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Acervo MPB: Carmen Miranda
Acervo MPB: Carmen Miranda
Este conteúdo faz parte do Acervo MPB, podcast com áudio-biografias de grandes nomes da nossa MPB, escute aqui: – Cantora, atriz e dançarina Carmen Miranda é um dos maiores ícones da cultura brasileira. – Com uma carreira de sucesso na rádio, no teatro, em revistas, no cinema e na televisão, Carmen Miranda é uma das … Continued
Este conteúdo faz parte do Acervo MPB, podcast com áudio-biografias de grandes nomes da nossa MPB, escute aqui:
– Cantora, atriz e dançarina Carmen Miranda é um dos maiores ícones da cultura brasileira.
– Com uma carreira de sucesso na rádio, no teatro, em revistas, no cinema e na televisão, Carmen Miranda é uma das artistas brasileiras mais conhecidas no mundo inteiro, tornando-se referência do nosso país no exterior. Até os dias atuais, nenhum artista brasileiro teve tanta projeção internacional como ela.
– Foi a primeira artista a assinar um contrato de trabalho com uma emissora de rádio no país, a gravação de Ta-hí (Pra você Gostar de Mim), de Joubert de Carvalho, lançou Carmen Miranda ao sucesso e transformou ela na principal intérprete de samba dos anos 30. A canção foi um sucesso e o disco vendeu 35 mil cópias no ano de lançamento, recorde para aquela época.
– Em 20 anos de carreira, Carmen Miranda deixou sua bela voz registrada em mais de 300 canções. A voz que conquistou o mundo, foi considerada a DÉCIMA QUINTA maior da história da música brasileira, pela Revista Rolling Stone Brasil, que também a classificou como a TRIGÉSIMA QUINTA maior artista da música brasileira.
– Com seu figurino tipicamente tropical e seus característicos chapéus de frutas, ganhou o apelido de Pequena Notável, no Brasil (por conta da baixa estatura), e de The Brazilian Bombshell (brasileira explosiva) ou The Chiquita Banana Girl, no exterior.

– Com a carreira já consolidada na música, passou a arriscar-se também no cinema, participando de um dos primeiros filmes com som da história. Em 1939, o filme carnavalesco Banana da Terra, de Ruy Costa, lançou Carmen Miranda internacionalmente. Depois disso, mudou-se para os Estados Unidos e estrelou diversos filmes estadunidenses, tornando-se muito popular no país. Foi a primeira artista sul-americana a ter uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood.
– Carmen Miranda contribuiu para o enaltecimento da música e da cultura brasileira no mundo. Ela foi a primeira intérprete de samba a divulgar o gênero em âmbito internacional.
– Maria do Carmo Miranda da Cunha nasceu na cidade Marcos de Canaveses, Porto, Portugal, em 1909. Com menos de um ano de idade sua família emigrou para o Brasil, coisa que já estava marcada para acontecer antes mesmo do seu nascimento. Ela ganhou o apelido de Carmen, em homenagem a uma famosa ópera francesa, e nunca mais voltou à cidade onde nasceu, que depois nomeou um museu municipal com seu nome.
– A família instalou-se no Rio de Janeiro, no bairro da Lapa, e depois no centro, onde a mãe de Carmen administrava uma pensão. A família Miranda aumentou aqui no Brasil: Carmen, que só tinha uma irmã mais velha, ganhou mais dois irmãos e duas irmãs (que também se tornaram cantoras, Cecília e Aurora).
– Carmen Miranda estudou em um colégio de freiras, trabalhou em lojas quando era adolescente, mas cantava desde sempre. Sonhava em ser artista e estava sempre cantarolando no trabalho.
– Em 1928, foi apresentada para o cantor, instrumentista e compositor Josué de Barros, que a levou para trabalhar na Rádio Sociedade Professor Roquete Pinto.
– No ano seguinte, Carmen já estava gravando a sua primeira música, por uma gravadora norte-americana que atuava no Brasil, a Brunswick Records: a canção era Não Vá Simbora, de Josué de Barros.
– Logo, foi apresentada ao diretor da gravadora RCA Victor e gravou o seu primeiro disco 78 RPM (Rotações Por Minuto). No disco, estavam as canções Dona Balbina e Triste Jandaia, ambas de Josué de Barros. Meses depois, já lançava seu segundo disco, com as músicas Burucuntum (autoria de Sinhô) e Iaiá Ioiô (também de Josué de Barros).
