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Tradutores de Libras “penam” em meio ao baixo nível dos debates políticos em SP
Tradutores de Libras “penam” em meio ao baixo nível dos debates políticos em SP
Agressões físicas e verbais são um desafio extra para os intérpretes que precisam passar o recado dos políticos à população surda no período eleitoral
Aquela frase “seria cômico se não fosse trágico” nunca fez tanto sentido na política brasileira e, mais precisamente, na paulistana. Os tradutores de Libras que o digam.
A eleição de 2024 já está marcada na história como aquela com o mais baixo nível entre os candidatos que disputam a vaga de prefeito da maior cidade do país. Cadeiras voando à parte, sobram xingamentos, apelidos jocosos e muito bate-boca a cada encontro dos políticos em debates.
Em meio a esse cenário em que todo mundo sai perdendo, principalmente o eleitor, estão os tradutores de Libras, a Língua Brasileira de Sinais. Essa linguagem é importante para dar acesso à população surda aos principais planos dos candidatos. Tá certo, faltam planos e sobra baixaria. E, muitas vezes, os tradutores acabam virando meme em meio a tudo isso.
Que situação
No episódio da cadeirada do José Datena contra o Pablo Marçal na TV Cultura, a intérprete de Libras ficou paralisada diante daquela situação, demorou pra cair a ficha que aquilo realmente estava acontecendo.
Nesta terça-feira (17), na Rede TV, a tradutora Karina Zonzini também “penou” para conseguir acompanhar o bate-boca entre Ricardo Nunes e Marçal, que teve de ser contido pela mediadora Amanda Klein. Logo depois do debate, Karina conversou com a reportagem da Novabrasil e contou os “perrengues” desta eleição para os profissionais.
“Eu achava antes que o nosso maior desafio era traduzir pro surdo termos como PLs – projetos de lei – PECs etc. Mas tô vendo que não, a situação piorou. Como eu faço pra sinalizar para o surdo apelidos como bananinha, bonequinho do PCC de forma pejorativa? Tudo isso torna o nosso trabalho muito mais desafiador”, conta Karina, que tem seis anos de experiência em debates eleitorais.
Confira aqui a entrevista com a Karina Zonzini:
Memes
Normalmente, durante os debates, os tradutores se alternam a cada 20 minutos por causa do grande desgaste físico e mental. Segundo o IBGE, cerca de 10 milhões de brasileiros têm algum grau de deficiência auditiva, o que representa 5% da população. Destes, quase 3 milhões são surdos profundos ou escutam com muita dificuldade. É justamente esse público que precisa com mais frequência da tradução em Libras para formar a opinião e escolher o melhor candidato. “A gente vira alvo de meme, eu tenho vários meus rodando por aí. É um pouco triste, mas também é divertido”, divide Karina.



