Acervo MPB: Carmen Miranda

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06:00 09.01.2022
Música

Acervo MPB: Carmen Miranda

Este conteúdo faz parte do Acervo MPB, podcast com áudio-biografias de grandes nomes da nossa MPB, escute aqui: – Cantora, atriz e dançarina Carmen Miranda é um dos maiores ícones da cultura brasileira. – Com uma carreira de sucesso na rádio, no teatro, em revistas, no cinema e na televisão, Carmen Miranda é uma das … Continued

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- 09.01.2022 - 06:00
Acervo MPB: Carmen Miranda
Acervo MPB: Carmen Miranda

Este conteúdo faz parte do Acervo MPB, podcast com áudio-biografias de grandes nomes da nossa MPB, escute aqui:

– Cantora, atriz e dançarina Carmen Miranda é um dos maiores ícones da cultura brasileira.

– Com uma carreira de sucesso na rádio, no teatro, em revistas, no cinema e na televisão, Carmen Miranda é uma das artistas brasileiras mais conhecidas no mundo inteiro, tornando-se referência do nosso país no exterior. Até os dias atuais, nenhum artista brasileiro teve tanta projeção internacional como ela.

– Foi a primeira artista a assinar um contrato de trabalho com uma emissora de rádio no país, a gravação de Ta-hí (Pra você Gostar de Mim), de Joubert de Carvalho, lançou Carmen Miranda ao sucesso e transformou ela na principal intérprete de samba dos anos 30. A canção foi um sucesso e o disco vendeu 35 mil cópias no ano de lançamento, recorde para aquela época.

– Em 20 anos de carreira, Carmen Miranda deixou sua bela voz registrada em mais de 300 canções. A voz que conquistou o mundo, foi considerada a DÉCIMA QUINTA maior da história da música brasileira, pela Revista Rolling Stone Brasil, que também a classificou como a TRIGÉSIMA QUINTA maior artista da música brasileira.

– Com seu figurino tipicamente tropical e seus característicos chapéus de frutas, ganhou o apelido de Pequena Notável, no Brasil (por conta da baixa estatura), e de The Brazilian Bombshell (brasileira explosiva) ou The Chiquita Banana Girl, no exterior.

Cartaz de Carmen no filme carnavalesco Banana da Terra

– Com a carreira já consolidada na música, passou a arriscar-se também no cinema,  participando de um dos primeiros filmes com som da história. Em 1939, o filme carnavalesco Banana da Terra, de Ruy Costa, lançou Carmen Miranda internacionalmente. Depois disso, mudou-se para os Estados Unidos e estrelou diversos filmes estadunidenses, tornando-se muito popular no país. Foi a primeira artista sul-americana a ter uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood.

– Carmen Miranda contribuiu para o enaltecimento da música e da cultura brasileira no mundo. Ela foi a primeira intérprete de samba a divulgar o gênero em âmbito internacional.

Maria do Carmo Miranda da Cunha nasceu na cidade Marcos de Canaveses, Porto, Portugal, em 1909. Com menos de um ano de idade sua família emigrou para o Brasil, coisa que já estava marcada para acontecer antes mesmo do seu nascimento. Ela ganhou o apelido de Carmen, em homenagem a uma famosa ópera francesa, e nunca mais voltou à cidade onde nasceu, que depois nomeou um museu municipal com seu nome.

– A família instalou-se no Rio de Janeiro, no bairro da Lapa, e depois no centro, onde a mãe de Carmen administrava uma pensão. A família Miranda aumentou aqui no Brasil: Carmen, que só tinha uma irmã mais velha, ganhou mais dois irmãos e duas irmãs (que também se tornaram cantoras, Cecília e Aurora).

– Carmen Miranda estudou em um colégio de freiras, trabalhou em lojas quando era adolescente, mas cantava desde sempre. Sonhava em ser artista e estava sempre cantarolando no trabalho.

– Em 1928, foi apresentada para o cantor, instrumentista e compositor Josué de Barros, que a levou para trabalhar na Rádio Sociedade Professor Roquete Pinto.

– No ano seguinte, Carmen já estava gravando a sua primeira música, por uma gravadora norte-americana que atuava no Brasil, a Brunswick Records: a canção era Não Vá Simbora, de Josué de Barros.

– Logo, foi apresentada ao diretor da gravadora RCA Victor e gravou o seu primeiro disco 78 RPM (Rotações Por Minuto). No disco, estavam as canções Dona Balbina e Triste Jandaia, ambas de Josué de Barros. Meses depois, já lançava seu segundo disco, com as músicas Burucuntum (autoria de Sinhô) e Iaiá Ioiô (também de Josué de Barros).

