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Carlinhos Brown fala sobre a importância de Gal Costa
Carlinhos Brown fala sobre a importância de Gal Costa
Por aqui, na Novabrasil, ainda estamos de luto. Na quarta-feira (09), perdemos uma das maiores vozes da música brasileira, a eterna musa Gal Costa, aos 77 anos. Gal deixou um verdadeiro legado que continuará a reverberá por gerações. Para falar sobre sua tamanha importância, conversamos, com exclusividade, com seu conterrâneo Carlinhos Brown. Carlinhos Brown: Gal … Continued
Por aqui, na Novabrasil, ainda estamos de luto. Na quarta-feira (09), perdemos uma das maiores vozes da música brasileira, a eterna musa Gal Costa, aos 77 anos. Gal deixou um verdadeiro legado que continuará a reverberá por gerações. Para falar sobre sua tamanha importância, conversamos, com exclusividade, com seu conterrâneo Carlinhos Brown.
Carlinhos Brown: Gal Costa é, pra mim e para sempre, a orientadora e curadora da música do Brasil
Em conversa com a jornalista Fabiane Pereira, diretamente de Salvador – Bahia, o cantor, compositor e Multi-instrumentista Carlinhos Brown falou, com muito carinho, sobre Gal, a quem chamou de “a orientadora e curadora da música do Brasil”.
Seus ouvidos e seus olhares atentos sempre apontaram para o novo. E o novo para ela é também reverenciar os grandes clássicos que são os nossos grandes ídolos e professores, onde ela emprestou seu talento e sua voz para fazer do tempo uma vivência de todos.
Veja o depoimento completo:
Gal Costa: De Salvador para o coração de todo um Brasil
Gracinha
Baiana de Salvador, Gal Costa aprendeu a tocar violão ainda criança e, em 1959, quando ouviu pela primeira vez o cantor João Gilberto cantando Chega de Saudade no rádio, teve ainda mais certeza do que queria fazer da vida: cantar. João foi uma das maiores influências de Gal, que depois conheceu e se aproximou do ídolo, que a chamou de “a maior cantora do Brasil” na primeira vez que a ouvir cantar.
Maria da Graça Costa Penna Burgos começou a carreira em 1964, ainda usando o nome artístico Gracinha, ao lado de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Tom Zé, no show Nós, Por exemplo, que inaugurou o Teatro Vila Velha, de Salvador.
Domingo, seu primeiro EP
Em 1967, Gal lançou o seu primeiro LP: Domingo, ao lado de seu amigo e parceiro de toda uma vida – Caetano Veloso – que também estreava em seu primeiro disco. Deste álbum, destaca-se a canção Coração Vagabundo, de Caetano. Gal Costa foi uma das maiores intérpretes de Caetano Veloso da história.
Nesta mesma época, Gal iniciou – junto com outros grandes nomes da música popular brasileira como Caetano, Gil, Torquato Neto, Rogério Duprat, Capinan, Tom Zé, e Os Mutantes – o Movimento Tropicalista: movimento de contracultura, que transcende tudo o que já havia em termos de produção artística no Brasil.
Gal, a Musa da Tropicália
A partir desse momento, Gal passa a sentir a necessidade de desbravar novos territórios que não somente o canto suave da bossa nova. Queria expressar a sua arte e o que sentia de uma forma mais agressiva, mais experimental, mais revolucionária, com influências do que vinha escutando de fora do país, como a voz rasgada de Janis Joplin, que foi uma grande inspiração para Gal Costa.
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Ainda em 1968, ela participa do IV Festival de MPB da Record, defendendo – em tempos de repressão sofrida pela ditadura militar no Brasil – a canção grito de liberdade Divino Maravilhoso, de Caetano Veloso e Gilberto Gil. Esta apresentação representou um marco na transição de postura e na estética artística de Gal.
Falando em ditadura militar, quando o movimento Tropicalista sofreu forte censura e perseguição e seus líderes Caetano e Gil foram presos e, depois, obrigados a se exilar em Londres, de 1969 a 1972, Gal tornou-se, – quase que forçadamente – um símbolo de resistência artística no Brasil, sendo responsável por manter acesa a chama do Tropicalismo no país e tornando-se a sua maior representante, passando a ser conhecida como Musa da Tropicália e da “geração do Desbunde”.
Fa-Tal, Gal (sempre) a todo Vapor
Em 1969, a cantora lançou seu primeiro álbum solo, e – a partir daí – passou a lançar – um em seguida do outro – álbuns inesquecíveis, transgressores e revolucionários, como o antológico LP duplo Fa-tal: Gal a todo o Vapor; o disco Índia; o encontro inesquecível com os Doces Bárbaros (em parceria com os amigos Gil, Caetano e Bethânia, em 76); Gal Tropical; Estratosférica, e tantos outros…
Gal Costa gravou a maioria dos grandes compositores da nossa música como Caetano, Gil, Jorge Ben Jor, Erasmo e Roberto, Jards Macalé, Waly Salomão, Luiz Melodia (que era um de seus compositores favoritos e a quem Gal ajudou a lançar), Chico Buarque, Dorival Caymmi, Milton Nascimento, Moraes Moreira e Djavan.
Grandes clássicos na sua voz são:
- Vapor Barato;
- Balancê;
- Chuva de Prata;
- Aquarela do Brasil;
- Vaca Profana;
- Festa do Interior;
- Barato Total;
- Sua Estupidez;
- Folhetim;
- Quando Você Olha Pra Ela;
- e tantos, tantos, tantos outros.
Viva Gal Costa!


