25 músicas sobre São Paulo no aniversário da cidade 

Lívia Nolla
14:00 25.01.2025
Autor

Lívia Nolla

Cantora e Pesquisadora Musical
Música

25 músicas sobre São Paulo no aniversário da cidade 

Hoje a capital paulista completa 471 anos e os ite da Novabrasil destaca as várias homenagens que a MPB já fez à cidade; confira nossa lista

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- 25.01.2025 - 14:00
25 músicas sobre São Paulo no aniversário da cidade 
Cidade de São Paulo completa 471 anos | Imagem: Reprodução

“Porque és o avesso do avesso, do avesso, do avesso”…! Muitas músicas sobre São Paulo já entraram para o cancioneiro popular brasileiro.

Com suas belezas e oportunidades, desigualdades e contradições, a capital paulista já foi tema de homenagens (e também de letras que refletem seus diversos problemas!) de todas as partes do Brasil e de todas as gerações da MPB.

Neste 25 de janeiro de 2025, a cidade de São Paulo completa 471 anos de existência. A data foi estabelecida em homenagem à fundação do Colégio dos Jesuítas, considerado o marco zero da maior capital brasileira e maior metrópole da América do Sul, em 25 de janeiro de 1554.

Talvez a principal de todas essas músicas sobre São Paulo seja Sampa, que o baiano Caetano Veloso escreveu como um hino de amor à cidade e que acabou tornando-se realmente um hino paulistano.

Na canção, Caetano fala sobre suas impressões ao chegar em São Paulo pela primeira vez, nos anos 60 – aos 22 anos – acompanhando a irmã Maria Bethânia, que ia estrear (e estourar!) sua carreira musical ao substituir Nara Leão no emblemático espetáculo de protesto Opinião

A primeira impressão de Caetano Veloso sobre a cidade não foi das melhores: 

“Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto 

Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto (…)

E foste um difícil começo

Afasto o que não conheço 

E quem vende outro sonho feliz de cidade

Aprende depressa a chamar-te de realidade 

Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso”.

O artista baiano logo se deparou com a dura realidade política e a imensa desigualdade social da cidade de São Paulo

Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas

Da força da grana que ergue e destrói coisas belas

Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas.”

Mas… não demorou muito para Caetano também se apaixonar pela “deselegância discreta” paulistana: seu coração bateu mais forte quando cruzou o principal encontro entre avenidas da cidade (a famosa esquina das Avenidas Ipiranga e São João), mas também quando mergulhou de cabeça na cultura paulistana, conhecendo grandes artistas e movimentos da capital.

Entre eles, a cantora e compositora paulistana Rita Lee (a quem atribui justamente o título de “a mais perfeita tradução” da cidade); a poesia concretista de Jorge Mautner (Deus da Chuva e da Morte é o primeiro romance do poeta); o escritor José Agrippino de Paula (autor do livro Panamérica); os movimentos de vanguarda e os modernistas Oswald e Mário de Andrade; e o diretor Zé Celso Martinez Corrêa (do famoso Teatro Oficina, que fica no centro da cidade).

Caetano Veloso e Rita Lee são alguns dos artistas que escreveram músicas sobre São Paulo | Imagem: Reprodução

A canção foi composta para um programa de TV no aniversário de São Paulo, em 1978, quando Caetano já morava no Rio, e entrou para o seu o LP “Muito – Dentro da Estrela Azulada”, do mesmo ano. 

Em entrevistas, Caetano Veloso conta que o samba-canção “Ronda”, música de Paulo Vanzolini, foi inspiração para criar a composição. A canção de Paulo termina com o verso “Cena de sangue num bar da Avenida São João”, que deu origem também ao primeiro verso da música de Caetano.

Outro compositor que retratou São Paulo de forma magistral foi o também paulista Adoniran Barbosa, lá nos anos 50, com diversas canções que falavam do cotidiano da cidade, como os clássicos “Trem das Onze”, Samba do Arnesto (conheça também a história dessa música), “Viaduto Santa Ifigênia” e “Saudosa Maloca”.  

