Amanhã, dia 28 de julho, completamos 19 anos sem Noite Ilustrada e dois anos sem Renato Barros, líder da banda Renato & Seus Blue Caps. Você conhece a importância desses dois grandes nomes para a nossa MPB? Vamos te contar um pouco mais sobre a vida e a obra de cada um deles.

Noite Ilustrada

Noite Ilustrada foi um dos grandes sambistas, cantores e violonistas do nosso país. Ele nasceu Mário de Souza Marques Filho, em Minas Gerais, e mudou-se para o Rio de Janeiro nos anos 40, quando passou a integrar a Escola de Samba Portela.

Foi com a Portela que ele excursionou para São Paulo, onde acabou por radicar-se e onde morou até os últimos dias de sua vida (em Atibaia, cidade do interior do Estado), não sem antes ter uma passagem de 10 anos morando em Recife, Pernambuco.

Noite Ilustrada dizia que Ataulfo Alves era seu mestre. Ele inclusive deixou um disco gravado, que foi lançado postumamente: Ao Mestre, Com Carinho – Noite Ilustrada canta Ataulfo Alves. Outra grande influência era Lupicínio Rodrigues, a quem o artista também deixou outro álbum gravado, que foi lançado após sua morte: Noite Ilustrada canta Lupicínio Rodrigues.

Noite Ilustrada viveu anos em um internato para garotos na cidade de Além Paraíba (MG) onde aprendeu a tocar violão e compôs suas primeiras canções. Quando saiu, conheceu o humorista Zé Trindade, que o convidou para excursionar como músico em sua caravana de shows. Foi Zé Trindade que deu a Mario o apelido de Noite Ilustrada.

Por conta do seu belo vozeirão, ele foi convidado não só a tocar, mas também a cantar nos shows de Trindade Mas, na estreia, o humorista esqueceu o nome do violonista bem na hora de apresentá-lo. Dizem que – por Mário gostar muito de uma revista famosa na época, chamada A Noite Ilustrada – Zé o apresentou assim, apelido que acabou usando para o resto da vida.

No fim dos anos 50, Noite Ilustrada foi contratado pela Rádio Nacional e pela TV Paulista, e lançou o seu primeiro disco, Cara de Boboca, em 1960.

Mas foi ao lançar a icônica canção Volta Por Cima, de Paulo Vanzolini, em seu terceiro disco, de 1963, que Noite Ilustrada atingiu sucesso nacional:

“Reconhece a queda e não desanima. Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”.

Depois, a canção foi regravada por nomes como Elza Soares, Elis Regina e Jair Rodrigues, Maria Bethânia, Beth Carvalho, Jorge Aragão e Zeca Pagodinho.

Outras famosas canções em sua voz são A Flor e O Espinho, de Nelson Cavaquinho, Alcides Caminha e Guilherme de Brito (“Tire o seu sorriso do caminho, que eu quero passar com a minha dor”) e O Neguinho e a Senhorita, de Noel Rosa e Abelardo da Silva.

Em mais de 50 anos de carreira, Noite Ilustrada lançou mais de 30 discos. Sua carreira se estendeu até 2001, quando permanecia ativo e chegou a lançar seu último álbum, Perfil de um Sambista.

Noite Ilustrada faleceu em 28 de julho de 2003, por conta de um câncer no pulmão.

Renato Barros

O cantor, compositor e guitarrista carioca Renato Barros foi um dos grandes nomes da Jovem Guarda, nos anos 60. Ele foi fundador da banda Renato & Seus Blue Caps e vocalista, guitarrista e compositor do conjunto por mais de 60 anos, até sua morte.

Primeiro movimento musical do rock brasileiro, a Jovem Guarda foi um dos maiores movimentos musicais e culturais de massa do país, que revolucionou o comportamento jovem brasileiro e trouxe as guitarras e órgãos elétricos para a música popular brasileira, tendo como principal influência o rock’n roll do final da década de 50 – principalmente Elvis e The Beatles – e o soul da Motown, famosa gravadora norte-americana.

Formado em 1959 – antes do período da Jovem Guarda – pelos irmãos Renato Barros, Ed Wilson e Paulo César Barros e outros músicos, Renato & seus Blue Caps ganharam destaque por fazerem versões de canções internacionais, algo que se tornou muito comum no início da Jovem Guarda, antes dos integrantes do movimento começarem a compor suas próprias canções, encabeçados por Roberto e Erasmo Carlos.

O nome da banda de Renato foi inspirado em um conjunto norte-americano de rock and roll e rockabilly, Gene Vincent and His Blue Caps e eles passaram a se apresentar em rádios e em programas de televisão, como Brotos No Treze, da TV Rio, e Os Brotos Comandam, TV Continental, ambos apresentados por Carlos Imperial.

Em 1963, Ed Wilson saiu do grupo e iniciou carreira solo, sendo substituído por Erasmo Carlos, que teve uma participação breve na banda. Renato & seus Blue Caps foram tornando-se cada vez mais populares e fizeram muito sucesso se apresentando no programa Jovem Guarda, em shows, festas e bailes.

Entre as composições mais famosas de Renato Barros – que gravou 20 discos com a banda e mais outras participações em discos de outros artistas – estão as canções: Devolva-me, parceria com Lilian Knapp, gravada inicialmente pela dupla Leno e Lílian e sucesso na regravação de Adriana Calcanhotto; O Pica-pau (outra parceria com Lilian Knapp), Você Não Serve Pra Mim e Não Há Dinheiro Que Pague.

Renato Barros nos deixou no dia 28 de julho de 2020, aos 76 anos, em decorrência de uma infecção pulmonar. O grupo Renato & seus Blue Caps continua em plena atividade até os dias de hoje, agora com Cid Chaves nos vocais e Chi Lenno na guitarra, e sendo considerado o conjunto mais antigo em atuação no mundo inteiro.