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25 anos sem Marcelo Fromer
25 anos sem Marcelo Fromer
Há exatos 25 anos, o Brasil tomava um susto e se despedia de um dos seus maiores artistas: o guitarrista, compositor, escritor e integrante dos Titãs


No fim da tarde do dia 11 de junho de 2001, Marcelo Fromer saiu para correr pelas ruas de São Paulo – como costumava fazer quando estava pela cidade – e nunca mais voltou.
Sua namorada, que o esperava para um jantar em comemoração ao Dia dos Namorados, começou a ligar para todas as pessoas que pudessem estar com Marcelo – inclusive para os outros membros da banda Titãs, da qual o artista era guitarrista e compositor desde a sua fundação, em 1982 – mas ninguém conseguia encontrá-lo.
Já eram 22h quando ela foi com um amigo até a Delegacia para registrar uma queixa de desaparecimento. Foi quando descobriram que Marcelo Fromer tinha sido atropelado por um motociclista que fugiu sem prestar socorro, na Avenida Europa.
O músico passou dois dias hospitalizado, mas seu estado de saúde era gravíssimo. Os fãs fizeram vigília na porta do hospital e todos os amigos e familiares foram para lá. Mas – infelizmente – o trauma no cérebro foi irreversível e Marcelo faleceu dois dias depois, no dia 13 de junho, aos 39 anos.
Hoje, no dia em que completamos 25 anos desta perda irreparável, nós preparamos uma matéria especial para homenagear Marcelo Fromer.
Tudo sobre Marcelo Fromer

Marcelo Fromer nasceu em São Paulo, em 1961, e começou a estudar violão na adolescência, com 15 anos. Logo, tornou-se guitarrista do Trio Mamão, formado no Colégio Equipe – onde estudava – junto com outros dois futuros Titãs: Branco Mello e Tony Bellotto.
Em 1982, os três juntaram-se a Arnaldo Antunes, Nando Reis, Paulo Miklos, Sérgio Britto, Ciro Pessoa e André Jung, e formaram a banda Titãs do Iê Iê, que, em 1984 – já sem Ciro Pessoa e com o nome apenas de Titãs – lançou o seu primeiro disco e tornou-se um sucesso nacional.
O primeiro álbum já contou com uma composição de sucesso com a participação de Marcelo Fromer: “Sonífera Ilha” (primeiro grande hit radiofônico da banda, parceria de Fromer com Branco, Tony, Ciro e Carlos Barmak) e também com “Toda Cor” (parceria de Marcelo com Ciro e Barmak).
O grupo explodiu em todo o Brasil, tomou conta das rádios e começou a participar dos programas de auditório de maior audiência na TV, como “Chacrinha”, “Raul Gil” e “Clube do Bolinha”, além de viajar pelo país inteiro apresentando o show do primeiro disco. No final deste mesmo ano, André Jung saiu da banda e foi substituído por Charles Gavin.
Já outra composição de Marcelo Fromer – essa em parceria com Arnaldo Antunes e Tony Bellotto – deu o nome do segundo álbum da banda, lançado em 1985: “Televisão”.
Já o terceiro disco –“Cabeça Dinossauro”, de 1986 – emplacou outro sucesso composto pelo guitarrista: o refrão da canção “Homem Primata” foi originalmente escrita por Marcelo Fromer e Ciro Pessoa na época em que a banda ainda se chamava Titãs do Iê-Iê. Alguns anos depois, Marcelo chamou Sérgio Britto e Nando Reis para expandirem o esboço em uma faixa completa.
O álbum seguinte – “Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas” – de 1987, contou com mais um hit dos Titãs com os dedos de Marcelo Fromer: “Comida”, em parceria com Arnaldo Antunes e Sérgio Britto.
E foi assim sucessivamente durantes os mais de 10 discos que Marcelo Fromer lançou com a banda, tendo feito diversas turnês nacionais e internacionais até o dia de sua morte e tornando-se um dos guitarristas mais respeitados do país.
Fromer Multi-talentos
Além de guitarrista e compositor, Marcelo também era um grande apaixonado por futebol e por gastronomia. Tanto que chegou a ter uma coluna semanal (junto com Nando Reis) no jornal Folha de São Paulo, onde falava sobre futebol, e outra no Estado de São Paulo, em que falava sobre gastronomia.
São Paulino fanático, também apresentou por mais de um ano o programa “89 Gol”, da 89 FM A Rádio Rock, junto com seu grande amigo Walter Casagrande, e participou da cobertura da Copa do Mundo FIFA de 1998, como comentarista do canal SporTV.
Marcelo Fromer ainda escreveu o livro “Você Tem Fome de Quê?”, lançado em 1999: um guia informal de gastronomia, em que apresenta 63 receitas, vindas de suas visitas por diversas regiões do país e do mundo por conta das turnês com a banda. As receitas vêm acompanhadas das letras dos maiores sucessos dos Titãs, para se escutar enquanto cozinha.
E o guitarrista também deixou inacabada uma biografia sobre o amigo, comentarista e ex-jogador de futebol Casagrande, que foi retomada a partir de 2008 pelo jornalista Gilvan Ribeiro e lançada em 2013.
Outros sucessos compostos por Marcelo Fromer são:
- O Pulso (em parceria com Arnaldo Antunes e Tony Bellotto)
- Aa Uu (parceria com Sérgio Britto)
- Palavras (parceria com Sérgio Britto)
- Nem 5 Minutos Guardados” (parceria com Sérgio Britto)
- 32 Dentes (com Branco Mello e Sérgio Britto)
Homenagens

