Folclore brasileiro: lendas, crenças e mitos da cultura do nosso povo

Fabiane Pereira
10:00 13.09.2024
Arte e cultura

Folclore brasileiro: lendas, crenças e mitos da cultura do nosso povo

Saci-Pererê, Cuca, O Boto Cor De Rosa e A Mula Sem Cabeça são mitos folclóricos que atravessam gerações nas cidades brasileira; confira nosso especial

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- 13.09.2024 - 10:00
Folclore brasileiro: lendas, crenças e mitos da cultura do nosso povo
Adivinhas do Folclore. Crédito: Murilo Silva.

Quando falamos em folclore brasileiro, falamos em um conjunto de mitos, crenças, histórias populares, lendas, tradições e costumes que são transmitidos de geração em geração e integram a cultura popular brasileira. As manifestações folclóricas ajudam a ler a história e caracterizam a cultura do nosso povo.

Sabemos que o Brasil é um país continental e com diversas assimetrias. Logo, pela amplitude territorial e pela mistura de povos durante a fase de colonização (principalmente os povos originários – indígenas -, africanos e portugueses), o Brasil tem um folclore rico e diversificado, que pode se manifestar em música, dança, festas e de outras formas. Pertencem também ao folclore, a religiosidade popular, a linguagem e a culinária típicas de uma região, a medicina popular e o artesanato. 

O folclore faz parte de riqueza cultural de um povo, por isso está inserido no patrimônio cultural. A Unesco (organização das Nações Unidas para assuntos relacionados à educação, à ciência e à cultura) define patrimônio cultural imaterial como “as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas junto com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados e que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural”. 

O patrimônio imaterial é transmitido de geração em geração, mantido e recriado pelas comunidades e grupos em função de sua interação com o meio em que vivem e com a sociedade. 

Lendas Folclóricas

O que temos de mais popular no folclore são suas lendas. Cada região do Brasil tem a sua e elas representam o conjunto de estórias e contos narrados pelo povo e transmitidas de geração em geração por meio da oralidade.

Conheça as principais lendas e personagens do folclore brasileiro:

Saci-pererê

Nome de origem tupi-guarani, o Saci-pererê é uma das lendas brasileiras mais conhecidas. É representada por um menino negro que possui uma perna só. Além disso, fuma cachimbo e usa uma carapuça vermelha que lhe dá poderes mágicos.

Muito brincalhão e travesso, o Saci surge como um redemoinho e gosta de assustar pessoas. Embora o Saci-pererê seja o mais conhecido, existem três tipos de saci: O Pererê, o Trique e o Saçurá.

Arte de Janio Garcia. (Divulgação)

De acordo com as estórias, as suas principais travessuras são fazer tranças no rabo dos animais durante a noite, esconder objetos, assobiar de maneira muito estridente para assustar os viajantes, trocar o recipiente de sal pelo de açúcar e distrair as cozinheiras para elas queimarem a comida. O Saci é o guardião das ervas e das plantas medicinais, por isso, confunde as pessoas que tentam pegá-las sem autorização. Ele conhece as técnicas de preparo e sabe como utilizar as plantas para fins medicinais.

A lenda garante que para capturar o Saci-pererê, a pessoa deve arremessar uma peneira nos redemoinhos de vento. Dessa maneira, após capturá-lo, é necessário retirar-lhe o gorro para prendê-lo em uma garrafa.

Acredita-se que o Saci nasceu do broto de bambu, permanecendo ali até os sete anos e, após esse período, vive mais setenta e sete praticando suas travessuras entre os humanos e os animais. Por fim, ao morrer, o Saci torna-se um cogumelo venenoso.

A lenda do Saci-pererê existe desde fins dos tempos coloniais e tem origem nas tribos indígenas do sul do Brasil.

O termo “Saci” vem do termo tupi sa’si, que está relacionado a um pássaro, que é conhecido pelos nomes “Saci”, “Matimpererê” ou “Martim-pererê” (em tupi: matintape’re).

Inicialmente, o Saci era retratado como um personagem negro e endiabrado, que possuía duas pernas e um rabo.

A partir da influência africana, ele perde a perna lutando capoeira e adquire o hábito de fumar o pito, ou seja, o cachimbo. O gorrinho vermelho do Saci-pererê, por sua vez, advém do folclore do norte de Portugal. Era utilizado pelo lendário Trasgo, que possuía poderes sobrenaturais.

