Aniversariantes musicais da semana – Parte 2

Lívia Nolla
10:30 05.04.2024
Jornalismo

Aniversariantes musicais da semana – Parte 2

Esta é uma semana recheada de aniversariantes que fazem parte da história da nossa música e, por isso, nós da Novabrasil preparamos uma série especial com três matérias para homenagear cada um deles. Confira a primeira parte aqui, na qual celebramos a existência de Zé Renato, Buchecha, Supla e Sabotage. Ontem, também o aniversário de … Continued

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- 05.04.2024 - 10:30
Aniversariantes musicais da semana – Parte 2
Simoninha | Foto: Alexandre Durão/G1

Esta é uma semana recheada de aniversariantes que fazem parte da história da nossa música e, por isso, nós da Novabrasil preparamos uma série especial com três matérias para homenagear cada um deles.

Confira a primeira parte aqui, na qual celebramos a existência de Zé Renato, Buchecha, Supla e Sabotage.

Ontem, também o aniversário de Cazuza, com uma matéria especial com a história de algumas de suas composições mais famosas.

Hoje, nesta segunda parte da matéria especial com os inúmeros aniversariantes da semana, nós trazemos um pouco sobre a vida e a obra de: Simoninha; Donga; Genival Lacerda; Fausto Nilo; Moacyr Luz; e Duca Leindecker.

Vamos lá?

por Lívia Nolla

Donga | Imagem: Arquivo O Globo
Donga é um dos aniversariantes da semana | Imagem: Arquivo O Globo

Donga – 5 de abril

Há exatos 134 anos, no dia 05 de abril de 1890, nascia – no Rio de Janeiro – Ernesto Joaquim Maria dos Santos, conhecido como Donga, um dos compositores de Pelo Telefone, canção que é considerada o primeiro samba gravado na história da MPB.

O músico, compositor e violonista cresceu em uma família bem musical: o pai era pedreiro e tocava bombardino (instrumento de sopro) nas horas vagas e a mãe fazia parte do grupo das baianas Cidade Nova, cantava modinhas e promovia inúmeras festas musicais.

Donga começou a tocar cavaquinho de ouvido, aos 14 anos, e pouco depois aprendeu a tocar violão. Participava das rodas de música no quintal da casa da lendária Tia Ciata – sambista e mãe de santo considerada por muitos como uma das figuras mais influentes para o surgimento do samba carioca – na Praça Onze. Junto com ele, participavam das rodas nomes como Pixinguinha e João da Baiana.

Em 1916, Donga consagrou a gravação de Pelo Telefone, considerado o primeiro samba gravado na história da nossa música. A canção é uma parceria com o jornalista, teatrólogo e compositor Mauro de Almeida, que Donga também conheceu nas rodas de samba da casa da Tia Ciata.

Pelo Telefone foi registrada primeiramente como sendo de autoria apenas de Donga, que – mais tarde – incluiu Mauro como parceiro. Por ter sido um grande sucesso e devido ao fato de ter nascido em uma roda de samba, de improvisações e criações conjuntas, vários foram os músicos que reivindicaram a autoria da composição.

A letra original de Pelo Telefone que era: “O chefe da folia/ Pelo telefone / Mandou me avisar / Que com alegria / Não se questione / Para se brincar”, foi alterada para a versão mais conhecida hoje em dia: “O Chefe da Polícia / Pelo telefone/ Manda me avisar/ Que na Carioca / Tem uma roleta/ Para se jogar”.

Anos depois, em 1996, Gilberto Gil homenageou os compositores de Pelo Telefone, com a canção Pela Internet, que faz referência a um verso do primeiro samba gravado na história do Brasil e fala dos novos avanços das telecomunicações, que agora passam a contar com aparelhos celulares e internet (ainda discada).

Pela Internet foi a primeira música transmitida em tempo real pela internet no Brasil. “Que o chefe da polícia carioca avisa pelo celular / Que lá na Praça Onze tem um videopôquer para se jogar”

Pouco depois da gravação de Pelo Telefone, em 1919, ao lado de Pixinguinha e outros seis músicos, Donga integrou, como violonista, o grupo Oito Batutas, que excursionou pela Europa em 1922.

Ao lado de Pixinguinha, Donga também formou a Orquestra Típica Donga-Pixinguinha, entre as décadas de 1920 e 1930. Em 1926, ele integrou a banda Carlito Jazz e, em 1940 gravou nove composições – entre sambas, toadas, macumbas e lundus – do disco Native Brazilian Music, lançado nos Estados Unidos e organizado por dois maestros: o norte-americano Leopold Stokowski e o brasileiro Heitor Villa-Lobos.