As composições de Adoniran também viraram hinos e ficaram muito famosas nas versões do conjunto paulistano Demônios da Garoa.

Em 1968, quando foi morar na capital paulista, o baiano Tom Zé também já tinha cantando sobre as durezas e belezas da cidade, na excelente e sempre atual “São São Paulo”. Depois,Gilberto Gil aindanos presenteou com o “Punk da Periferia”, em 1983. Entre os artistas contemporâneos, temos Criolo, um dos maiores poetas paulistanos, que escreve sobre a realidade de sua cidade como ninguém.

Fizemos uma seleção com 25 canções que são o retrato da cidade que completa mais um ano de vida hoje (uma delas é uma espécie de resposta de Jair Oliveira para a música de Caetano): “Uma Outra Beleza”.

Confira!

25 músicas sobre São Paulo no aniversário da cidade

1 – Sampa – Caetano Veloso

“Alguma coisa acontece no meu coração

Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João

É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi

Da dura poesia concreta de tuas esquinas

Da deselegância discreta de tuas meninas”

2 – Ronda – Paulo Vanzolini

“De noite eu rondo a cidade

A te procurar sem encontrar.

(…)

E neste dia, então,

Vai dar na primeira edição:

Cena de sangue num bar

Da Avenida São João.”

3 – Trem das Onze – Adoniran Barbosa

“Não posso ficar nem mais um minuto com você

Sinto muito, amor, mas não pode ser

Moro em Jaçanã

Se eu perder esse trem

Que sai agora, às onze horas

Só amanhã de manhã”

4 – Samba do Arnesto – Demônios da Garoa (Adoniran Barbosa e Alocin)

“O Arnesto nos convidô

Pr’um samba

Ele mora no Brás

Nós fumos

Não encontremos ninguém

Nóis vortemos

Cuma baita duma reiva

Da outra vez

Nós num vai mais

Nós num semos tatu!…”

5 – Viaduto Santa Efigênia – Adoniran Barbosa (Adoniran Barbosa e Alocin)

“Venha ver
Venha ver eugênia
Como ficou bonito
O viaduto santa efigênia
Venha ver

Foi aqui,
Que você nasceu
Foi aqui,
Que você cresceu
Foi aqui que você conheceu
O seu primeiro amor”

6 – Saudosa Maloca – Demônios da Garoa (Adoniran Barbosa)

“Se o senhor não tá lembrado
Dá licença de contar
Que aqui onde agora está
Este adifício arto
Era uma casa véia, um palacete assobradado

Foi aqui seu moço
Que eu, Mato Grosso e o Joca
Construímos nossa maloca”

7 – Uma Outra Beleza – Jair Oliveira

“Tanta coisa acontece em meu coração

Coisas boas que a cidade revela

Para os olhos desses muitos cidadãos

Lugar que também nunca dorme

Onde eu quero acordar

Cidade que sempre acolhe quem chega

De outro canto, de qualquer outro lugar

São Paulo é um conjunto de vidas

Memórias pra se guardar”

8 – São São Paulo – Tom Zé

“São, São Paulo
Quanta dor
São, São Paulo
Meu amor

São oito milhões de habitantes
De todo canto e nação
Que se agridem cortesmente
Correndo a todo vapor
E amando com todo ódio
Se odeiam com todo amor”

9 – Sampa Midnight – Itamar Assumpção

“Sampa midnight
Eu assessorado de mais dois chegados
Bartolomeu, Ptolomeu
Partimos pra comemorar
Não lembro o que numa boa boite

Escabrosa noite
Deu blackout na Paulista
Breu no Trianon
Cadê o vão do museu? Sumiu
Meu Deus do céu
Que escuridão!”