A lenda é contada em todas as regiões brasileiras e, por isso, a estória modifica-se conforme o local. Em alguns lugares, ele possui nomes diferentes como: Saci-Cererê, Matimpererê, Matita Perê, Saci-Saçurá e Saci-Trique.

Curupira

O Curupira é um personagem descrito como um anão forte e ágil de cabelos ruivos que possui os pés virados para trás. Assim, ao caminhar, o Curupira consegue enganar alguém que pretenda segui-lo olhando para suas pegadas. O perseguidor pensará sempre que ele foi na direção contrária.

A lenda afirma que o Curupira vive na mata fazendo travessuras, sendo considerado o protetor das florestas. Conhecido também como “demônio da floresta”, essa criatura assobia e utiliza falsos sinais.

Arte de FabianoCabral.com. (Divulgação)

Esse personagem folclórico, que adora fumar e beber pinga, não gosta de locais muito habitados e, por esse motivo, prefere viver nas florestas. Uma outra característica e, talvez o ponto fraco do Curupira, é a sua curiosidade. Assim, a lenda adverte que para escapar de suas armadilhas, a pessoa deve fazer um novelo com cipó e esconder bem a ponta. Muito curioso, ele fica entretido com o novelo e a pessoa consegue fugir. Até os dias atuais, para que não sejam incomodados pelo Curupira, muitos caçadores e lenhadores costumam oferecer-lhe pinga e fumo quando chegam à floresta.

Há controvérsias sobre a data de criação da lenda do Curupira. Contudo, o padre jesuíta espanhol José de Anchieta (1534-1597) escreveu sobre o personagem no século XVI, denominando-o como “demônio que acometem os índios”.

Mula sem cabeça

mula sem cabeça conta a história de uma burrinha de cor preta ou marrom, que em lugar da cabeça tem uma tocha de fogo. A burrinha possui ferraduras de aço ou prata e relincha tão alto que se ouve a muitos metros de distância. Também é comum ouvir o animal soluçando como um ser humano.

Diz-se que a mula costuma correr pelas matas e campos assustando pessoas e animais. Existem diferentes versões de história da mula sem cabeça. Em uma delas, conta-se que, se uma mulher dormisse com o namorado antes do casamento, ela poderia ser enfeitiçada e virar uma mula sem cabeça.

Arte de Kerol. (Divulgação)

Essa versão estava ligada às tradições das famílias que buscavam o controle dos relacionamentos amorosos de suas filhas. Era uma forma de mantê-las nos padrões morais da época.

Uma outra versão da lenda afirma que toda mulher que mantivesse ligações amorosas com um padre, seria castigada e transformada em mula sem cabeça.

De cunho moral e religioso, essa lenda tinha como objetivo intimidar as mulheres que cogitavam manter um relacionamento amoroso com os sacerdotes da Igreja Católica.

A lenda da mula sem cabeça não é uma história originalmente brasileira. Provavelmente, ela teve sua origem nos povos da Península Ibérica e foi trazida para a América pelos portugueses e espanhóis.

No Brasil, a lenda se espalhou pela área rural, pela zona canavieira do Nordeste e pelo interior do Sudeste do país.

No folclore mexicano, a lenda da mula sem cabeça é conhecida como Malora. Na Argentina, ficou conhecida com o nome de Almamula, podendo também ser chamada de Mula Ánima, Tatá Cuñá ou Mula Frailera.

Por aqui, a mula sem cabeça já apareceu, várias vezes, em histórias infantis. No livro Histórias de Tia Anastácia, o escritor Monteiro Lobato faz referência à mula sem cabeça e a diversas outras figuras do folclore brasileiro como, por exemplo, Saci Pererê, Curupira, Iara, Boitatá, Cuca e Lobisomem.

Assim como a mula, essas figuras do folclore também fizeram parte de vários episódios do Sítio do Pica-pau Amarelo, série de literatura fantástica também escrita por Monteiro Lobato, que foi adaptada para a televisão.

Lobisomem

O lobisomem é a história popular de um homem normal que se transforma em uma criatura com características de homem e de lobo. A transformação acontece em todas as noites de lua cheia e acaba quando o dia amanhece.