Donga viveu seus últimos dias no Retiro dos Artistas, falecendo em 1974, aos 84 anos.

Genival Lacerda | Foto: Alexandre Belém/JC Imagem/Estadão Conteúdo/Arquivo
Genival Lacerda é um dos aniversariantes da semana | Foto: Alexandre Belém/JC Imagem/Estadão Conteúdo/Arquivo

Genival Lacerda – 05 de abril

Genival Lacerda nasceu em Campina Grande, na Paraíba, em 05 de abril de 1931, e – se não tivesse nos deixado em janeiro de 2021, por conta de complicações causadas pela Covid-19 – estaria completando 93 anos nesta semana.

O cantor e compositor paraibano foi um dos maiores nomes do forró e teve, entre seus principais sucessos: Severina Xique Xique; Roque do Jegue (De quem é esse jegue?) (composição de Bráulio de Castro e Célio Roberto); Radinho de Pilha (composição de Namd e Graça Góis); Quem dera (parceria com Nando Cordel); Mate o Véio Mate e Galeguim do Zói Azu (também parcerias com João Gonçalves); Caldinho de Mocotó (com Cecílio Nena e Niceas Drumont).

Na década de 50, foi morar em Pernambuco e, em 1955, gravou seu primeiro disco de 78 rotações por minuto, obtendo sucesso com a faixa Coco de 56. Em 1964, incentivado por Jackson do Pandeiro, seu concunhado, foi para o Rio de Janeiro, onde trabalhou em casas de forró e chegou a gravar um LP.

Contudo, o sucesso só chegou mesmo em 1975, com a música Severina Xique-Xique, cujo verso “ele tá de olho é na butique dela” tornou-se o mais popular do compositor. Graças a essa composição de sua autoria e de João Gonçalves, ele vendeu cerca de 800 mil cópias.

Ao todo foram mais de 70 álbuns – entre compactos, LPs e CDs – no decorrer de mais de 70 anos de carreira, sempre com canções que traziam muito bom-humor e irreverência.

Fausto Nilo | Foto: Reprodução
Fausto Nilo é um dos aniversariantes da semana | Foto: Reprodução

Fausto Nilo – 05 de abril

Nascido em Quixeramobim, no Ceará, em 5 de abril de 1944, Fausto Nilo completa 80 anos em 2024 e é um dos compositores mais produtivos da música popular brasileira de todos os tempos, com mais de 400 composições registradas em seu nome.

O artista fez parte – junto com nomes como Fagner e Belchior – do chamado “Pessoal do Ceará”, uma turma de jovens artistas e intelectuais cearenses que despontaram no cenário cultural brasileiro no início dos anos 70, dando origem a um dos mais importantes movimentos da música contemporânea do país.

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Fausto deixou a cidade natal aos 11 anos de idade e foi para a capital, Fortaleza, onde se formou na Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Ceará. Como arquiteto, concebeu o Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza, junto com o também arquiteto cearense Delberg Ponce de Leon.

Em 1971, mudou-se para Brasília e, depois, para São Paulo e Rio de Janeiro, como a grande maioria dos artistas que formavam o Pessoal do Ceará.

Fausto Nilo teve sua primeira composição gravada em disco pelo conterrâneo Fagner: a canção Fim do Mundo, parceria dos dois, que entrou para o compacto Cavalo Ferro, de 1972.

Entre os maiores sucessos compostos por Fausto Nilo – que também tem três álbuns gravados como cantor – estão as canções clássicas: Bloco do Prazer (parceria com Moraes Moreira); Pedras Que Cantam (com Dominguinhos); Dezembros (com Fagner e Zeca Baleiro); Dona da Minha Cabeça (com Geraldo Azevedo); Eu Também Quero Beijar (com Pepeu Gomes); Zanzibar (As Cores) (com Armandinho) e Palavras e Silêncios (com Zeca Baleiro).

Moacyr Luz | Foto: Leo Aversa / Divulgação
Moacyr Luz é um dos aniversariantes da semana | Foto: Leo Aversa / Divulgação

Moacyr Luz – 05 de abril

Nascido no Rio de Janeiro, em 05 de abril de 1958, Moacyr Luz – que completa 66 anos nesta semana – é outro importante compositor da música popular brasileira, com centenas de composições já gravadas pelos principais nomes da nossa música, como Maria Bethânia, Nana Caymmi, Beth Carvalho e Gilberto Gil.

