Esta primeira semana do mês de agosto é recheada de aniversariantes da MPB especiais que fizeram e ainda fazem história na música popular brasileira, de gerações diferentes e estilos variados, cada um da sua maneira.

Vamos falar um pouquinho de cada um deles?

1- Gaby Amarantos

Uma das grandes aniversariantes da MPB de agosto é Gaby Amarantos. Nascida em Belém, no Pará, em 01 de agosto de 1978, Gabriela Amaral dos Santos, conhecida como Gaby Amarantos, é uma artista plural: cantora, compositora, apresentadora e atriz.

Completando 44 anos hoje, Gaby ajudou a trazer visibilidade para a música paraense, sempre fortalecendo muito as suas raízes e a cultura do seu estado. Foi uma das responsáveis por popularizar o Tecnobrega, estilo de bastante destaque no norte do país.

A artista iniciou sua carreira como cantora no coral da Paróquia de Santa Teresinha do Menino Jesus, depois passou a apresentar-se em bares de Belém e conquistou grande êxito na música paraense com a Banda Tecno Show, que unia o tecnobrega a estilos tradicionais da cultura da região Norte como o carimbó e o calypso.

Foi vocalista e líder da banda de 2002 a 2009 e com ela lançou dois álbuns e três DVDs, antes de partir para uma carreira solo de muito sucesso e muito premiada. 

Em 2012, lançou seu primeiro disco solo, Treme, com os super hits Ex Mai Love (de Veloso Dias) e Xirley (Zé Cafofinho/Original DJ Copy/Chiquinho/Marcelo Machado/Hugo Gila), além de composições suas como Gemendo. O álbum teve a participação de Dona Onete e Fernanda Takai.

Em 2021, após quase 10 anos do sucesso do primeiro álbum, Gaby Amarantos lançou seu segundo trabalho em estúdio; Purakê, uma alusão ao peixe elétrico pré-histórico da Amazônia, cuja voltagem chega a 860 volts, enfatizando a eletricidade natural que a cantora considera uma característica de toda sua força e representatividade como mulher e cantora brasileira. O álbum conta com participações de Ney Matogrosso, Elza Soares, Alcione, Dona Onete e Liniker.

Na TV, Gaby já foi técnica do programa The Voice Kids, apresentadora do Saia Justa, no canal GNT, e atriz na novela Além da Ilusão, da Rede Globo. 

2- Nilo Romero

Outro nome que está entre os aniversariantes da MPB da semana é Nilo Romero. Nilo nasceu no Rio de Janeiro, em 1º de agosto de 1960. O baixista, compositor e produtor musical completa 62 anos hoje.

Começou sua trajetória profissional em 1982 e – ao longo de sua carreira – atuou em shows e gravações com diversos artistas, como Ritchie, Cazuza, Kid Abelha, Leo Jaime, Marina Lima, Paulinho Moska, Paulo Ricardo e Ana Carolina

Romero é compositor de músicas muito importantes da música popular brasileira como Brasil,  Solidão que Nada, Blues do Ano 2000 (todas parcerias com Cazuza e George Israel), A Seta e o Alvo e Paixão e Medo (com Paulinho Moska), (com Cazuza e George Israel).

Como produtor musical, foi responsável por discos de Cazuza, Kid Abelha, Leo Jaime, Marina Lima, Paulinho Moska, Paulo Ricardo e Engenheiros do Hawaii e Ana Carolina.   Também dividiu a produção do álbum Ideologia com Cazuza e Ezequiel Neves e foi o último a dirigir Cazuza no palco.

3- Naná Vasconcelos

Eleito oito vezes o melhor percussionista do mundo pela revista americana Down Beat e ganhador de oito prêmios Grammy (entre latinos e estadunidenses), Naná Vasconcelos é considerado uma autoridade mundial em percussão. Naná também é uma das aniversariantes da MPB da semana.

Nascido em Recife, em 2 de agosto de 1944,  Naná teve o primeiro contato com instrumentos de percussão aos 7 anos, quando foi chamado pelo próprio pai para tocar bongô e maracas em um conjunto do Recife. 

Aprendeu a tocar sozinho ainda na infância, batucando em panelas e penicos e, autodidata, tocava quase todos os instrumentos de percussão, sem jamais ter frequentado nenhuma escola de música. Aos 12 anos, já se apresentava profissionalmente em bares e clubes do Recife.

Em 1967, mudou-se para o Rio de Janeiro onde gravou dois LPs com Milton Nascimento. No ano seguinte, viajou com Geraldo Azevedo para São Paulo, para participar do Quarteto Livre, que acompanhou Geraldo Vandré no III Festival Internacional da Canção.

Depois disso, Naná iniciou uma longa carreira internacional, tendo atuado com artistas como B.B. King, David Byrne e Bjork, além de Egberto Gismonti. 

Grande valorizador da cultura negra e de todas as influências afro-brasileiras, Naná Vasconcelos era considerado um virtuoso no berimbau. Adepto de métricas pouco usuais no jazz, mas muito tocadas no nordeste brasileiro, chamou a atenção do mundo inteiro com as possibilidades do seu genial e nada convencional berimbau, até então usado apenas na capoeira, e empenhou-se em explorar todas as potencialidades do instrumento.

