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Margareth Menezes no Ministério da Cultura
Margareth Menezes no Ministério da Cultura
No último dia 13 de dezembro, a cantora e compositora baiana Margareth Menezes foi anunciada como a Ministra da Cultura em 2023. Chamada de “The Bahian powerhouse” (A fonte de energia baiana) pela crítica do The New York Times e de “força da natureza” por Carlinhos Brown, Margareth, além de ser uma das mais importantes … Continued

No último dia 13 de dezembro, a cantora e compositora baiana Margareth Menezes foi anunciada como a Ministra da Cultura em 2023.
Chamada de “The Bahian powerhouse” (A fonte de energia baiana) pela crítica do The New York Times e de “força da natureza” por Carlinhos Brown, Margareth, além de ser uma das mais importantes e potentes vozes do Brasil, tem também um papel político fundamental já em sua atuação como cantora e como cidadã.

Quem é Margareth Menezes?
A artista começou a carreira como atriz, no início da década de 1980, integrando grupos teatrais de Salvador, tendo, inclusive, participado – em 1983 – da criação de um espaço que revolucionou a cena cultural da cidade: o Gran Circo Troca de Segredos, local pelo qual passam diversas linguagens artísticas nacionais e internacionais.
Em 1986, Margareth Menezes passou a atuar também como cantora, apresentando-se – ao lado do músico e compositor baiano Silas Henrique – nos Centros Sociais Urbanos de Salvador, espaço onde as comunidades participam de ações socioeducativas e projetos de fortalecimento da cidadania e desenvolvimento social.
O primeiro álbum da cantora foi lançado em 1988
O primeiro álbum da cantora foi lançado em 1988 e trouxe, entre outros, os dois imensos sucessos Uma História de Ifá (Elegibô) (composição de Ythamar Tropicália e Rey Zulu) e Alegria da Cidade (de Lazzo Matumbi e Jorge Portugal).
Mas – antes disso, em 1987 – Margareth Menezes conheceu o produtor, empresário e cantor baiano Djalma de Oliveira, que a convidou para gravar com ele o seu primeiro single, lançado como LP: o clássico Faraó (Divindade do Egito), composição de Luciano Oliveira e primeiro samba-reggae gravado no Brasil, que vendeu mais de 100 mil cópias. A canção tornou-se um grande marco para o movimento negro, ao construir uma relação da cultura egípcia com a história afro-brasileira, em especial na Bahia.

Margareth é uma das artistas brasileiras que mais exalta em sua obra a negritude
Margareth é uma das artistas brasileiras que mais exalta em sua obra a negritude, a mulher e os signos e símbolos da cultura afro-brasileira. Desde então, foram 15 álbuns lançados pela artista entre 1988 e 2019 e cinco DVDs, com outros grandes sucessos, como:
- Dandalunda (composição de Carlinhos Brown);
- Tenda do Amor (Magia) (de Carlos Pitta);
- Planeta África-Brasil (de Geraldo Azevedo e Capinan).
A partir de 1990, Margareth assinou com a gravadora estadunidense Mango/Island Records, difundindo a música e a cultura afro-brasileira para o mundo inteiro, tornando-se conhecida nos Estados Unidos, México, Canadá, Japão e em países da Europa.
Ellegibô
Também foi convidada por David Byrne, líder do grupo Talking Heads, para fazer o espetáculo de abertura de sua turnê mundial, passando pela América do Sul, América do Norte, Finlândia e Rússia (na época União Soviética), num total de 42 países.
Depois do seu segundo álbum, Um Canto Pra Subir, a coletânea Ellegibô, produzida por David Byrne, reuniu as principais canções do primeiro e segundo álbum da cantora, e recebeu destaque da imprensa mundial, chegando ao topo da Billboard World Albums, nos Estados Unidos, ficando por lá durante onze semanas. Além disso, a revista Rolling Stone, elegeu o álbum como um dos cinco melhores da “world music”, em todo o mundo.
Indicação ao Grammy Awards de Melhor Álbum de World Music
Seu terceiro álbum no Brasil – que recebeu o nome de Kindala, em Yorubá: “lábios grandes” – também foi lançado nos Estados Unidos e permaneceu por 10 semanas na Billboard World Albums, ocupando a 2° posição, e recebeu uma indicação ao Grammy Awards de Melhor Álbum de World Music.
Além de todos esses feitos, Margareth Menezes fundou, em 1999, o bloco Os Mascarados, no carnaval baiano, como uma homenagem ao aniversário de 450 anos da cidade de Salvador, resgatando o uso das fantasias e a alegoria dos antigos festejos da folia para as quintas-feiras do circuito Dodô.
Já em 2001, Margareth fundou o seu próprio selo, Estrela do Mar
Já em 2001, ela fundou o seu próprio selo, Estrela do Mar, que – a partir de 2011 – passou a atuar também como produtora artística. Neste mesmo ano de 2001, foi publicado o livro Brazilian Popular Music & Globalization. Nele, os autores Charles Perrone e Christopher Dunn indicam que Margareth Menezes foi responsável pelo marketing internacional do estilo afro-baiano que, segundo outros autores, foi inovado pela cantora por meio da introdução de instrumentos africanos antes não utilizados.
Em 2002, a cantora representou o Brasil na festa de comemoração da independência do Timor-Leste. Em 2005, liderou o lançamento do Movimento Afropop Brasileiro, bloco sem cordas que festeja a cultura negra no Brasil e que recebe apoio de grandes blocos afro (Ilê Aiyê, Muzenza, Cortejo Afro, Filhos de Gandhy e MalêdeBalê), além de reunir nomes como Gilberto Gil, Daniela Mercury, entre outros.
Segundo Margareth, o Afropop:
“é um movimento que promove a beleza e a riqueza ancestral junto à contemporaneidade e que acolhe todos que acreditam na igualdade de direitos. É o abraço entre o tambor e o computador”. O projeto reúne artes visuais, música e o Giro Cultural – ação com jovens de projetos sociais.
Brasileira Ao Vivo: Uma Homenagem ao Samba-Reggae (2006)
Em 2006, seu álbum Brasileira Ao Vivo: Uma Homenagem ao Samba-Reggae, foi indicado ao Grammy Award nas categorias Melhor Álbum de World Music e Melhor Álbum de Música Regional Brasileira.
Em 2008, Margareth deu início às atividades do seu projeto social Fábrica Cultural, ONG que atua na Ribeira (bairro onde Margareth morou na infância, em Salvador) e oferece cursos profissionalizantes para jovens e oficinas de arte e educação para crianças.
Em 2016, a artista recebeu a Comenda 2 de Julho, honraria concedida pela Assembleia Legislativa do Estado da Bahia, sendo um reconhecimento a pessoas que contribuem para o desenvolvimento político e administrativo do Estado e do país.