10 – Não Existe Amor em SP – Criolo

“Não existe amor em SP

Veja também:

Um labirinto místico

Onde os grafites gritam

Não dá pra descrever

Numa linda frase

De um postal tão doce

Cuidado com doce

São Paulo é um buquê

Buquês são flores mortas

Num lindo arranjo

Arranjo lindo, feito pra você”

11 – As Minas de Sampa – Rita Lee

“As mina de Sampa são branquelas que só elas
Pudera!
Praia de paulista é o Ibirapuera

As mina de Sampa querem grana, um cara bacana
De poder!
Um jeito americanês de sobreviver

As mina de Sampa são modernas, eternas dondocas!
Mas pra sambar no pé tem que nascer carioca”

12 – Augusta, Angélica e Consolação – Tom Zé

“Augusta, graças a Deus
Graças a Deus
Entre você e a Angélica
Eu encontrei a Consolação
Que veio olhar por mim
E me deu a mão

13 – Grajauex – Criolo

“The Grajauex
Duas laje é triplex
No morro os moleques, o vapor

Pros irmão que tão com fome desce três marmitex
Sabão de côco não é bom quanto Protex
No almoço o Sodex, meu advogado é o Alex
E se jogo do bicho é contravenção, Mega Sena é ilusão pra colar com durex”

14 – São Paulo – Mallu Magalhães

“Sou gata da vida, eu venho do mato

Da selva de pedra, São Paulo

Você que me ature e não há quem segure

A coragem dos meu vinte e quatro

Quem sabe é o sabiá

Praça da Sé, laço de fita

Passei e passará

Bolo e café, só dois e trinta”

15 – Mais Um Dia Cinza em São Paulo – Zeca Baleiro

“Mais um dia cinza em São Paulo

Você telefona e ai, como é?

Vamos ao cinema ou quem sabe a galeria

Há uma peça, um show, um teatro qualquer

Você só me chama pra programa

Culturais e eu quero mais

É viver a vida

Como a vida é!”

16 – Freguês da Meia Noite – Criolo 

“Meia Noite
Em pleno Largo do Arouche
Em frente ao Mercado das Flores
Há um restaurante francês
E lá te esperei”

17 – Lá Vou Eu – Rita Lee

“As luzes da cidade

Não chegam nas estrelas

Sem antes me buscar

E na medida do impossível

Tá dando pra se viver

Na cidade de São Paulo

O amor é imprevisível como você

E eu

E o céu”

18 – São Paulo – Terno Rei

“Onde é que vou agora que você se foi?
Me perdi, acho que estou aqui em São Paulo
Onde a chuva cai a tarde
E os carros se debatem

Oh, São Paulo!
E a gentil hostilidade
Eu vejo sempre dois lados”

19 – São Paulo, 2015  – Jão

“São Paulo é um mundo tão triste, tão linda

Deu tudo que eu tenho, tirou o que eu tinha

Eu fujo de mim, me encontro na saída

Mas vou me acostumar”

20 – São Paulo – Otto (Apollo e Pupilo)

21 – São Paulo – Supla

“Em São Paulo onde eu nasci

Eu não queria sair daqui

Eu saí fora só pra dar um tempo

Não te esqueci por nenhum momento

Do centro de São Paulo à periferia

Dar um rolê com os amigos era tudo que eu queria

Pra violência peço clemência

E para o trânsito paciência”

22 – Isto é São Paulo – Demônios da Garoa (Kazinho)

“Túnel Nove de Julho, Elevado Costa e Silva
Ibirapuera, Parque Anhembi
Corrida São Silvestre, Estádio Morumbi
E as estradas pra rodar

Isto é São Paulo, meu Brasil”

23 – Persigo São Paulo – Itamar Assumpção

“Não, não, não, não, não.

São paulo é outra coisa

Não é exatamente amor

É identificação absoluta

Sou eu”

24 – São Paulo SP – Fernanda Abreu

“São Paulo – SP
Sangue Amor e Poder

Cidade, santidade urbana
intensidade humana
dispersão -concentração
de tudo que se anula reforçando a afirmação de vida-ebulição”

25 – São Paulo/Fim Do Dia – Jair Oliveira

“São Paulo fim do dia
Portas que se fecham
Luzes que se acendem
Mãos que se despedem
Olhares que prometem
Coisas que acontecem
Porque tem que acontecer

Gente buscando casa
Gente buscando gente”

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