Gravou mais de 20 discos durante sua próspera carreira, além de ter composto trilhas sonoras para o cinema, sido produtor musical e uma importante liderança em eventos musicais e projetos sociais.

Em março de 2016, Naná Vasconcelos nos deixou, aos 71 anos de idade, após uma parada respiratória em decorrência de complicações causadas por um câncer no pulmão.

4- Paulo Sérgio Valle

Nascido no Rio de Janeiro, em 6 de agosto de 1940, e com cerca de 900 músicas registradas, o compositor e letrista Paulo Sérgio Valle, é autor de grandes clássicos da música popular brasileira, além de ser diretor-presidente da União Brasileira de Compositores – UBC, e irmão do cantor, compositor e instrumentista Marcos Valle.

Completando 82 anos hoje, Paulo Sérgio começou sua carreira compondo bossa nova quando, em 1964, compôs – junto com o irmão – a música Samba de Verão que se tornaria – ao lado de Garota de Ipanema (de Vinicius de Moraes e Tom Jobim) e Aquarela do Brasil (de Ary Barroso) – uma das três canções brasileiras mais famosas no exterior.

Depois disso, Paulo Sérgio ganhou projeção e passou a fazer letras para diversos outros compositores, tornando-se um letrista importante em todos os segmentos da música brasileira. 

Com o irmão Marcos Valle, também fez:

  • O samba-canção Preciso Aprender a Ser Só (1964, sucesso na voz de Elis Regina no ano seguinte);
  • Participou de festivais com Viola Enluarada (1968);
  • Sentenciou que negro é lindo no soul Black is Beautiful (1971, também sucesso na voz de Elis);
  • Lançou a sofrência em Paixão Antiga (1988, sucesso da discografia de Tim Maia);
  • Poetizou sobre questões sociais em Capitão da Indústria (de 1996, mas sucesso com Os Paralamas do Sucesso, em 1996);
  • Também é deles a canção Mustang Cor de Sangue, sucesso na voz de Wilson Simonal, de 1969.

Outro imenso hit é Evidências (de 1989, parceria com José Augusto – virou hit quando foi gravada pela dupla Chitãozinho & Xororó em 1990).]

Paulo Sérgio Valle fez versos para músicas de:

  • Michael Sullivan (Abandonada, sucesso de Fafá de Belém em 1996);
  • Herbert Vianna (Se Eu Não Te Amasse Tanto Assim, balada lançada por Ivete Sangalo em 1999 e Aonde Quer Que Eu Vá, lançada pelos Paralamas em 2000);
  • e Chico Roque, com quem assinou Essa Tal Liberdade (sucesso lançado em 1994, pelo grupo de pagode Só pra Contrariar), e Você Me Vira a Cabeça (Você Me Tira do Sério), de 1994, mas que virou hit de Alcione em 2001.

É dele também (em parceria com Duda Mendonça, Jota Moraes e Ribeiro) a bela Cheiro de Amor (de 1995, mas sucesso na voz de Maria Bethânia em 2005); e a versão No Fundo do Coração, da canção Truly, Madly, Deeply (de Darren Hayes e Daniel Jones), sucesso na voz de Sandy e Júnior, em 1998.

5- Johnny Hooker

Nascido em Recife (PE), em 6 de agosto de 1987, Johnny Hooker é um dos grandes nomes da nova geração de artistas da música popular brasileira e um dos aniversariantes da MPB da primeira semana de agosto.

O cantor, compositor, ator e roteirista – que completa 35 anos hoje – . despontou de vez no cenário nacional com o sucesso do seu primeiro álbum Eu Vou Fazer Uma Macumba pra Te Amarrar, Maldito!, de 2015, que rendeu o Prêmio da Música Brasileira de Melhor Cantor e produziu singles como Amor Marginal e Alma Sebosa, ambos trilhas de novelas da TV Globo: Babilônia (2015) e Geração Brasil (2014), da qual Johnny também participou como ator . O álbum atingiu o 1º lugar do Deezer e Itunes na semana do lançamento.

Antes disso. Johnny já tinha sido indicado na categoria Revelação, do Prêmio Multishow de Música Brasileira, em 2011, e – em 2013 – teve participação na trilha sonora do longa Tatuagem, de Hilton Lacerda, onde faz ainda uma aparição cantando a música tema do filme.

Seu segundo álbum solo Coração, gerou uma aclamada participação no Rock in Rio 2017, além dos singles de sucesso Flutua – com participação de Liniker, que tornou-se um importante hino da luta contra a homofobia, e Corpo Fechado, com a participação de Gaby Amarantos.

A turnê de Coração passou duas vezes pela Europa, em países como Inglaterra, Irlanda, Espanha, Alemanha e Portugal (onde tocou na Parada LGBTQ para mais de 25 mil pessoas). 

Em 2022, lançou o terceiro álbum de estúdio – Orgia – inspirado no livro Orgia – Diários de Tulio Carella – Recife, 1960, com 13 faixas para serem ouvidas em sequência como um álbum-filme.

Viva os aniversariantes da MPB da semana!