Acervo MPB: Carmen Miranda – Parte 2

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06:54 10.01.2022
Música

Acervo MPB: Carmen Miranda – Parte 2

Este conteúdo faz parte do Acervo MPB, podcast com áudio-biografias de grandes nomes da nossa MPB, escute aqui: A primeira parte desta história, você encontra aqui. – No seu retorno ao Brasil, no ano seguinte, muitos críticos brasileiros – principalmente de correntes avessas aos Estados Unidos –  passaram a considerar Carmen Miranda americanizada demais, alguém … Continued

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- 10.01.2022 - 06:54
Acervo MPB: Carmen Miranda – Parte 2
Acervo MPB: Carmen Miranda – Parte 2

Este conteúdo faz parte do Acervo MPB, podcast com áudio-biografias de grandes nomes da nossa MPB, escute aqui:

A primeira parte desta história, você encontra aqui.

– No seu retorno ao Brasil, no ano seguinte, muitos críticos brasileiros – principalmente de correntes avessas aos Estados Unidos –  passaram a considerar Carmen Miranda americanizada demais, alguém que negava as suas raízes. Em resposta a esses críticos, Carmen Miranda apresentou um samba, composto especialmente pra ela por Vicente Paiva e Luiz Peixoto: Disseram Que Voltei Americanizada.

– Foi a última canção que ela gravou no Brasil, junto com outras composições com a mesma temática, também de Vicente Paiva: Voltei pro Morro, Disso É Que Eu Gosto e Diz Que Tem. Anos depois, Disseram Que Voltei Americanizada foi regravada por vários dos grandes nomes da nossa MPB, como Maria Bethânia, Caetano Veloso, Elba Ramalho, Adriana Calcanhoto e Baby do Brasil.

– Muitas outras canções consagradas na voz de Carmen Miranda foram regravadas por outros ícones da nossa música atual, como Ney Matogrosso, Eduardo Dusek, Roberta Sá, Marília Pêra, Daniela Mercury e Ná Ozzetti.

– Sobre as críticas, Carmen Miranda deu uma declaração: “Não é certo nem verdadeiro, que eu tenha afirmado nos Estados Unidos a minha nacionalidade, sou brasileira, porque aqui me encontro desde a idade de um ano; e nesta terra me eduquei e fiz minha carreira artística. É ao povo brasileiro — aos meus patrícios — que devo todo este incentivo, todo este aplauso, todas estas homenagens. E não há, sequer, uma entrevista minha, em qualquer órgão de imprensa, em que não tivesse sempre reafirmado, categoricamente, este meu amor, este meu carinho, esta minha admiração pelo Brasil.”

– Carmen se irritava quando a imprensa americana a chamava de “latino-americana” — ou até de “sul-americana”, queria ser chamada de brasileira e fazia questão de afirmar suas raízes, embora que muitos acusem ela do contrário.

– Em 1940, Carmen Miranda – já morando nos EUA – estreia em seu primeiro filme em Hollywood: Down Argentine Way (ou Serenata Tropical, como ficou o nome em português), que foi um dos primeiros filmes no formato musical americano, dando início a uma grande tendência no país. Carmen interpreta neste filme, além de outras canções, a marchinha brasileira Mamãe Eu Quero, de Vicente Paiva e Jararaca.

– Durante os anos de guerra, Carmen Miranda esteve em oito produções hollywoodianas e, embora os estúdios a chamassem de Brazilian Bombshell, seus papéis no cinema tinham uma identidade latino-americana indefinida, parte da política de boa vizinhança do presidente dos EUA com os países da América Latina.

– Exatamente por conta disso, os filmes eram muito populares nos Estados Unidos, mas não tão bem sucedidos como propaganda destinada à América Latina, porque faltava autenticidade regional. Apesar disso, o talento de Carmen Miranda era sempre inegável e indiscutível e – mesmo estando ao lado de grandes estrelas americanas – a cantora sempre chamava muita atenção.

– Em 1940, o filme brasileiro Laranja da China repetiu o número de maior sucesso de Carmen Miranda – O Que É Que a Baiana Tem – quando ela já estava fora do Brasil.

– Em 1941, Carmen Miranda estrela o filme norte-americano Uma Noite no Rio e foi novamente muito bem avaliada pela crítica e pela imprensa. Nesse filme, a artista interpreta a canção clássica Chica Chica Boom, de Harry Warren e Mack Gordon, que anos depois foi regravada por grandes nomes da nossa música como Ivete Sangalo, Carlinhos Brown, Paula Lima e Bebel Gilberto. Outras canções interpretadas por ela no filme são: uma versão em espanhol de Mamãe Eu Quero e a música Cai-Cai, de Roberto Martins.

