Casos de compulsão por apostas fazem atendimentos psicológicos dispararem 

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14:00 01.06.2026
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Casos de compulsão por apostas fazem atendimentos psicológicos dispararem 

Procura por atendimento em casos graves cresceu 600% entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026, segundo a psicóloga Luciana Grandin

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- 01.06.2026 - 14:00
Casos de compulsão por apostas fazem atendimentos psicológicos dispararem 
Foto: Freepik.

A presença massiva das apostas digitais no cotidiano brasileiro, impulsionada por propagandas e patrocínios no esporte e na TV, tem ido muito além do entretenimento e começado a aparecer de forma cada vez mais preocupante na saúde mental. A psicóloga Luciana Grandin afirma que a banalização do jogo, tratada como lazer sem consequências, ajuda a esconder um problema que muitas vezes só vem à tona quando a vida financeira e familiar já está em colapso.

De acordo com ela, entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026, a procura por auxílio psicológico em casos graves relacionados a apostas digitais cresceu 600%. O aumento tem atingido perfis variados, sem restrição a classe social ou escolaridade, incluindo profissionais de alta performance e pais e mães de família.

Pessoas com dependência em jogos costumam agir de forma discreta, escondendo perdas financeiras, mentindo sobre apostas e mantendo uma rotina aparentemente normal enquanto convivem com medo, vergonha e uma escalada de prejuízos emocionais e sociais. Segundo Luciana, o transtorno pode atingir um grau de gravidade semelhante ao vício em substâncias e já é reconhecido pela psiquiatria como um problema de saúde mental.

Na avaliação da psicóloga, o momento atual soma dois fatores de alto risco, o acesso permanente pelo celular e sistemas desenhados para manter a pessoa jogando. “É um sequestro do sistema de recompensa do cérebro”, explica, referindo-se ao mecanismo que prende o apostador a uma sequência de tentativas em busca de alívio financeiro que, em termos práticos, tende a piorar a situação.

Foto: Freepik.

O ciclo de dívidas, isolamento e vida dupla

Um dos aspectos mais difíceis do vício em apostas, segundo a especialista, é a capacidade de se manter escondido por muito tempo. Sem sinais físicos imediatos, o problema pode crescer enquanto a pessoa sustenta uma “fachada” de normalidade.

No consultório, o padrão relatado envolve perdas rápidas, feitas em poucos cliques, com consumo de reservas construídas ao longo de anos. Quando o crédito formal acaba, cresce o risco de medidas desesperadas. “Quando a pessoa esgota os recursos, muitas vezes é empurrada para caminhos perigosos, o que alimenta ainda mais o medo e o isolamento”, afirma Luciana Grandin.

A psicóloga também chama atenção para a sensação de “quase ganhar”, que estimula novas apostas e enfraquece a capacidade de parar. “Esse tipo de reforço intermitente mina a lógica e a autonomia”, diz.

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Tratamento começa ao quebrar o silêncio

Apesar do impacto, há caminho de recuperação, e ele não começa necessariamente pelas finanças, mas pelo reconhecimento do problema. Para a psicóloga, a vergonha é um dos principais combustíveis da dependência.

“Admitir que perdeu o controle não é fracasso; é o primeiro passo para retomar a autonomia”, afirma Luciana Grandin. Segundo ela, o acolhimento e o tratamento especializado, com atenção às dinâmicas digitais que sustentam o comportamento, podem ajudar a reconstruir a vida emocional, familiar e material afetada pela compulsão.

Ela defende que o debate não pode se restringir ao indivíduo e precisa considerar o ambiente que normaliza as apostas. “Onde termina o lazer e começa o adoecimento que destrói famílias em silêncio?”, questiona, ao avaliar que a onipresença publicitária tem custo social e que o tema deve ser encarado como uma crise de saúde mental coletiva.

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