Hoje é dia de celebrar a vida da cantora e compositora baiana Luedji LunaCompletando 35 anos neste 25 de maio, Luedji nasceu em Salvador, filha de dois funcionários públicos e militantes do movimento negro da cidade, que desde sempre lhe ensinaram muito sobre luta e ativismo político. Recebeu dos pais, inclusive, o nome da primeira rainha africana da etnia Lunda, considerada mãe de Angola.

 

A ideia dos pais é que Luedji Luna seguisse os seus caminhos na militância e mudasse a narrativa de que pessoas pretas não ocupam espaços de poder. Por isso, a artista foi estudar Direito, formando-se na Universidade do Estado da Bahia.

 

Mas, depois de certo tempo, Luedji percebeu que podia trabalhar todas essas questões que envolviam a luta e militância de seus pais e também ocupar o seu espaço por meio da sua música. Foi assim que – finalmente – ela aceitou o chamado da arte, para a nossa sorte! 

Foto: Instagram | @luedjiluna

Compositora desde os 17 anos, Luedji Luna já se apresentava na noite de Salvador, estudava na Escola Baiana de Canto Popular e fazia parte de grupos e coletivos artísticos da cidade. A artista conta que começou a escrever para romper o silêncio causado pelo racismo e discriminação que sofria na adolescência.

 

Suas músicas falam sobre racismo, opressão, ancestralidade, baianidade, feminismo, afetividade de mulheres negras, amor, luta, sobre a cultura e as tradições afro-brasileiras e as religiões de matriz africana, sobre pertencimento e identidade, entre outras tantas questões importantes de serem colocadas de forma tão sensível por uma cantora, compositora, mulher, negra e baiana, que – como ela mesma disse em entrevista ao jornal El País: quer “ser história e possibilitar que outras mulheres pretas possam construir as próprias histórias a partir de mim. Ou junto comigo. Para que, no futuro, quando se pense MPB, para além de lembrar de Elis Regina, se pense também em Luedji Luna, Xênia França, que tenhamos outros referenciais de divas, de compositoras da música popular brasileira.”.

 

Durante a infância de Luedji, seu pai reunia um grupo de amigos para fazer batucada no quintal de casa. O grupo, chamado Raciocínio Lento, tocava o que eu havia de melhor do cancioneiro popular brasileiro. A cantora conta que a maioria das suas influências musicais veio do que seus pais escutavam em casa: Milton Nascimento, Luiz Melodia e Djavan eram os principais nomes, assim como todo o reggae da década de 80 – como Gregory Isaac, Alpha Blond, Peter Tosh, e Edson Gomes. Daí sua paixão pelos graves e pelos sopros.

 

As referências africanas, de músicos angolanos e de Cabo Verde também vieram a partir do seu primeiro disco, em nomes como Mayra Andrade, Sara Tavares, Aline Frazão, e o baiano Tiganá Santana, que compõe também em línguas banto. 

 

Com 25 anos, Luedji Luna mudou-se para São Paulo e, no ano seguinte, lançou o seu primeiro e aclamado disco: Um Corpo No Mundo, de 2017. Três anos e várias turnês nacionais e internacionais depois, outro sucesso: o seu segundo álbum, Bom Mesmo é Estar Debaixo D’água, gravado parte na África e parte no Brasil, e indicado ao prêmio de Melhor Álbum de Música Popular Brasileira no Grammy Latino de 2021, no qual Luedji se apresentou ao vivo.

Além do disco, o projeto consistiu na gravação de um álbum visual, dirigido pela diretora Joyce Prado, vencedora do prêmio Women’s Music Event na categoria Melhor Diretora de Clipe e cofundadora da APAN (Associação do Produtores do Audiovisual Negro). Uma das principais parceiras de trabalho da cantora, é ela quem também assina a direção do clipe do hit Banho de Folhas, do primeiro disco, que hoje contabiliza mais de 5 milhões de views no YouTube.

Viva, Luedji Luna!