Hoje, dia 25 de julho, nós temos três aniversariantes especiais para celebrar! Três nomes que fizeram história e mudaram o curso da nossa música popular brasileira para sempre: Marília Medalha, Sueli Costa e Nelson Sargento.

A Novabrasil vai te contar um pouco mais sobre a vida e a obra de cada um deles, para que você entenda do que estamos falando!

Sueli Costa, Nelson Sargento e Marília Medalha | Foto: Divulgação/Montagem.

01 – Sueli Costa

A cantora, compositora e instrumentista carioca completa 79 anos hoje, dia 25 de julho. Sueli Costa nasceu em uma família de músicos – sua mãe tocava piano e dava aulas de canto coral – e foi nesse ambiente que aprendeu sozinha a tocar violão na adolescência, ao lado dos irmãos.

Foi morar em Juiz de Fora, onde mais tarde fez faculdade de Direito. Aos 18 anos, escreveu a sua primeira composição – Balãozinho – já em estilo bossa-nova, que estava no auge na época, depois do lançamento de Chega de Saudade, canção de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, tocada de forma inovadora por João Gilberto em seu disco com o mesmo nome, de 1959.

Pouco tempo depois, Sueli Costa firmou-se como grande compositora, passou a compor trilhas para teatro, participar de festivais e teve canções suas gravadas por importantes nomes da MPB como:

  • Nara Leão (Por Exemplo Você, parceria com João Medeiros Filho, no disco Nara, de 1967);
  • Maria Bethânia (Assombrações, parceria com Tite de Lemos, no disco Rosa dos Ventos, de 1971);
  • e Elis Regina (Vinte Anos Blues, parceria com Vítor Martins, no disco Elis, de 1972).

Com o sucesso batendo à porta, Sueli foi contratada pela gravadora EMI e gravou o seu primeiro disco – Sueli Costa – em 1975, com produção de Gonzaguinha e arranjos de Paulo Moura e Wagner Tiso.

Dois anos depois, veio o segundo LP, com produção de João Bosco e Aldir Blanc, e até hoje já foram oito álbuns de sucesso lançados, sendo o mais recente de estúdio lançado em 2007, além de um disco ao vivo em 2018.

Os parceiros mais importantes de Sueli Costa no início da carreira foram Cacaso e Tite de Lemos. Depois, ela fez parcerias de sucesso com Aldir Blanc, Ana Terra, Paulo César Pinheiro e Abel Silva, com quem consagrou sua parceria mais produtiva.

Outras grandes canções consagradas de Sueli Costa são:

  • Coração Ateu;
  • Dentro de Mim Mora um Anjo (parceria com Cacaso);
  • Primeiro Jornal;
  • Vida de Artista
  • e Jura Secreta (todas parcerias com Abel Silva).

Sueli também já foi gravada por outros grandes nomes como Ney Matogrosso, Simone, Fagner, Beth Carvalho e Fafá de Belém.

02 – Marília Medalha

Nascida em Niterói, no Rio de Janeiro, a cantora e compositora Marília Medalha completa 78 anos hoje, dia 25 de julho.

Marília Iniciou sua carreira artística na década de 1960, apresentando-se em sua cidade natal, ao lado de Tião Neto e Sérgio Mendes.

Em 1965, participou, em São Paulo, da montagem de Arena Conta Zumbi, peça teatral de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri. Por sua atuação, foi contemplada com o prêmio de Atriz Revelação do ano, conferido pela Associação Paulista de Críticos Teatrais

Dois anos depois, em 1967, a cantora participou do antológico III Festival de Música Popular Brasileira, na TV Record, interpretando – com Edu Lobo – a música Ponteio (de Edu Lobo e Capinam), classificada em 1º lugar. Gilberto Gil ficou em 2º lugar com Domingo no Parque e Caetano Veloso em 3º, com Alegria Alegria.

A partir da apresentação de Ponteio, a carreira de Marília Medalha foi ganhando cada vez mais projeção. No mesmo ano, ela gravou seu primeiro disco – chamado Marília Medalha –  e, no ano seguinte, participou de mais uma edição do Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, classificando em segundo lugar a canção Memórias de Marta Saré (de Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri). 

Ainda em 1968, se classificou em 3º lugar na I Bienal do Samba, também da TV Record, com a canção Pressentimento (de Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho), incluída no segundo álbum de Marília,  lançado nesse mesmo ano. 

