8 pratos de influência africana na gastronomia brasileira: feijoada não é um deles

Clarissa Sayumi
18:27 24.02.2025
Arte e cultura

8 pratos de influência africana na gastronomia brasileira: feijoada não é um deles

Das tradições iorubás à cozinha baiana: como a luta pela preservação cultural se transformou em pratos emblemáticos e inesquecíveis

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- 24.02.2025 - 18:27
8 pratos de influência africana na gastronomia brasileira: feijoada não é um deles
Foto: Divulgação.

Trazidas ao país durante o período de escravização e forçadas a deixarem seu continente, as pessoas vindas de diversas regiões da África carregavam suas próprias tradições, línguas, crenças e práticas culinárias. Para evitar o apagamento de sua cultura, criavam formas de resistência e preservavam seus costumes que se perpetuam até hoje.

Essa luta pela preservação de sua identidade foi fundamental para a construção da cultura afro-brasileira que se transformou e se adaptou ao convívio com outras tradições, como as indígenas e europeias.

Vamos conhecer um pouco mais sobre como essa influência se deu na gastronomia brasileira?

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Ingredientes e técnicas culinárias

Azeite de dendê, leite de coco, pimenta e mandioca são alguns dos ingredientes típicos da culinária afro-brasileira.

Pratos emblemáticos:

Acarajé

Instagram | Reprodução

O acarajé é uma especialidade gastronômica da culinária afro-brasileira, originária da África Ocidental, especificamente entre os povos iorubás do Golfo do Benim, na região que hoje inclui Togo, Benim, Nigéria e Camarões.

A palavra “acarajé” vem da língua iorubá: “akará” (bola de fogo) e “jé” (comer) – “comer bola de fogo”. No Brasil, foi introduzido durante o tráfico transatlântico de escravos e se tornou uma oferenda importante no candomblé, especialmente para Iansã.

Vatapá

Instagram | Reprodução

Feito com inhame, azeite de dendê, leite de coco e outros ingredientes, o vatapá é um prato típico da culinária baiana, mas sua origem é das regiões costeiras da África. O vatapá chegou ao Brasil com os escravizados, que o adaptaram com ingredientes locais.

O prato ganhou novas camadas com a inclusão de leite de coco, farinha de mandioca e castanhas, mas a base cremosa e os sabores marcantes remetem à tradição culinária africana.

Moqueca Baiana

Embora a moqueca tenha origens indígenas, a versão baiana se destaca pelo uso do azeite de dendê e do leite de coco – ingredientes característicos da culinária africana.

Geralmente preparada com peixe ou frutos do mar, a moqueca baiana é um prato aromático e colorido. A preparação da moqueca é muitas vezes associada a encontros familiares e festividades, simboliza a união e a continuidade das tradições transmitidas de geração para geração.

Abará

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Instagram | Reprodução

Assim como o acarajé, o abará também tem raízes africanas, sendo uma adaptação de pratos tradicionais da África Ocidental. Feito com a mesma massa do acarajé, mas cozido no vapor em folhas de bananeira, tem uma textura mais macia. Compartilha a história do acarajé, vendido pelas baianas de tabuleiro e mantendo viva a tradição cultural afro-brasileira.

Caruru

Instagram | Reprodução

Tem raízes africanas e indígenas, é um prato que reflete a mistura de culturas no Brasil. Feito com quiabo, camarões secos e azeite de dendê, é típico da culinária baiana. Foi desenvolvido no Brasil, incorporando ingredientes locais e técnicas africanas.

Mungunzá

É uma sobremesa feita à base de canjica branca, popular no Nordeste do Brasil. Além da canjica, leva leite de coco e açúcar, um prato simples e saboroso.

Bobó de Camarão

Derivado do ipeté, é um prato africano feito com camarão, azeite de dendê, leite de coco e outros ingredientes, típico da culinária baiana.

Angu

Feito com fubá de milho, água e sal, é um prato básico e nutritivo. Trazido ao Brasil pelos escravizados africanos, o angu foi incorporado à dieta como uma fonte importante de nutrição. O milho, elemento central desse prato, era valorizado por sua disponibilidade e por sua capacidade de sustentar comunidades em condições adversas.

Feijoada

Embora por muito tempo contassem a história de que a feijoada nasceu com os escravizados, pesquisadores dizem que ela não é verdadeira. Contavam que aproveitavam as partes menos nobres do porco que sobravam das refeições dos senhores, mas, naquela época, pé, rabo, orelha, não eram considerados partes menos nobres. Hoje, o mais aceito é que a feijoada é uma adaptação dos cozidos portugueses.

A trajetória dos pratos afro-brasileiros vai muito além dos sabores. Cada receita carrega uma história de luta, adaptação e resistência. Com a tradição vinda do continente africano e os ingredientes brasileiros, surgiram pratos que traduzem a história de influências históricas do Brasil.

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