Augusto Cury defende “pacto nacional” e semipresidencialismo em sabatina da Novabrasil

Maria Eduarda Grill
11:38 22.07.2026
Jornalismo

Augusto Cury defende “pacto nacional” e semipresidencialismo em sabatina da Novabrasil

O candidato propõe fim do mandato vitalício no STF e diz que aceitaria conversar com Michelle Bolsonaro sobre "dores", não sobre política

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- 22.07.2026 - 11:38
Augusto Cury defende “pacto nacional” e semipresidencialismo em sabatina da Novabrasil
Novabrasil entrevista Augusto Cury, pré-candidato à Presidência. Foto: Youtube Jornal Novabrasil

O pré-candidato à presidência Augusto Cury participou nesta quarta-feira (22) da sabatina do jornalismo da Novabrasil. Psiquiatra e escritor filiado ao Avante, ele defendeu um “Pacto Nacional” com os três poderes e criticou a concentração do poder político em famílias tradicionais.

Cury reconheceu não ter experiência em cargos eletivos. Ele apontou, porém, sua trajetória como gestor de empresas em setores como energia renovável, terras raras e biotecnologia. “Eu não tenho experiência dessa política tradicional que adoeceu o país”, afirmou.

Sobre a polarização atual, o psiquiatra foi direto. “Atualmente o Brasil está tão polarizado, tão radicalmente doente, que se escolhe pela exclusão. O menos pior”, disse. Em seguida, ele descreveu o efeito da polarização sobre o eleitor. “Os piores inimigos de Trump são os trumpistas, de Marx são os marxistas, de Bolsonaro os bolsonaristas e de Lula os lulistas”, declarou.

Ao definir sua própria posição no espectro político, recusou o rótulo de centrista. “Para mim é muito mais do que centro, é ponte. Eu me coloco como ponte nesse processo”, afirmou. Ele descreveu essa posição como um equilíbrio entre economia e proteção social. “Tenho uma mente que valoriza todos os aspectos do capitalismo mais saudável, liberdade de imprensa, um país responsável fiscalmente, um país que valoriza o empreendedorismo, juros muito mais baixos, preservação da família, mas ao mesmo tempo não há dúvida que cuidar também do social é importante”, afirmou.

Ele atribuiu essa visão à sua experiência como psiquiatra. “Minha mente é uma mente capitalista, mas meu coração é um coração que se preocupa com a dor das pessoas, até porque a vida toda eu ouvi a dor das pessoas, eu vi lágrimas que nunca foram choradas”, disse. A partir dessa experiência, fez uma avaliação dura do ambiente político. “Nunca encontrei um ambiente tão doente, tão deletério, onde as pessoas amam o poder pelo poder, não se preocupam com o Brasil, não falam de projetos”, declarou.

Crítica ao presidencialismo

O psiquiatra defendeu uma mudança estrutural no sistema de governo. Para ele, o Brasil já funciona como um regime parlamentarista na prática, mas sem previsão constitucional para isso. Por isso, propôs a adoção do semipresidencialismo, com o presidente responsável pela política externa e pelas Forças Armadas, e um primeiro-ministro encarregado da administração do dia a dia, sujeito à aprovação do Congresso. “O primeiro-ministro cuidaria do dia a dia e o Congresso seria responsável por chancelar esse primeiro-ministro”, explicou.

Cury também criticou o volume de processos julgados pelo Supremo Tribunal Federal. No ano passado, a Corte julgou mais de 116 mil processos, um número que o candidato classificou como incompatível com a Suprema Corte americana. A partir desse dado, defendeu o fim do mandato vitalício dos ministros do STF, com limite de oito anos, e uma nova composição: dois terços de magistrados, parte do Ministério Público e um advogado escolhido pela própria categoria, sem indicação presidencial. “Para mim, o STF teria que ter um fim do mandato eterno, ficar 8 anos e depois ir embora”, disse.

Contra a política de família

Ao comentar a concentração de poder em núcleos familiares, o médico citou as famílias Lula da Silva e Bolsonaro. “O Brasil não pode ser loteado em famílias, mas sempre foi loteado”, disse.

Ele também criticou a falta de experiência empresarial de lideranças políticas atuais. “Quem vem sem riscos triunfa sem glórias, mas eles não tiveram a experiência“, afirmou, citando como exemplo a trajetória empresarial de Flávio Bolsonaro.

Ele defendeu ainda a criação de gatilhos constitucionais para limitar o tempo de mandato de parlamentares e reforçou que pretende chamar governadores, economistas e gestores para compor um eventual governo, entre eles Marcos Lisboa e Ratinho Junior.

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Vice mulher e diálogo com Michelle Bolsonaro

Questionado sobre a chapa para as eleições, Cury afirmou que pretende escolher uma mulher para a vice-presidência. “As mulheres representam o ouro da sociedade brasileira”, disse. Ele também citou dados sobre desigualdade de gênero no mercado de trabalho. “Elas recebem 21% a menos em média que os homens pelos mesmos trabalhos e pagam 4% a mais de juros”, afirmou, sem citar a fonte.

Ele revelou ainda conversas com Aldo Rebelo sobre uma possível coordenação de campanha ou vaga na chapa.

O pré-candidato disse que pretende se reunir com Michelle Bolsonaro, a pedido dela. Segundo ele, o encontro deve tratar de temas pessoais, não eleitorais. “Vamos conversar sobre a sua emoção, sobre as dores, sobre o que ela tem passado ultimamente”, declarou.

Educação e mercado de trabalho

Na parte final da entrevista, o escritor defendeu mudanças no currículo escolar, com aulas de educação financeira, empreendedorismo e oratória. “75% dos alunos têm glossofobia ou medo de falar em público”, afirmou, sem citar a fonte do dado.

Como proposta concreta para o mercado de trabalho, citou um plano de financiamento a pequenos negócios. “Poderia falar de inúmeros projetos para vocês, inclusive de nós financiarmos 10 milhões de microempresas nos próximos oito a 10 anos para nos prepararmos para o tsunami da IA e da robótica”, afirmou.

Cury também criticou os juros bancários no Brasil. Sobre o crédito consignado, foi categórico. “Isso é um crime financeiro. Isso é um crime”, disse. Para ele, o Banco Central mantém os juros altos sem considerar o impacto sobre a produção nacional.

A sabatina faz parte de uma série de entrevistas que o Jornal Novabrasil está promovendo com pré-candidatos às Eleições 2026. Os demais nomes já foram contatados e convidados a participar.

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