Hoje, 21 de junho, seria aniversário de um dos grandes nomes da nossa música popular brasileira: Nelson Gonçalves.

Filho de imigrantes portugueses, o cantor e compositor nasceu com o nome de Antônio Gonçalves Sobral, no Rio Grande do Sul, em 1919, e logo mudou-se com a família para São Paulo. Iniciou a carreira acompanhando o pai, que tocava violino e cantava, em apresentações nas ruas e em bares da cidade.

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Teve diversos trabalhos informais para ajudar no sustento da família e chegou a ser lutador de boxe antes de se tornar artista. Participou de diversos programas de calouros, já com o nome artístico de Nelson Gonçalves, mas era sempre reprovado, por conta de sua gagueira, com a qual sofria desde criança, e que lhe deu o apelido de Metralha.

Quando finalmente foi aprovado, depois de anos de tentativas, já casado, com filhos e morando no Rio de Janeiro, recebeu o convite da gravadora RCA Victor para gravar os seus primeiros compactos, em 1941, com as canções Se Eu Pudesse um Dia (de Osvaldo França e Orlando Monello) e Sinto-me Bem (de Ataulfo Alves), e Formosa Mulher (Constantino Silva “Secundino” e Osvaldo França) e A Mulher dos Meus Sonhos (Ataulfo Alves e Orlando Monello).

No mês seguinte, Nelson foi contratado pela Rádio Mayrink Veiga, iniciando uma carreira de ídolo do rádio nas décadas de 40 e 50. Aclamado pela crítica, passou a ser requisitado em boates, rádios e turnês. Em 1942, gravou vinte músicas distribuídas em dez discos.

Alguns de seus grandes sucessos dos anos 40 foram: Maria Bethânia (composição de Capiba, que inspirou Caetano Veloso a escolher o nome da irmã mais nova, quando tinha apenas quatro anos e escutou Nelson Gonçalves cantá-la na rádio, em 1946); Normalista (de Benedito Lacerda e Davi Nasser); Caminhemos (de Herivelto Martins); e Renúncia (de Roberto Martins e Mário Rossi).

Maiores ainda foram os seus sucessos na década de 50, que incluem Última Seresta (de Adelino Moreira e Sebastião Santana); Meu Vício É Você e o estrondoso sucesso A Volta do Boêmio (ambas de Adelino Moreira), Ao ser lançada, esta última obteve a marca de um milhão de cópias vendidas, cifra considerada astronômica para a época. Em 1952, Nelson Gonçalves iniciou uma bem-sucedida parceria com Adelino Moreira.

Na década de 50, além de shows em todo o Brasil, Nelson chegou a se apresentar em países como Uruguai, Argentina e Estados Unidos, quando Frank Sinatra declarou que sua voz era uma das melhores vozes que já tinha ouvido.

Entre o final da década de 50 e início da década de 70, por conta de seu vício em cocaína, a vida de Nelson Gonçalves desandou. Ele só conseguiu abandonar de vez o vício em 1973, quando retomou sua carreira, cada vez mais bem sucedida.

Continuou gravando regularmente nos anos 70, 80 e 90 e, além dos antigos sucessos, sempre se manteve atento a novos compositores, chegando a gravar canções de João Donato e Abel Silva (Simples Carinho); Herbert Vianna e Paula Toller (Nada por Mim); Legião Urbana (Ainda É Cedo); e Lulu Santos e Nelson Motta (Como Uma Onda/Zen Surfismo).

Durante sua carreira, Nelson Gonçalves gravou mais de duas mil canções, 183 discos em 78 rpm e 128 álbuns, ganhando 38 discos de ouro e 20 de platina.

Ele é o artista brasileiro que mais tempo ficou em uma mesma gravadora: foram 59 anos com a RCA Victor/BMG Brasil. Outra marca significativa atingida por Nelson é a de ser o segundo artista que mais vendeu discos na história da música popular brasileira, com mais de 79 milhões de cópias vendidas até março de 1998, um mês antes de sua morte, aos 78 anos, por conta de um infarto agudo do miocárdio. Nelson Gonçalves fica atrás apenas de Roberto Carlos, que já vendeu mais de 120 milhões de discos em toda a carreira.