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Responsabilidade dos prédios inclinados de Santos só será do poder público quando houver risco de colapso
Responsabilidade dos prédios inclinados de Santos só será do poder público quando houver risco de colapso
Engenheiro civil Paulo Pimenta explica que os custos para reaprumar os edifícios são dos condomínios; moradores criaram associação para buscar soluções
Moradores de Santos, cidade do Litoral Sul de São Paulo, criaram uma associação para enfrentar um grave problema de inclinação nos prédios do município. De acordo com estudos realizados pelos moradores, pouco mais de 300 prédios da região sofrem uma inclinação de 1 cm a 1,5 cm por ano, há décadas. Não é possível calcular em quanto tempo um edifício pode colapsar, mas os custos para reaprumá-los gira em tornos dos R$ 20 milhões e o as obras durariam aproximadamente um ano.
Diante da complexidade do problema, a Novabrasil escutou o engenheiro civil Paulo de Mattos Pimenta, durante o Jornal Novabrasil, na manhã desta quinta-feira (29). Ele explicou que o principal motivo está no terreno em que os prédios foram erguidos. A maioria foi construída na década de 1960 e 1970, “em uma fundação direta sobre uma camada de areia de mais ou menos 10 metros de espessura, mas abaixo dela existe também uma camada, de quase 50 metros, de argila muito mole. Então, a tendência de que qualquer coisa construída acima dessa areia recalque”, explica.
Aprumar é possível e, embora seja uma obra cara e de grande responsabilidade, “cada caso é um caso. A gente precisa estudar um a um’. Enquanto os prédios se inclinam lentamente, sem oferecer riscos à população, a responsabilidade de resolver a situação é individual de cada condomínio, “mas, assim que o prédio entra numa situação crítica o problema se torna também da cidade”, afirma Pimenta.
Os 319 prédios inclinados de Santos somam cerca de 23 mil unidades habitacionais. Deles, 65 exigem mais atenção, com inclinação lateral de 50 centímetros ou mais. Cortes de pilares, uso de macacos hidráulicos para aprumar os edifícios e evacuação dos apartamentos durante o dia com retorno à noite estão entre as ações necessárias, caso sejam iniciadas as obras.

