Canta, canta, minha gente! A Vila é de Martinho!

Por: Novabrasil
28 de abril de 2022
Martinho da Vila no desfile em sua homenagem pela Unidos de Vila Isabel em 2022 | Foto: Alexandre Durão/g1

Dois anos esperando pela festa mais aguardada e celebrada pelos brasileiros. E o desfile do Grupo Especial das Escolas de Samba do Rio de Janeiro não podia encerrar melhor do que com a Unidos de Vila Isabel na avenida neste tão aguardado Carnaval de 2022. Com o enredo Canta, canta, minha gente! A Vila é de Martinho!, a escola carioca homenageou uma das suas figuras mais emblemáticas: o cantor, compositor e escritor Martinho José Ferreira, o grande Martinho da Vila. E deixou a avenida na madrugada deste domingo, 24 de abril, como uma das favoritas, ao lado da Grande Rio, que levou o primeiro lugar.

Confira o samba-enredo: 

  • INTÉRPRETE: Tinga.
  • COMPOSIÇÃO: Evandro Bocão, André Diniz, Dudu nobre, Professor Wladimir, Wanderson Pinguim, Marcelo Valença, Leno Dias e Mauro Speranza.

A história da Unidos de Vila Isabel se confunde com a de Martinho, tanto é que o artista tem um “da Vila” em seu sobrenome artístico. O sambista carioca de 84 anos tem uma relação muito próxima com a escola desde a década de 60, contribuindo decisivamente para a evolução do samba-enredo e tornando o gênero menos denso e mais coloquial ao compor temas originais para a Unidos de Vila Isabel.

Foram eles: Carnaval das Ilusões (samba feito com Gemeu para o desfile da Vila Isabel em 1967), Quatro séculos de modas e costumes (também com Gemeu, 1968), Yayá do cais dourado (com Rodolpho de Souza, 1969), Glórias gaúchas (1970), Onde o Brasil aprendeu a liberdade (1972), Sonho de um sonho (com Rodolpho de Souza e Graúna, 1980, tornando a escola vice-campeã),  Pra tudo se acabar na quarta-feira (1984), Raízes (1987, com Azo e Ovídio Bessa), Gbala – Viagem ao templo da criação (1993), Memórias do Pai Arraia – um sonho pernambucano, um legado brasileiro (2016, com André Diniz, sua filha Mart’nália, Arlindo Cruz e Leonel).

Com o enredo criado pelo artista, Kizomba: A Festa da Raça, Martinho da Vila garantiu à Unidos de Vila Isabel o título do Grupo Especial do ano de 1988. Em 2010, Martinho ganhou como samba-enredo mais uma vez, com Noel: a presença do poeta da Vila, homenageando outro grande compositor de Vila Isabel que celebraria seu centenário naquele ano: Noel Rosa.

Em 2013, quando Martinho completou 75 anos, seu filho Tunico da Vila levou Vila Isabel ao título com o enredo A Vila Canta o Brasil, Celeiro do Mundo. Água no Feijão, que Chegou Mais Um, com samba composto por André Diniz, Arlindo Cruz, Leonel, Martinho da Vila e Tunico da Vila. 

Martinho da Vila também foi intérprete da escola nos anos de 1987 e 1993 e dirigiu a Vila Isabel em 1988. Hoje, é presidente de honra da agremiação.

Internacionalmente reconhecido por sua genialidade como cantor e compositor da MPB, Martinho da Vila tornou-se conhecido do grande público no III Festival da Record, em 1967 (ano em que também compôs o primeiro samba-enredo para a Vila Isabel) quando concorreu com a música Menina Moça. O sucesso veio no ano seguinte, na quarta edição do mesmo festival, lançando a canção Casa de Bamba, um dos maiores clássicos de Martinho. O primeiro álbum, lançado em 1969, intitulado Martinho da Vila, já demonstrava a extensão gigantesca de seu talento.

No desfile deste domingo, que contava a sua belíssima história e trajetória, Martinho da Vila surgiu primeiro na comissão de frente da escola e, depois, cruzou a Sapucaí para aparecer de novo, no chão, ao final do desfile. Nesta ala, estavam com ele amigos e parentes. Sua filha, a cantora e compositora Mart’nália, saiu na bateria da escola. 

Mart’nália tocando xequerê na bateria da Unidos de Vila Isabel — Foto: Reprodução/TV Globo

No Carnaval de São Paulo, em 2018, Martinho já tinha sido tema da Escola de Samba Unidos do Peruche, com o enredo Peruche celebra Martinho: 80 anos do Dikamba da Vila.

Na casa de Martinho da Vila, todo mundo é bamba!

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