Essa lenda do folclore tem várias versões. Algumas dizem que o homem que se transforma em lobisomem recebeu essa maldição por castigo, enquanto outras dizem que ele é sempre o sétimo ou oitavo filho de um casal. Há crenças em que o lobisomem corresponde ao sétimo filho de um casal, cujos filhos anteriores sejam todas mulheres. Quando isso acontece, acredita-se que o menino se tornará um lobisomem a partir dos 13 anos.

Arte de Amaro Francisco. (Divulgação)

Outras da lenda dizem que o lobisomem prefere raptar bebês não batizados e, por isso, muitas famílias batizam suas crianças rapidamente. Por essa perspectiva, se a criança não for batizada, está propensa a virar um lobisomem.

De acordo com a lenda, para combater o lobisomem, o indivíduo deve atingi-lo com objetos e balas feitos de prata ou de fogo.

A origem da lenda do lobisomem é europeia e provavelmente se disseminou a partir do século XVI. Entretanto, ela aparece em alguns mitos gregos, como em Licaão e Damarco.

Até hoje, a figura dessa criatura feroz e imbatível, gera muito medo nas pessoas, principalmente as que vivem em áreas rurais e distantes da cidade. Mas o lobisomem não existe de verdade, é uma crença popular, obviamente.

A figura do lobisomem está muito presente no folclore brasileiro e latino-americano, mas dependendo da região do país, a lenda pode sofrer alterações.

Boitatá

Arte em Pintura Solidaria. (Divulgação)

O Boitatá, protetor das florestas, é um personagem do nosso folclore que é descrita como uma grande serpente de fogo. Ele protege os animais e as matas das pessoas que lhe fazem mal e, principalmente, que realizam queimadas nas florestas.

Na narrativa folclórica, essa serpente pode se transformar num tronco em chamas, com o intuito de enganar e queimar os invasores e destruidores das matas. Acredita-se que a pessoa que olhar o Boitatá torna-se cega e louca.

A lenda do Boitatá é de origem indígena, e a palavra Boitatá, na língua Tupi-Guarani, significa cobra (boi) de fogo (tata).

Apesar de ser oriunda da língua indígena, a lenda do Boitatá encontra-se num texto do século XVI do Padre Jesuíta José de Anchieta.

Vale lembrar que José de Anchieta baseou-se nos relatos dos indígenas para compor seu texto:

Há também outros (fantasmas), máxime nas praias, que vivem a maior parte do tempo junto do mar e dos rios, e são chamados “baetatá”, que quer dizer cousa de fogo, o que é o mesmo como se se dissesse o que é todo de fogo. Não se vê outra cousa senão um facho cintilante correndo para ali; acomete rapidamente os índios e mata-os, como os curupiras; o que seja isto, ainda não se sabe com certeza.” (In: Cartas, Informações, Fragmentos Históricos, etc. do Padre José de Anchieta, Rio de Janeiro, 1933)

A lenda do Boitatá sofreu muitas modificações ao longo do tempo e, portanto, reúne diversas versões. Assim, dependendo da região do Brasil, o nome do personagem pode variar: Baitatá, Biatatá, Bitatá e Batatão.

Numa das versões da lenda, uma grande cobra vivia adormecida num imenso tronco e ao despertar, faminta, resolveu comer os olhos dos animais.

Cada vez mais, ela emitia uma grande e intensa luz, tornando-se uma cobra de fogo. Ao proteger a floresta, ela assustava as pessoas que iam às matas durante à noite.

No norte e nordeste do Brasil, a imensa cobra de fogo vive nos rios, e sai no momento em que há invasores nas florestas para queimá-los. Segundo alguns nordestinos, o boitatá, conhecido como “Alma dos Compadres e das Comadres”, representa as almas penadas malignas que passam queimando tudo.

Já no sul do país, a versão que prevaleceu advém da história bíblica do Dilúvio. Nela, muitos animais morreram, e as cobras que sobreviveram tiveram como castigo o fogo.

Veja também:

O Boto cor de rosa

Arte de Bianca Duarte. (Divulgação)

O Boto cor-de-rosa, ou simplesmente o Boto, é uma lenda de origem indígena que surgiu na região amazônica, Norte do Brasil. Reza a lenda que o boto é um rapaz elegante que costuma aparecer nas comemorações dos santos populares (Santo Antônio, São João e São Pedro), as chamadas Festas Juninas.

Ele vai à festa vestido de branco e usando um chapéu, a fim de esconder o buraquinho que o boto tem no alto da cabeça para respirar.

