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Por que Liniker se tornou uma das maiores intérpretes do amor na música brasileira
Por que Liniker se tornou uma das maiores intérpretes do amor na música brasileira
Da paixão arrebatadora ao amor próprio, a cantora e compositora transformou diferentes formas de afeto em uma das marcas de sua obra


Quem escuta Liniker pela primeira vez costuma se impressionar com a potência da voz da cantora e compositora paulista que completa 31 anos no dia de hoje. Mas basta prestar um pouco mais de atenção para perceber que existe outro elemento que atravessa praticamente toda a sua discografia: o amor.
Não aquele amor idealizado, perfeito ou previsível. Nas canções da artista de Araraquara, o amor aparece em suas mais diferentes formas. É desejo, despedida, saudade, medo, acolhimento, descoberta, vulnerabilidade e, sobretudo, transformação.
Ao longo de quase uma década de carreira, primeiro à frente dos Caramelows e, depois, em carreira solo, Liniker construiu uma obra em que o afeto ocupa um lugar central. E talvez seja justamente essa capacidade de cantar sentimentos tão íntimos que faça com que tanta gente se reconheça em suas músicas.
O amor que também é coragem
Em diversas entrevistas, Liniker já contou que compor sempre foi uma maneira de compreender a própria vida. Suas letras nascem de experiências pessoais, mas nunca permanecem restritas à sua história. Pelo contrário: encontram espaço nas vivências de milhares de pessoas.
Canções como “Zero“, que apresentou a cantora ao Brasil em 2015, no EP “Cru“, de Linker e os Caramelows, já traziam essa intensidade emocional. Ali, o amor não aparece como uma promessa de felicidade, mas como um sentimento capaz de expor fragilidades, provocar mudanças e transformar quem ama.
Essa característica acompanha toda a sua trajetória.
Amar também é cuidar de si
Se nos primeiros trabalhos Liniker escrevia muito sobre encontros e despedidas, seus discos mais recentes ampliaram esse olhar.
Em “Índigo Borboleta Anil” – álbum de estreia solo da cantora lançado em 2021, com o qual Linker tornou-se a primeira artista trans brasileira a vencer um Grammy Latino (na edição de 2022, na categoria de Melhor Álbum de Música Popular Brasileira) – o amor passa também pelo reencontro consigo mesma. É um álbum sobre amadurecimento, cura e pertencimento.
Já em “CAJU” – segundo álbum solo da cantora, lançado em 2024, que venceu a categoria de Melhor Álbum Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa no Grammy Latino de 2025, além da artista ter vencido Melhor Canção em Língua Portuguesa por “Veludo Marrom” e Melhor Interpretação Urbana em Língua Portuguesa pela canção “Caju” – esse processo ganha novos contornos.
A artista transforma sua personagem em uma mulher que aprende, aos poucos, que merece viver relações mais saudáveis, inclusive consigo mesma. Mais do que buscar alguém que a ame, Liniker parece perguntar, durante todo o álbum, como aprender a se olhar com mais carinho.
O afeto como resistência
Há outro aspecto que torna sua obra tão singular: Liniker escolheu fazer do afeto um posicionamento artístico.
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Mesmo quando aborda dores profundas, preconceitos ou perdas, suas músicas raramente se apoiam na revolta. Em vez disso, encontram delicadeza, cuidado e acolhimento.
Essa forma de escrever aproxima sua obra da tradição de grandes nomes da música brasileira, como Milton Nascimento, Djavan e Gilberto Gil, artistas que também transformaram o afeto em linguagem musical.
Ao mesmo tempo, Liniker construiu uma identidade completamente própria, misturando soul, R&B, samba, jazz, MPB, reggae, pagode e música pop sem perder sua essência.
Talvez seja justamente por isso que tantas pessoas se sintam abraçadas quando escutam as canções da artista: sua música não oferece respostas prontas para os desafios do amor. Ela prefere fazer perguntas, compartilhar vulnerabilidades e lembrar que amar também significa aceitar as próprias imperfeições.
Em tempos marcados pela velocidade e pelas relações superficiais, a cantora escolheu seguir outro caminho: fazer da delicadeza uma força e do afeto sua principal assinatura artística.
É por isso que, mais do que interpretar canções sobre amor, Liniker se tornou uma das artistas que melhor traduzem esse sentimento na música brasileira contemporânea.
Feliz aniversário, Liniker! E viva o amor, em todas as suas formas!