Destaca-se a forte e constante parceria do violonista e compositor com Aldir Blanc – com quem escreveu dezenas de canções, como: Mico Preto, Dona de Mim e Coração do Agreste – além de outras parcerias com nomes como Martinho da Vila, Zeca Pagodinho, Teresa Cristina, Wilson das Neves, João Donato e Zélia Duncan.

Moacyr possui diversos álbuns lançados, trazendo em cada trabalho importantes referências à Música Brasileira: alguns trazerem um caráter acústico e lírico às canções, outros fusões de ritmos, outros priorizam o samba, outros trazem arranjos intimistas e mais sofisticados, outros homenageiam grandes mestres… mas todos têm em comum a excelente recepção da crítica.

Seu álbum de estreia levou o seu nome, em 1988 e o trabalho mais recente foi lançado em 2023, Mapa dos Rios, em parceria com Pierre Aderne.

Duca Leindecker | Imagem: Divulgação
Duca Leindecker é um dos aniversariantes da semana| Imagem: Divulgação

Duca Leindecker – 05 de abril

Nascido em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, em 5 de abril de 1970, o cantor, compositor, escritor e multi-instrumentista Duca Leindecker iniciou a carreira aos 13 anos, foi líder da banda de rock Cidadão Quem e também formou um duo com Humberto Gessinger, líder do Engenheiros do Hawaii, chamado Pouca Vogal.

Completando 54 anos hoje, Duca é responsável por dois grandes sucessos de Tiago Iorc: Dia Especial e Música Inédita – gravada por Tiago em parceria com Maria Gadú – e também é parceiro do artista em outras composições, como Bilhete e Laços.

De ascendência alemã, é multi-instrumentista, tendo sido escolhido pela crítica especializada como o melhor guitarrista do ano por três temporadas consecutivas. Aos dezessete anos gravou um disco solo e, no início dos anos 90, foi convidado por Bob Dylan para fazer a abertura dos seus shows no Brasil.

Com a banda Cidadão Quem, lançou sete álbuns e participou do Rock in Rio III. Em 1999, publicou seu primeiro livro A Casa da Esquina e, em 2002, lançou o segundo, A favor do vento. Em 2013, lançou o terceiro livro: O Menino que Pintava Sonhos.

Lançou – em 2013 – seu álbum solo intitulado Voz, Violão e Batucada. Em 2015, lançou seu primeiro DVD solo, Plano Aberto e em 2018, foi a vez do álbum Baixar Armas, e em 2020, Próximo Céu. O álbum mais recente é de 2023, Duda Leindecker Pedidos (Ao Vivo).

Simoninha | Foto: Alexandre Durão/G1
Simoninha é um dos aniversariantes da semana | Foto: Alexandre Durão/G1

Simoninha – 06 de abril

Nascido Wilson Simonal Pugliesi de Castro, em 06 de abril de 1964, Simoninha completa 60 anos nesta semana!

O músico, cantor, compositor, produtor e diretor musical paulistano nos brinda com seu talento, carisma e alto astral e carrega em sua história uma bagagem imensa no que diz respeito à experiência musical, desde o dia em que nasceu.

É filho de um dos maiores artistas que este país já conheceu, o grande Wilson Simonal e irmão do também cantor, compositor e produtor musical, Max de Castro, com quem possui vários projetos musicais em parceria, como o Baile do Simonal – uma grande celebração à obra do pai – e Os Filhos dos Caras, em que – juntos com outros filhos de grandes nomes da nossa música – celebram a contribuição dos seus pais para a história da MPB: Jair Oliveira e Luciana Mello, filhos de Jair Rodrigues; e Léo Maia, filho de Tim Maia.

Em 2018, Wilson Simoninha e Max de Castro ganharam juntos um Kikito de Melhor Trilha Sonora no Festival de Gramado, pelo filme Simonal, que conta a história do seu pai e de sua família.

Com cinco discos de estúdio, dois ao vivo, e vários singles, Simoninha traz em seu trabalho influências da bossa nova, do soul e do pop. O primeiro álbum – Volume 2 – foi lançado no ano 2000, e o single mais recente – Caramelo – é de 2023.

Em breve, voltamos com a Parte 3 dos Aniversariantes Musicais da Semana.

Viva tantos aniversariantes musicais!

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