Carmen mirando deixando suas pegadas no Grauman’s Chinese Theatre, em Hollywood

 

– No mesmo ano, tornou-se a primeira latino-americana a ser convidada a colocar suas mãos e pegadas no cimento do pátio do Grauman’s Chinese Theatre, em Hollywood.

– Ainda em 1941, Miranda estrelou a revista musical Sons o’Fun – na Broadway – e o filme Aconteceu em Havana – em Hollywood, em que cantava, entre outras, a música Rebola a Bola (Embolada), de Aloysio Oliveira, Brant Horta e Nestor Amaral.

– Em 1942, esteve no filme Springtime in The Rockies (no Brasil, Minha Secretária Brasileira), em que cantou O Tic-Tac do Meu Coração, de Synval Silva, Alcyr Pires Vermelho e Walfrido Silva.

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– Em 1943, atuou em The Gang’s Out There (no Brasil, Entre a Loura e a Morena), outra comédia musical de Hollywood. Nesse último, Carmen Miranda apresenta ao mundo a canção Aquarela do Brasil, clássico de Ary Barroso. O filme também caracterizou definitivamente sua carreira como a “The Lady in the Tutti-Frutti Hat”, ou “A Mulher com o Chapéu de Frutas na Cabeça”, número musical presente na obra.

– Neste momento, Miranda parecia estar presa a papéis exóticos e seu contrato com o estúdio ainda a forçava a aparecer em eventos com seus figurinos extravagantes. Em uma crítica a essa situação, a cantora gravou a canção Make My Money With Bananas (tradução literal: Faço o meu dinheiro com bananas).

– Em 1944, participou dos filmes Quatro Moças Num Jipe, Serenata Boêmia e Alegria, Rapazes! (Esses todos são os nomes que os filmes hollywoodianos receberam no Brasil). Em 1945, Carmen Miranda foi a artista mais bem paga dos Estados Unidos.

– A partir de 1945, com o fim da Segunda Guerra Mundial, os filmes que Carmen Miranda estrelava passaram a ser feitos em preto-e-branco, por conta do baixo investimento em Hollywood. Antes, todos os seus filmes já eram coloridos e ver a Carmen Miranda não tão colorida não interessava tanto o público.

– Em 1945, fez uma participação menor no filme Sonhos de Estrela, e, em 1946, na comédia Se Eu Fosse Feliz, em que apresentou a canção Batucada, de Synval Silva. A partir desse momento, Carmen foi cada vez menos figurada entre as grandes estrelas de Hollywood, como costumava estar até o ano anterior.

– Então, ela decidiu prosseguir a sua carreira de atriz livre das limitações dos estúdios, com o intuito de mudar a sua imagem caricata e assumir papéis diferentes no cinema. Em 1947, estrelou o filme Copacabana, em que executava muito bem duas personagens ao mesmo tempo, mas ainda continuava com leves traços estereotipados.

– Nesse filme, Carmen Miranda apresentou ao mundo a icônica canção Tico Tico no Fubá, de Zequinha de Abreu e Aloysio de Miranda.

– Já em 1948, aparece no cinema pela primeira vez sem os seus trajes caricatos de baiana, no filme de comédia musical O Príncipe Encantado. O filme, que também contava com a atriz Elizabeth Taylor, foi um sucesso.

– Certa vez, em uma entrevista, Carmen declarou: “Quando você (…) me vir com um exótico turbante comicamente enfeitado, dançando e cantando um samba no filme Minha Secretária Brasileira, isso não significa que esteja diante de uma verdadeira imagem da vida e dos costumes brasileiros. Sob esse aspecto, represento a verdade tanto quanto Gypsy Rose Lee representa o real espírito americano, ou Greta Garbo, o real espírito sueco. Sou apenas uma mulher brasileira que canta alguma coisa a respeito das cores e da beleza de sua terra. O que há de teatral nessa apresentação exprime muito pouco de meu país.”.

– Embora sua carreira cinematográfica estivesse em declínio, a carreira musical de Carmen Miranda permaneceu sólida, ela ainda era uma atração popular em casas noturnas e na televisão norte-americana. De 1948 a 1950, produziu e gravou uma série de singles pela gravadora Decca Records e, em 1948, embarcou em uma turnê de seis semanas em Londres.

– Em 1950, participou do filme Romance Carioca, já em cores, em que canta uma versão em inglês da famosa canção Baião, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.

– Em 1953, participou do seu último filme, Morrendo de Medo – com Dean Martin e Jerry Lewis e sai em uma turnê de shows pela Europa.

– Outras canções famosas na voz de Carmen Miranda, além das já citadas são: Isso É Lá Com Santo Antônio (Lamartine Babo e Mario Reis), Chiquita Bacana (João de Barro e Alberto Ribeiro) e E O Mundo Não Se Acabou (Assis Valente).

Leia a última parte da história de Carmen Miranda.

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