O trio de cantores e compositores paulistanos Céu, Emicida e Criolo se reuniu pela primeira vez em um show-manifesto neste fim de semana, no festival João Rock, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo.

Céu, Emicida e Criolo fizeram um show-manifesto no João Rock de 2022 | Foto: Instagram/@emicida

Intitulado Amor, Ordem e Progresso, o show inédito foi apresentado no sábado, dia 11 de junho, para encerrar o festival, que também contou com atrações como Pitty, Nando Reis, Gabriel, O Pensador, Planet Hemp, Barão Vermelho, Titãs, Natiruts e Erasmo Carlos e com a presença de mais de 70 mil pessoas.

Com o objetivo de expor em cena a diversidade da cultura brasileira, destacando a pluralidade do nosso povo na construção da identidade nacional, o show-manifesto falou – por meio da estética visual e musical – sobre ditadura, questões raciais e o contexto social atual do país, sendo dividido em três atos e tendo como inspiração as palavras do positivista francês Auguste Comte: “O amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim”. Os dizeres inspiraram o que está escrito na bandeira do Brasil.

‘Amor’ precisa entrar na bandeira do Brasil para que, lá no futuro, nos lembremos que essa palavra está ali por um motivo: a ausência do amor como política pública custou a vida de mais de 650 mil pessoas. Qual é a magnitude dessa destruição?”, afirmou Emicida.  

O primeiro ato, Sankofa, que leva o nome da filosofia africana que diz que é importante retornar ao passado para ressignificar o presente e construir o futuro, a apresentação buscou conexão com a herança ancestral. Boa Esperança, de Emicida, e Convoque Seu Buda, de Criolo em parceria com Daniel Ganjaman, fizeram parte deste ato; junto com o clássico Vapor Barato, de Jards Macalé e Waly Salomão. Jards, inclusive, foi uma das pessoas que já defendeu a alteração da frase da bandeira do Brasil, tendo lançado um disco com o título Amor, Ordem & Progresso, em 2003.   

 

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O segundo ato, chamado A Nave, capturou o público pelo sentimento. Céu apresentou seus sucessos A Nave Vai (de Jorge Du Peixe, sucesso na voz da cantora) e Malemolência (de Céu e Alec Haiat); Criolo puxou Não Existe Amor em SP e Duas de Cinco (Criolo / Daniel Ganjaman / Marcelo Cabral / Rodrigo Campos); e Emicida cantou os hits AmarElo (Emicida / Felipe Vassão / Dj Duh) e Hoje Cedo (Emicida e Felipe Vassão)  

Para encerrar o espetáculo, o ato Ainda há tempo? apresentou músicas que questionam o atual estado de espírito do nosso povo, mas deixam uma mensagem de fé e esperança para a sociedade: os clássicos Nada Será Como Antes, do Clube da Esquina (composição de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos), e Carinhoso, de Pixinguinha e João de Barro, juntaram-se aos sucessos Varanda Suspensa, de Céu e Hervé Salters; Menino Mimado, de Criolo; e Principia, de Emicida e Nave.

Nós, por aqui, estamos loucos para uma nova data para este encontro histórico de gigantes!