Amigo é coisa pra se guardar, do lado esquerdo do peito, dentro do coração. Assim falava a canção que Fernando Brant compôs ao lado do amigo Milton Nascimento, em 1979.

Autor desse e de muitos outros clássicos da nossa MPB, o compositor mineiro Fernando Brant integrou, nas décadas de 60 e 70, o Clube da Esquina, ao lado de – além de Milton – outros mineiros como Lô e Márcio Borges, Wagner Tiso, Tavinho Moura e Beto Guedes.

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Um dos maiores e mais importantes movimentos da história da música popular brasileira, a sonoridade inovadora do Clube da Esquina trazia a fundição das inovações propostas pela Bossa Nova com elementos do jazz, do rock (principalmente dos ingleses The Beatles), da música folclórica, da música regional mineira, erudita e hispânica.

Essas influências permeiam todo o trabalho musical do Clube: desde a composição, aos arranjos, às letras, processos de gravação em estúdio e shows. Logo, o grupo tornou-se referência de qualidade na MPB, pelo alto nível de sua performance, e por disseminar suas inovações e influência nacional e internacionalmente.

Nascido em Caldas, Minas Gerais, em 1946, Fernando Brant era ávido leitor e cinéfilo, o que o fez tornar-se um grande poeta. Estudou Direito e trabalhou como jornalista, até que conheceu Milton Nascimento, em 1966, que o convidou para colocar letra – pela primeira vez – em uma melodia sua. Dessa parceria, nasceu um dos maiores clássicos da música popular brasileira de todos os tempos: a canção Travessia, (“Solto a voz nas estradas, já não quero parar. Meu caminho é de pedra, como posso sonhar?”), lançada no ano seguinte e ficando em segundo lugar no II Festival Internacional da Canção do Rio de Janeiro.

Depois do sucesso de Travessia, Fernando Brant tornou-se um dos grandes compositores da nossa música e escreveu clássicos com diversos parceiros. Só com Milton Nascimento, por exemplo, compôs mais de 200 canções, entre elas os imensos sucessos: Maria, Maria; San Vicente; Ponta de Areia; Nos Bailes da Vida; O Que Foi Feito Devera; Bola de meia, Bola de gude; Raça; Encontros e Despedidas; Canções e Momentos; e Coisas da Vida.

Outras composições importantes de Fernando Brant são: Para Lennon e McCartney (parceria com Lô e Márcio Borges); Paisagem da Janela (parceria com Lô Borges); e O Medo de Amar É O Medo de Ser Livre (com Beto Guedes).

O compositor mineiro também criou roteiros e letras para espetáculos de balé e teatro, trilhas de filmes e novelas. Criou, ao lado de Tavinho Moura, o musical brasileiro Fogueira do Divino. Nos anos 80, passou também a presidir a União Brasileira de Compositores, atuando na defesa de direitos autorais. E, em 2012, lançou o livro de crônicas Casa Aberta.

Mas… quem cantava chorou, ao ver seu amigo partir. Fernando Brant partiu em 12 de junho de 2015 – há exatos 7 anos – aos 68 anos, em decorrência de complicações após uma cirurgia de transplante de fígado.

Quando você foi embora, Fernando Brant, fez-se noite em nosso viver. Mas sua memória é viva e eterna, e está guardada do lado esquerdo do peito de cada brasileiro e brasileira, como falava a sua canção.

 

Pois seja o que vier, venha o que vier, qualquer dia, amigo, a gente volta a se encontrar!