Em 1970, a cantora se apresentou com Vinicius de Moraes e Toquinho em um espetáculo que gerou o LP Como Dizia o Poeta – Vinicius, Toquinho e Marília Medalha, com parcerias de Vinicius com Marília, como as canções Valsa Para o Ausente e O Grande Apelo

Nos dois anos seguintes, Marília Medalha excursionou pelo exterior com Vinicius e Toquinho e, em 1972, lançou o disco Encontro e Desencontro – Marília Medalha e Vinicius de Moraes, em que registrou exclusivamente canções de sua autoria com letras do poeta, como: Se o Amor Pudesse e Mr. Toquinho. Nesse mesmo ano, gravou o LP Caminhada, que incluiu composições próprias e de outros autores.

Em 1974, Marília participou – ao lado de Zé Kéti e João do Vale – da nova montagem do emblemático show Opinião, de Oduvaldo Vianna Filho, Paulo Pontes e Armando Costa, e dirigida por Bibi Ferreira, realizada no Teatro Opinião do Rio de Janeiro.

A primeira versão do espetáculo havia sido montada 10 anos antes, e encenada por Maria Bethânia, Zé Keti e João do Vale, com direção de Augusto Boal, no Teatro de Arena, em São Paulo. Bethânia entrou na montagem para substituir Nara Leão – que teve um problema nas cordas vocais – e ali, com 19 anos, iniciou sua trajetória brilhante na MPB.

Depois disso, Marília Medalha lançou mais dois discos, sendo o último, Bodas de Vidro, em 1992.

03 – Nelson Sargento

Se não tivesse nos deixado em maio de 2021, em decorrência de complicações causadas pela Covid-19, o sambista, compositor, cantor, pesquisador de música popular brasileira, artista plástico, ator e escritor Nelson Sargento estaria completando 98 anos no dia de hoje, dia 25 de julho.

Nascido Nelson Mattos, no Rio de Janeiro de 1924,  ganhou o apelido artístico “Sargento” por conta da patente que alcançou por ter servido no Exército Brasileiro na segunda metade dos anos 1940. 

Nelson Sargento morou no Morro da Mangueira desde os 12 anos de idade e tornou-se um dos principais sambistas de todos os tempos da Estação Primeira de Mangueira, escola que integrou e presidiu a Ala de Compositores, bem como se tornou Presidente de Honra.

No Carnaval de 1949, Sargento venceu a seletiva de sambas-enredo da Mangueira com Apologia ao Mestre, parceria com seu padrasto Alfredo Lourenço, e escola de samba se consagrou campeã do desfile daquele ano.

A parceria rendeu, para o desfile seguinte, o samba-enredo Plano SALTE – Saúde, Lavoura, Transporte e Educação, que garantiu um novo campeonato à escola.

Em 1955, Nelson e Alfredo Lourenço compuseram o samba-enredo As Quatro Estações do Ano ou Cântico à Natureza, considerado um dos mais belos sambas-enredo já realizados.

Três anos depois, Nelson foi eleito presidente da Ala de Compositores da Mangueira, posição que lhe permitiu maior convivência e aprendizado com os sambistas veteranos da escola, como Carlos Cachaça, Saturnino, Aluisio Dias, Babaú e, principalmente, Cartola, de quem se tornaria um discípulo ao guardar na cabeça os versos que o mestre compunha de maneira descompromissada, além de completar outras das suas composições.

Nelson, inclusive, ganhou notabilidade como cantor no Zicartola, famoso restaurante de Cartola no Rio de Janeiro, onde se apresentava em meados dos anos 60. Pouco depois, integrou os conjuntos A Voz do Morro e Os Cinco Crioulos.

Aos poucos, algumas de suas composições passaram a ser gravadas por artistas como Paulinho da Viola, que lançou Minha Vez de Sorrir (parceria de Sargento com Batista da Mangueira), em 1971, e Falso Moralista, em 1972, dois dos sambas mais conhecidos de Nelson.

Em 1978, Beth Carvalho lançou Agoniza Mas Não Morre, que se tornou a composição de maior sucesso do sambista. 

Ao longo da sua vida, Nelson Sargento compôs mais de 400 canções. Somente em 1979, aos 55 anos, Sargento gravou o seu primeiro álbum solo: Sonho de Sambista.

Além da carreira musical, Nelson foi artista plástico e poeta, tendo publicado os livros Prisioneiro do Mundo e Um Certo Geraldo Pereira. Também fez participações nos filmes O Primeiro Dia e Orfeu.

Um viva a estes grandes aniversariantes da MPB do dia 25 de julho!