Marcelo morreu um dia antes dos Titãs iniciarem as gravações do disco de inéditas “A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana”.
Mesmo muito abalados, os colegas de Fromer decidiram seguir em frente depois da partida do amigo, como que em uma homenagem, deduzindo que seria esse o desejo do guitarrista caso estivesse vivo. Charles Gavin disse na época: “Parar seria muito pior para a gente, ficaríamos deprimidos, isolados”.
Convidaram então o guitarrista Emerson Villani, para dividir as guitarras com Tony Bellotto, e mantiveram o mesmo repertório que já havia sido escolhido e composto junto com Marcelo Fromer (o álbum conta com quatro composições do guitarrista).
A banda até pensou em usar gravações do próprio Marcelo para o álbum, mas elas não tinham qualidade o suficiente. O produtor Jack Endino também tocou parte das guitarras que seriam de Fromer.
Ironicamente, a canção “Epitáfio”, de Sérgio Britto (“Devia ter amado mais / Ter chorado mais / Ter visto o sol nascer (…) O acaso vai me proteger / Enquanto eu andar distraído / O acaso vai me proteger / Enquanto eu andar”) também faz parte desse disco, mas foi composta antes de Fromer falecer e, inclusive, o guitarrista era bastante fã da canção, que fala sobre aproveitarmos a vida enquanto estamos aqui.
Em 2003, os Titãs lançaram o disco “Como Estão Vocês?”, que traz a faixa “As Aventuras do Guitarrista Gourmet Atrás da Refeição Ideal” (de Tony e Paulo), uma homenagem a Marcelo Fromer:
“Atrás da refeição ideal
Marcelo foi pro Nepal
Comer iogurte com colher de pau
Também foi pro Alaska
Peixe na brasa
Dentro do iglu
Navegou o Xingu
Veja também:
Pra comer o angu
Da índia tupi
Comeu tudo o que quis
Marreco, perdiz
Sempre um aprendiz
Marcelinho pão e vinho
Guitarrista gourmet
Malandro sommelier
Atrás da refeição ideal
Na cordilheira central
Uma receita contra todo mal
Marcelo pisou na lama
Carne de lhama
Experimentou
O Inferno de Dante
E foi mais distante
Até Paris
Comeu tudo o que quiz
E dizem que assim
Ele foi feliz
Marcelinho pão e vinho
Guitarrista gourmet
Malandro sommelier
Atrás da refeição ideal
Marcelo encontrou afinal
Uma receita contra todo mal”
Uma outra movimentada avenida de São Paulo, a Juscelino Kubitschek, ganhou uma passarela com o nome do músico, para auxiliar pedestres a fazerem a travessia sem risco de atropelamento.

