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81 anos de Milton Nascimento: a infância, a origem do famoso apelido e Clube da Esquina

Novabrasil
09:30 26.10.2023
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81 anos de Milton Nascimento: a infância, a origem do famoso apelido e Clube da Esquina

Milton Nascimento é um dos maiores artistas do mundo e uma das maiores vozes da MPB. Hoje, dia 26 de outubro, Bituca completa 81 anos de vida. Para homenageá-lo, preparamos uma matéria especial sobre sua vida e obra, dividida em três capítulos. Nesta matéria, saiba mais detalhes sobre a infância, a origem do … Continued

Novabrasil - 26.10.2023 - 09:30
81 anos de Milton Nascimento: a infância, a origem do famoso apelido e Clube da Esquina
Foto: Arquivo Pessoal
por Lívia Nolla

Milton Nascimento é um dos maiores artistas do mundo e uma das maiores vozes da MPB. Hoje, dia 26 de outubro, Bituca completa 81 anos de vida. Para homenageá-lo, preparamos uma matéria especial sobre sua vida e obra, dividida em três capítulos. Nesta matéria, saiba mais detalhes sobre a infância, a origem do famoso apelido de Milton Nascimento e o Clube da Esquina.

Saiba mais:

Foto: Arquivo Pessoal

Milton Nascimento

Grande compositor, excelente cantor, importante intérprete e multi-instrumentista, Milton é reconhecido mundialmente como um dos mais influentes e talentosos artistas  de todos os tempos.

Vencedor de três Grammy Latinos e um Grammy Award, suas canções já foram regravadas por quase todos os maiores nomes da MPB, como:

  • Elis Regina;
  • Gal Costa;
  • Gilberto Gil;
  • Caetano Veloso;
  • e Chico Buarque

Além de grandes nomes internacionais como:

  • Sarah Vaughan;
  • Peter Gabriel;
  • e Bjork.

Milton Nascimento influencia e é inspiração para uma geração de artistas da música brasileira.

Considerado pela revista Rolling Stone Brasil como a 10ª maior voz brasileira de todos os tempos e o 20º maior artista brasileiro de todos os tempos, Milton já se apresentou pelo mundo todo, em países da América do Sul e do Norte, da Ásia, África e Europa.

A Infância de Milton Nascimento: Três Pontas, o famoso apelido e a relação com a música 

Milton Nascimento nasceu em 1942, em uma comunidade do bairro da Tijuca – no Rio de Janeiro – filho da diarista Maria do Carmo do Nascimento, que fora abandonada grávida por seu primeiro namorado e registrou o filho como mãe solo. 

Mesmo muito pobre, Maria tentou criar Milton, com ajuda de sua mãe – viúva e também diarista – mas, ainda muito jovem, entrou em depressão e morreu de tuberculose, antes mesmo de Milton completar dois anos. 

Ainda no Rio, Milton ficou sob os cuidados da avó e morou na casa de sua madrinha – onde a avó trabalhava – sendo muito apegado a todos da família dela. Mas, logo, precisou mudar-se com a avó para Juiz de Fora, ficando muito triste, pois sentia saudade da família de sua madrinha.

Maria do Carmo do Nascimento, mãe de Milton Nascimento | Foto: Vilma Nascimento/Arquivo pessoal

Até que, uma das filhas da madrinha, a professora de música Lília Silva Campos, que era muito apegada a Milton e tinha uma relação muito forte com o garoto, além de ser recém-casada e não estar conseguindo engravidar, propõe adotá-lo. 

A avó concordou, desde que o trouxessem que ela o visse algumas vezes e que não tirassem o nome da sua mãe do registro. O casal concordou e Milton Nascimento foi então adotado por Lília e seu marido Josino Campos, sempre sabendo de sua história e de suas origens.

Milton Nascimento e seus pais, Lília Silva Campos e Josino Campos | Foto: Reprodução/Redes Sociais @miltonbitucanascimento

Por que Milton Nascimento é chamado de Bituca?

Logo, a família mudou-se para Três Pontas, em Minas Gerais, local onde Milton cresceu e que considera sua terra natal, pela qual tem muito carinho.

Lilia era professora de música e tinha estudado com Heitor Villa Lobos, e Josino era dono de uma estação de rádio. Por isso, Milton Nascimento conviveu muito de perto com a música, desde sempre.

Milton foi apelidado de Bituca ainda criança, por fazer um bico quando estava contrariado.

Antes mesmo de completar sete anos, Bituca ganhou uma gaita e uma sanfona de quatro baixos. Passava horas sentado na varanda de casa, tocando os dois instrumentos ao mesmo tempo, com a ajuda dos joelhos para segurar a gaita. 

Como a sanfona era precária, completava as notas que faltavam com o som da sua voz. Então, desde muito cedo, passa a explorar sua bela voz, que se tornaria uma das mais incríveis do Brasil e – quiçá – do mundo inteiro.

Seu primeiro violão, aos 13 anos, foi um presente endereçado à mãe, que Milton recebeu em casa em um momento em que Lília estava fora, e que ele contou que – da porta – foi direto para o seu quarto. Lá, Milton passava horas estudando o instrumento. 

Os primeiros conjuntos e os primeiros festivais

Nessa época, Milton Nascimento fez amizade com Wagner Tiso e formou com ele o Luar de Prata, seu primeiro conjunto musical. 

Em 1960, a banda evoluiu para Milton Nascimento e seu Conjunto, com o qual se apresentou em várias cidades da região. No mesmo ano, junto com outros amigos, a dupla Milton e Wagner formou o grupo W’s Boys.