Lá, ele conquista uma moça bonita e a leva para o fundo do mar, a engravida e nunca mais volta a vê-la. A lenda do Boto é utilizada muitas vezes para justificar uma gravidez fora do casamento, sendo costume dizer que “a criança é filho do boto” quando é filha de pai desconhecido. Ou então esconde abusos sofridos por mulheres na própria casa.

Com direção de Walter Lima Jr., a Lenda do Boto inspirou o filme “Ele, o Boto” (1987).

Cuca

A Cuca, de 1924, Tarsila do Amaral. (Divulgação)

A Cuca é uma espécie de bruxa velha com aparência assustadora que possui cabeça de jacaré e unhas imensas. Dona de uma voz assustadora, a Cuca rapta as crianças desobedientes. Reza a lenda que a Cuca dorme uma vez a cada sete anos. Por isso, os pais tentam convencer as crianças a dormirem nas horas corretas, pois, do contrário, serão levadas pela Cuca.

Acredita-se que a lenda da Cuca tenha origem no folclore galego-português baseada na criatura “Coca”, que significa “crânio, cabeça”. A “Coca” é um fantasma ou um dragão comedor de crianças desobedientes que fica à espreita nos telhados das casas, e as rapta depois de fazerem alguma malcriação.

No Brasil, a figura da Cuca se popularizou muito graças à descrição feita por Monteiro Lobato (1882-1948) na obra “Sítio do Pica Pau Amarelo”, transmitida pela Globo. Nessa versão televisiva, a Cuca é um jacaré com cabelos amarelos e que vive numa caverna, onde faz poções mágicas. Interessante notar que nesse contexto, ela colabora com o Saci-pererê, um dos personagens mais emblemáticos do folclore brasileiro.

Uma das mais conhecidas cantigas de ninar promove a presença desse ser mitológico e malvado. Muitas vezes, a Cuca é confundida com o Bicho-papão. Isso porque ambos possuem o mesmo propósito educativo:

Nana neném

Nana neném que a Cuca vem pegar,
papai foi pra roça, mamãe foi trabalhar.
Bicho-papão, saia do telhado,
deixe a/o (nome da criança) dormir sossegada/o

Além desta, o compositor e cantor Dorival Caymmi (1914-2008) fez uma canção inspirada nessa personagem do folclore:

A Cuca Te Pega (trechos)

Cuidado com a Cuca que a Cuca te pega
E pega daqui e pega de lá
Cuidado com a Cuca que a Cuca te pega
E pega daqui e pega de lá

A Cuca á malvada e se fica irritada
A Cuca é zangada, cuidado com ela
A Cuca é matreira e se fica zangada
A Cuca é danada, cuidado com ela

A Cuca é tão popular que até a artista brasileira modernista Tarsila do Amaral (1886-1973) produziu em 1924 uma obra baseada nessa personagem. Atualmente, ela está exposta no Museu de Grenoble, na França.

Negrinho do Pastoreio

Personagem folclórico muito conhecido na região sul do país, o Negrinho do Pastoreiro tem origem africana e cristã e sua lenda surgiu provavelmente no século XIX. Segundo a estória contada de geração em geração, ainda no tempo da escravidão no Brasil, essa personagem foi um pequeno escravo que sofreu muito com os maus tratos de um fazendeiro.

Num determinado dia, o senhor pediu-lhe que cuidasse de alguns cavalos, porém um deles acabou fugindo. Quando retornou, seu dono sentiu falta do cavalo e, com isso, resolveu castigar o negrinho.

Após sair em busca do cavalo perdido, o negrinho chega a encontrá-lo, porém, não conseguiu capturá-lo.

Dessa maneira, o senhor resolve castigar o garoto com muitas chibatadas e, além disso, lança-o num formigueiro. Perto da morte, o fazendeiro resolve deixar o garoto ali no formigueiro, certo de que já estava morto.

No dia seguinte, o próprio fazendeiro se depara com o garoto e fica perplexo, pois a criança não apresentava nenhum ferimento no corpo.

Além disso, ele estava montado no cavalo perdido, e ao seu lado, estava a Virgem Maria, padroeira do garoto órfão. Muito arrependido, o fazendeiro resolve pedir perdão, todavia, o negrinho sai galopando feliz e livre no cavalo baio.

Numa outra versão da lenda, o fazendeiro foi avisado por seu filho sádico que o negrinho, responsável por cuidar de 30 cavalos, deixou um deles fugir. Isso porque ele estava muito cansado e decidiu dormir.

