileiro constatou a dependência química e tentou desintoxicá-la. Para isso, ela precisou ficar internada por quatro meses em uma suíte do hotel Copacabana Palace.
– Ligeiramente recuperada, mas ainda dependente de remédios, Carmen Miranda retornou para os EUA em abril de 1955 e retomou sua agenda de shows. Seus exames não apontavam nenhuma alteração na frequência cardíaca.
– Mesmo assim, a Pequena Notável foi encontrada sem vida em sua casa em Beverly Hills, no dia 5 de agosto de 1955, vítima de um ataque cardíaco, quando tinha apenas 46 anos.
– No Brasil, a notícia foi recebida com profunda tristeza. Todos os jornais noticiavam a partida da nossa maior estrela internacional. No Brasil e no mundo.
– Seu corpo veio para o Brasil e foi velado na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, acompanhado por 60 mil pessoas. O cortejo fúnebre contou com a presença de 500 mil pessoas, que – de vez em quando – cantarolavam Taí, um dos maiores sucessos da cantora.
– Em 1960, Carmen Miranda ganhou uma estrela póstuma na Calçada da Fama da Hollywood Boulevard.
Veja também:

– No Brasil, no final dos anos 60, as imagens da cantora voltaram à cena durante o Movimento Tropicalista, quando Carmen Miranda é citada por Caetano Veloso como um dos ícones tropicalistas, estando presente tanto em letras de canções – como na música Tropicália (“Viva a banda-da-da, Carmem Miranda-da-da-da-da”), quanto nas imitações dos trejeitos da artista e em alguns figurinos usados.
– Caetano declarou: “Carmen Miranda foi, primeiro, motivo de um misto de orgulho e vergonha e, depois, símbolo da violência intelectual com que queríamos encarar a nossa realidade, do olhar implacável que queríamos lançar sobre nós mesmos; Carmen conquistou a América branca, como nenhum sul-americano tinha feito ou viria a fazer, em uma época em que bastava fazer um barulho percussivo para que se fosse facilmente reconhecido como latino e negróide. O que quer que aconteça na América com a música brasileira – e mesmo o que quer que aconteça no hemisfério norte com qualquer música do hemisfério sul – nos leva a pensar em Carmen Miranda. E, inversamente, pensar nela é pensar em toda a complexidade desse assunto”.
– Em 1976, o Rio de Janeiro inaugurou o Museu Carmen Miranda, com a maior coleção de objetos originais utilizados por Carmen Miranda: indumentária, acessórios, objetos pessoais, bem como documentação textual e iconográfica.
– Em 1995, ela foi tema do aclamado documentário Carmen Miranda: Bananas is My Business, dirigido por Helena Solberg.
– Em 1998, uma interseção no cruzamento da Hollywood Boulevard e Orange Drive, em frente ao Teatro Chinês, em Hollywood, foi oficialmente nomeada Carmen Miranda Square.
– Em 2005, o jornalista Ruy Castro lançou uma biografia de 600 páginas sobre Carmen Miranda. O livro é considerado a mais completa obra sobre a cantora.
– Em 2007, a BBC produziu um documentário sobre a vida da artista, Carmen Miranda – Beneath the Tutti Frutti Hat, relatando sua ascensão de moça de origem humilde para se tornar uma das mais famosas cantoras do Brasil, antes de conquistar a Broadway e Hollywood.
– Em 2009, no ano de seu centenário de nascimento, Carmen Miranda foi homenageada pela Academia Brasileira de Letras e declarada Patrimônio da Cultura Brasileira.
– Carmen Miranda ficou para sempre marcada na nossa memória popular e na nossa história. É impossível pensar em Brasil e não pensar em Carmen Miranda.