Margareth sempre pensou a cultura como polo de conhecimento, de afirmação da estima do povo preto
Em 2019, a artista lançou o seu mais recente álbum Autêntica, com 13 canções – entre autorais e de compositores parceiros, que foi indicado ao Grammy Latino, na categoria de Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa.
Margareth sempre pensou a cultura como polo de conhecimento, de afirmação da estima do povo preto, da difusão de informação para facilitar a inclusão na sociedade da população menos favorecida economicamente.
Isso só para citar alguns de seus principais feitos.
Quer saber tudo sobre a vida e a obra da nossa nova Ministra da Cultura? Acesse o nosso podcast original Acervo MPB especial Margareth Menezes.
Margareth também já foi entrevistada pela Fabiane Pereira, no programa Rádio Retrato.
Margareth Menezes comentou a indicação do Ministério da Cultura pelas redes sociais
Aos 60 anos, completados em 13 de outubro, a artista comentou o fato em suas redes sociais:
“Agradeço ao presidente Lula pela confiança, tendo a certeza de que será um grande desafio e uma enorme responsabilidade. Vamos trabalhar incansavelmente para reerguer a Cultura do nosso país! Eu, como artista, sei que não será fácil, por isso, peço o apoio e a força de todos os artistas, mobilizadores, realizadores e agentes culturais do Brasil e também de cada cidadão, para juntos, de mãos dadas, restabelecermos com plenitude essa área que é tão ampla, tão diversa e fundamental para todos nós. A riqueza da nossa cultura alimenta a nossa alma e fortalece a nossa identidade como nação. A cultura reflete a força, a grandeza e a beleza do povo brasileiro. Vamos precisar de todo mundo!”.
Já o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, retribuiu as palavras de Margareth:
“Obrigado, companheira, por aceitar o convite de ser ministra da Cultura. Nos últimos anos, a cultura sofreu um desmonte no Brasil. E nós vamos honrar nosso compromisso de reconstruir e fortalecer o setor.”.
O Ministério da Cultura foi extinto pelo governo vigente, transformado em uma secretaria vinculada ao Ministério do Turismo. Durante a campanha, Lula disse que, se eleito, iria recriar o Ministério da Cultura.
Viva esta potência da nossa música que é Margareth Menezes, que tem tantos feitos gigantes para a nossa cultura e para a nossa sociedade e que muitas vezes foi invisibilizada por conta do racismo estrutural que temos que enfrentar diariamente no nosso país. Que sua atuação no Ministério da Cultura possa transformar esta e muitas outras questões fundamentais e urgentes na nossa sociedade.