Ao acordar, o pequeno escravizado sentiu falta do cavalo, porém, o fazendeiro já sabia do ocorrido e resolveu castigar o negrinho.

Atualmente, na região sul do país, acredita-se que se algum objeto está perdido, o Negrinho do Pastoreio pode ajudar a encontrá-lo. Basta acender uma vela perto de um formigueiro e pedir com muita fé que objeto reaparecerá.

O filme “O Negrinho do Pastoreio” (1973), dirigido por Antônio Augusto da Silva Fagundes, é um drama baseado na obra “Lendas do Sul” de Simões Lopes Neto.

Iara

Arte de Janio Garcia. (Divulgação)

A Iara, também é conhecida como Mãe d’água, é uma lenda folclórica de origem indígena, oriunda da região amazônica. Apesar de ser originária dessa região, a Iara é conhecida em todo Brasil. Iara ou Yara, do indígena Iuara, significa “aquela que mora nas águas”, é uma sereia (metade mulher, metade peixe) que vive nas águas amazônicas. Muitas vezes, a figura de Iara é confundida com o orixá africano Iemanjá, a rainha do mar.

Com longos cabelos pretos e olhos castanhos, a sereia Iara emite uma melodia que atrai os homens, os quais ficam rendidos e hipnotizados com seu canto e sua voz doce.

Dependendo da região brasileira, a representação da personagem pode diferir, por exemplo, na cor dos olhos e dos seus cabelos, que ora são escuros, ora são claros.

De acordo com a lenda, Iara era uma corajosa guerreira dona de uma beleza invejável. Por esse motivo, os irmãos sentiam inveja dela e resolvem matá-la. Mas no momento do combate, pelo fato de possuir habilidades guerreiras, Iara consegue inverter a situação e acaba matando seus irmãos. Com medo da punição de seu pai, o pajé da tribo, Iara resolve fugir, mas seu pai consegue encontrá-la. Como castigo pela morte dos irmãos, ele resolve lançá-la ao rio.

Os peixes do rio resolvem salvar a bela jovem transformando-a na sereia Iara. Desde então, Iara habita os rios amazônicos conquistando homens e depois levando-os ao fundo do rio, os quais morrem afogados. Acredita-se que se o homem consegue escapar dos encantos de Iara ele fica louco, num estado de torpor e somente um pajé poderá curá-lo.

Caipora

Arte de Edson Ike. (Divulgação)

Semelhante ao Curupira, a Caipora é outra entidade protetora das florestas. Ela é descrita como uma pequena criatura de aparência selvagem, com um corpo coberto de pelos e um comportamento astuto.

A Caipora também usa um cavalo para se locomover e é conhecida por pregar peças em caçadores e lenhadores que não respeitam a natureza. A Caipora simboliza a proteção e o respeito pelos recursos naturais.

Jurema

Arte de luanode_art. (Divulgação)

A Jurema é uma figura mítica de algumas tradições afro-brasileiras. Ela é frequentemente associada a uma entidade feminina que possui poderes mágicos e é ligada à natureza e à espiritualidade.

Jurema pode ser vista como uma força que protege a comunidade e a natureza, e suas histórias estão frequentemente relacionadas ao uso de plantas e ervas para curas e ritual

Mãe do Ouro: A Guardiã das Riquezas

Arte de elchavoman. (Divulgação)

A Mãe do Ouro é uma figura lendária que vive em cavernas e minas de ouro. Ela é frequentemente descrita como uma mulher idosa e sábia, que possui grandes riquezas e oferece tesouros àqueles que a respeitam e a tratam com honra.

No entanto, se alguém tentar roubar ou desrespeitar seus domínios, a Mãe do Ouro pode se tornar vingativa e amaldiçoar os infratores. Sua história reflete a ideia de que a riqueza deve ser buscada e tratada com responsabilidade e respeito.

Cobra Grande: A Serpente Enorme

Imagem: Reprodução Portal Amazonia. (Divulgação)

A Cobra Grande, também conhecida como a Serpente Gigante, é uma criatura mítica que habita rios e lagos na região amazônica.

A lenda descreve uma serpente colossal que tem o poder de provocar enchentes e desastres naturais.

Ela é temida e respeitada pelos habitantes locais, que acreditam que a Cobra Grande é responsável por proteger as águas e os ecossistemas aquáticos.

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