O grupo fez tanto sucesso, ambos foram convidados para integrar o Conjunto Holliday, em Belo Horizonte, com o qual o cantor gravou o seu primeiro compacto: Barulho de Trem, ainda em 1960.

Belo Horizonte e a Família Borges

Em 1963, Milton mudou-se definitivamente para Belo Horizonte e se instalou em uma pensão do Edifício Levy, onde conheceu a família Borges, da qual pertencem Márcio, e Telo Borges, que logo se tornariam seus grandes parceiros musicais, além de grandes amigos.

Além do Holliday, Milton também integrou o conjunto de bailes Célio Balona.

Em 1964, Bituca montou com Wagner Tiso e Paulinho Braga, o Berimbau Trio, no qual começou como contrabaixista. Entre as apresentações do grupo, Milton Nascimento compôs pela primeira vez, e – a partir de então – nunca mais parou, tornando-se também um dos maiores compositores do país.

Ainda nesse período, gravou o disco Quarteto Samba-cana, como compositor Pacífico Mascarenhas.

Canção do Sal

Em 1966, Milton participou do Festival Berimbau de Ouro, em São Paulo, defendendo a  canção Cidade Vazia, de Baden Powell e Lula Freire. No mesmo ano, teve sua primeira música gravada, pelo conjunto Tempo Trio: a instrumental E a Gente Sonhando.

Ainda em 1966, Elis Regina gravou a sua música Canção do Sal, sendo esse o começo da projeção nacional de Milton Nascimento.

Contrariado com o clima competitivo dos festivais, Milton decidiu nunca mais participar de um. Acontece que, em 1967, o artista conheceu Agostinho dos Santos, durante uma de suas apresentações em um bar da capital paulista.

Agostinho disse a Bituca que ia gravar um disco e pediu a ele uma fita com três músicas. Mas, na verdade, o amigo as inscreve escondido no segundo Festival Internacional da Canção (FIC)

As três canções de Milton foram classificadas e ele foi eleito o melhor intérprete do Festival. A música Travessia, parceria sua com Fernando Brant, ficou em segundo lugar, tornando-se – depois – uma das músicas mais conhecidas e gravadas de Milton Nascimento, no Brasil e no exterior, e uma das músicas mais importantes da MPB.

Os primeiros álbuns de Milton Nascimento

Logo após o FIC, Milton gravou o seu primeiro disco solo, com participação do Tamba Trio: Milton Nascimento – Travessia. Entre as canções, além da faixa título e de Canção do Sal, estão:

  • Três Pontas (parceria com Ronaldo Bastos);
  • e Outubro (com Fernando Brant).

Em 1968, Bituca lançou o seu segundo disco solo, nos Estados Unidos, Courage, que deu início a sua carreira internacional, tendo em seu repertório sucessos como:

  • Vera Cruz (parceria com Márcio Borges);
  • uma versão de Travessia com parte da canção em inglês: que recebeu o nome de Bridges;
  •  e Courage (parceria com Márcio Borges e Paul Willians).

Em 1969, o artista lançou o álbum Milton Nascimento, com canções que se tornaram grandes sucessos: Beco do Mota (com Fernando Brant) e Pai Grande. No ano seguinte, Milton compôs o tema do documentário sobre o jogador Tostão e também atuou e produziu a trilha do filme Os Deuses e os Mortos, de Ruy Guerra. 

Ainda em 1970, foi a vez de seu quarto álbum – o terceiro lançado no Brasil – Milton, com participação do grupo de rock progressivo Som Imaginário, composto na época por Wagner Tiso, Tavito, Zé Rodrix e outros músicos.

Estão nesse disco os grandes sucessos:

  • Para Lennon e McCartney (de e Márcio Borges e Fernando Brant);
  • Clube da Esquina (de Milton com e Márcio Borges);
  • e uma regravação de A Felicidade (de Tom Jobim e Vinícius de Moraes).

Milton Nascimento lança o álbum Clube da Esquina

Em 1972, Milton Nascimento lançou o disco Clube da Esquina, que batiza um dos maiores e mais importantes movimentos da música popular brasileira, formado por – além de Bituca – artistas mineiros como:

  • os irmãos Borges;
  • Beto Guedes;
  • Fernando Brant;
  • Wagner Tiso;
  • Tavinho Moura;
  • Toninho Horta;
  • Flávio Venturini e outros. 

A sonoridade inovadora do Clube da Esquina trazia a fundição das inovações propostas pela Bossa Nova com elementos do jazz, do rock (principalmente dos ingleses The Beatles), da música folclórica, da música regional mineira, erudita e hispânica.

Essas influências permeiam todo o trabalho musical do Clube: desde a composição, aos arranjos, às letras, processos de gravação em estúdio e shows.

Logo, o grupo tornou-se referência de qualidade na MPB, pelo alto nível de sua performance, e por disseminar suas inovações e influência nacional e internacionalmente.

Clássicos presentes no álbum Clube da Esquina, de Milton Nascimento

Do disco Clube da Esquina fazem parte os grandes clássicos:

  • Tudo Que Você Podia Ser e Um Girassol da Cor do Seu Cabelo (de e Márcio Borges);
  • Cais, Nada Será Como Antes e Cravo e Canela (todas de Milton e Ronaldo Bastos);
  • O Trem Azul (de Lô Borges e Ronaldo Bastos);
  • San Vicente (de Milton e Fernando Brant);
  • Clube da Esquina nº 2 ( de Milton, Márcio e Lô);
  • Paisagem da Janela (Lô Borges e Fernando Brant);
  • e Lilia, uma homenagem de Milton para a sua mãe.

O álbum é considerado um dos mais importantes da história da MPB de todos os tempos.

Por: Lívia Nolla

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