– Em 1930, Carmen gravou a marcha Taí ou Ta-Hi (Pra Você Gostar de Mim), do famoso compositor Joubert de Carvalho, e a canção tornou-se um sucesso nacional, vendendo mais de 35 mil cópias no ano de lançamento, recorde absoluto para a época. A partir de então, Carmen Miranda passa a ser aclamada pela crítica como a maior cantora do Brasil.

– Entre os anos de 1929 e 1950 gravou quase 150 discos de 78 RPM.

– Em 1932, assinou um contrato que durou quatro anos, com a rádio Mayrink Veiga, ganhando um cachê mensal, fato que a tornou a primeira cantora de rádio a assinar um contrato de trabalho com uma emissora, quando o normal ainda era o cachê por participação do artista.

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– Como era comum para os cantores e cantoras da época, Carmen, já como uma estrela bem estabelecida na música popular e no rádio, começou a atuar no cinema e foi convidada para participar dos primeiros filmes sonoros lançados na década de 30.

– Em 1932, apresentou um número musical no filme O Carnaval Cantado de 1932, primeiro documentário sonoro sobre o tema popular, em que apresenta o samba Bamboleô, de André Filho.

– No ano seguinte, interpreta mais três canções – Bateu-se a Chapa e Good-Bye (ambas de Assis Valente) e Moleque Indigesto (Lamartine Babo) – em A Voz do Carnaval, filme que mesclava imagens reais da folia de rua do Rio de Janeiro, com um enredo fictício, que servia de gancho para diversos números musicais.

– Em 1935, participa da cena final do clássico filme Alô, Alô, Brasil, onde aparece cantando Primavera do Rio, sucesso de João de Barro, que ela havia gravado no ano anterior. Esta aparição a coloca a já consolidada cantora como a figura mais popular do cinema brasileiro.

– No mesmo ano, ela participa de seu primeiro filme em um papel narrativo e não apenas como intérprete de canções: Estudantes, onde interpreta as canções Sonho de Papel, (de Alberto Ribeiro) e E Bateu-se A Chapa (de Assis Valente).

– Em 1936, participa de uma grande produção de sucesso, o filme Alô, Alô, Carnaval, junto com vários outros artistas da música popular e do rádio. Carmen Miranda tornou-se a grande estrela do filme, por sua icônica interpretação da canção Cantoras do Rádio, de Josué De Barros, Lamartine Babo e A. Ribeiro, além de apresentar a canção Querido Adão, de Benedito Lacerda e Oswaldo Santiago.

– Também em 1936, foi contratada pela Rádio Tupi, mas logo no ano seguinte volta para a Mayrink Veiga, para ser a artista de rádio mais bem paga do país.

Carmen Miranda interpretando “O Que É Que a Baiana Tem”

– Em 1939, Carmen Miranda gravou aquele que seria o seu último filme no Brasil: o musical carnavalesco Banana da Terra, de Ruy Costa. Em sua icônica interpretação da canção O Que É Que a Baiana Tem, de Dorival Caymmi, a cantora aparece pela primeira vez caracterizada de baiana, personagem com a qual ficou estigmatizada pelo resto de sua carreira e que a fez ser conhecida no mundo inteiro. No mesmo filme, Carmen interpreta – em dueto com Almirante – a canção Pirulito, de João de Barro e Alberto Ribeiro).

– Quando, no mesmo ano, Carmen Miranda se apresentava no Cassino da Urca, vestida de baiana e acompanhada do conjunto vocal Bando da Lua, seu enorme talento chamou a atenção do produtor norte-americano Lee Shubert, que administrava metade dos teatros da Broadway, nos Estados Unidos. Ele a convidou para participar da sua revista musical The Streets os Pans.

– Ainda em 1939, pouco antes de iniciar a Segunda Guerra Mundial, Carmen Miranda fazia a sua estreia na Broadway, acompanhada do Bando da Lua, por insistência sua, que convenceu os produtores a levar a banda junto com ela.

–  Embora sua participação na peça fosse pequena, ela foi muito elogiada pela crítica e tornou-se uma sensação na mídia, tanto por sua voz e pela música cheia de brasilidade, mas também por seu figurino, sua energia e presença e a forma de se mover. Tudo hipnotizava o espectador.

– A revista foi um sucesso e permaneceu em cartaz em Nova Iorque por todo o semestre, totalizando quase 300 apresentações. Depois, rodou outras cidades americanas e Carmen chegou até a cantar para o presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt, na Casa Branca.

– Acontece que a exótica “baiana” que tanto agradou aos norte-americanos, despertou polêmica e um certo desprezo entre os brasileiros, pois – com suas vestes estilizadas e o arranjo de frutas tropicais que carregava sobre a cabeça – a cantora acabou por expor ao mundo uma visão caricata e estereotipada do Brasil.

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