– Em 1930, Carmen gravou a marcha Taí ou Ta-Hi (Pra Você Gostar de Mim), do famoso compositor Joubert de Carvalho, e a canção tornou-se um sucesso nacional, vendendo mais de 35 mil cópias no ano de lançamento, recorde absoluto para a época. A partir de então, Carmen Miranda passa a ser aclamada pela crítica como a maior cantora do Brasil.
– Entre os anos de 1929 e 1950 gravou quase 150 discos de 78 RPM.
– Em 1932, assinou um contrato que durou quatro anos, com a rádio Mayrink Veiga, ganhando um cachê mensal, fato que a tornou a primeira cantora de rádio a assinar um contrato de trabalho com uma emissora, quando o normal ainda era o cachê por participação do artista.
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– Como era comum para os cantores e cantoras da época, Carmen, já como uma estrela bem estabelecida na música popular e no rádio, começou a atuar no cinema e foi convidada para participar dos primeiros filmes sonoros lançados na década de 30.
– Em 1932, apresentou um número musical no filme O Carnaval Cantado de 1932, primeiro documentário sonoro sobre o tema popular, em que apresenta o samba Bamboleô, de André Filho.
– No ano seguinte, interpreta mais três canções – Bateu-se a Chapa e Good-Bye (ambas de Assis Valente) e Moleque Indigesto (Lamartine Babo) – em A Voz do Carnaval, filme que mesclava imagens reais da folia de rua do Rio de Janeiro, com um enredo fictício, que servia de gancho para diversos números musicais.
– Em 1935, participa da cena final do clássico filme Alô, Alô, Brasil, onde aparece cantando Primavera do Rio, sucesso de João de Barro, que ela havia gravado no ano anterior. Esta aparição a coloca a já consolidada cantora como a figura mais popular do cinema brasileiro.
– No mesmo ano, ela participa de seu primeiro filme em um papel narrativo e não apenas como intérprete de canções: Estudantes, onde interpreta as canções Sonho de Papel, (de Alberto Ribeiro) e E Bateu-se A Chapa (de Assis Valente).
– Em 1936, participa de uma grande produção de sucesso, o filme Alô, Alô, Carnaval, junto com vários outros artistas da música popular e do rádio. Carmen Miranda tornou-se a grande estrela do filme, por sua icônica interpretação da canção Cantoras do Rádio, de Josué De Barros, Lamartine Babo e A. Ribeiro, além de apresentar a canção Querido Adão, de Benedito Lacerda e Oswaldo Santiago.
– Também em 1936, foi contratada pela Rádio Tupi, mas logo no ano seguinte volta para a Mayrink Veiga, para ser a artista de rádio mais bem paga do país.

– Em 1939, Carmen Miranda gravou aquele que seria o seu último filme no Brasil: o musical carnavalesco Banana da Terra, de Ruy Costa. Em sua icônica interpretação da canção O Que É Que a Baiana Tem, de Dorival Caymmi, a cantora aparece pela primeira vez caracterizada de baiana, personagem com a qual ficou estigmatizada pelo resto de sua carreira e que a fez ser conhecida no mundo inteiro. No mesmo filme, Carmen interpreta – em dueto com Almirante – a canção Pirulito, de João de Barro e Alberto Ribeiro).
– Quando, no mesmo ano, Carmen Miranda se apresentava no Cassino da Urca, vestida de baiana e acompanhada do conjunto vocal Bando da Lua, seu enorme talento chamou a atenção do produtor norte-americano Lee Shubert, que administrava metade dos teatros da Broadway, nos Estados Unidos. Ele a convidou para participar da sua revista musical The Streets os Pans.
– Ainda em 1939, pouco antes de iniciar a Segunda Guerra Mundial, Carmen Miranda fazia a sua estreia na Broadway, acompanhada do Bando da Lua, por insistência sua, que convenceu os produtores a levar a banda junto com ela.
– Embora sua participação na peça fosse pequena, ela foi muito elogiada pela crítica e tornou-se uma sensação na mídia, tanto por sua voz e pela música cheia de brasilidade, mas também por seu figurino, sua energia e presença e a forma de se mover. Tudo hipnotizava o espectador.
– A revista foi um sucesso e permaneceu em cartaz em Nova Iorque por todo o semestre, totalizando quase 300 apresentações. Depois, rodou outras cidades americanas e Carmen chegou até a cantar para o presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt, na Casa Branca.
– Acontece que a exótica “baiana” que tanto agradou aos norte-americanos, despertou polêmica e um certo desprezo entre os brasileiros, pois – com suas vestes estilizadas e o arranjo de frutas tropicais que carregava sobre a cabeça – a cantora acabou por expor ao mundo uma visão caricata e estereotipada do Brasil.


