Na data de hoje, há exatos 22 anos, o Brasil se despedia de uma das maiores vozes da música popular brasileira de todos os tempos: Wilson Simonal.

Sua exímia qualidade vocal e rítmica, seu carisma, presença de palco e domínio do público lhe garantiram um estrondoso sucesso durante as décadas de 60 e 70 e o colocaram entre os gigantes da nossa MPB.

O cantor e compositor era um artista completo – um showman – que regia uma plateia de 30 mil pessoas como se fossem parte de seu coro e transformava em hit tudo o que gravava. Foi eleito a quarta maior voz brasileira de todos os tempos, segundo lista da Revista Rolling Stone Brasil de 2012.

A forma magistral como misturou a bossa nova e o samba com a nascente música soul americana, o jazz, a música de protesto e o rock iê-iê-iê que já se fazia por aqui na época – criando um som que era diferente de tudo isso e sem perder a qualidade (que ele próprio definia como algo que se comunicasse melhor com as massas, com bom gosto e popularidade) – constituiu-se em um movimento que foi chamado futuramente de Pilantragem. Por isso, ficou conhecido como Rei da Pilantragem ou Rei do Swing.

Entre os maiores sucessos em sua voz estão: Meu Limão, Meu Limoeiro (música tradicional adaptada por José Carlos Burle); Sá Marina (de Antônio Adolfo e Tibério Gaspar); País Tropical (de Jorge Ben Jor); Carango (de Carlos Imperial e Nonato Buzar); Nem Vem Que Não Tem e Mamãe Passou Açúcar em Mim (ambas de Carlos Imperial); Vesti Azul (de Nonato Buzar); e Tributo a Martin Luther King (de Simonal em parceria com Ronaldo Bôscoli, que tornou-se um grande hino de combate ao preconceito racial).

Apesar do estrondoso sucesso inicial, Simonal terminou a vida no ostracismo e tentando provar que não tinha nenhuma ligação como informante do DOPS, quando – no auge de sua carreira e em tempos duros de regime militar – envolveu-se com agentes da polícia para tentar dar um susto em seu contador, pelo qual desconfiava que estava sendo roubado. 

A mídia e a classe artística da época passaram a boicotar Simonal, que não conseguiu (em vida) provar que não tinha envolvimento com os órgãos repressores, que prendiam e torturavam os seus colegas artistas, mas que – sim – tinha cometido um erro e pagado pelos crimes a que foi condenado ao ter participação no sequestro e tortura sofridos por seu contador.

Infelizmente, Wilson Simonal nos deixou aos 62 anos, por complicações provenientes do alcoolismo que passou a enfrentar por cair no esquecimento e ter sua brilhante carreira destruída.

Em maio de 1969 os cantores Wilson Simonal e Milton Nascimento durante ensaio para o programa “Show em Si… monal” em São Paulo. / Foto: Estadão Acervo

Mas seu legado continua vivíssimo, tanto em suas canções maravilhosas, como em seus dois talentosos filhos – Simoninha e Max de Castro –  que tanto lutaram para provar a inocência do pai e, em 2003, conseguiram que Simonal fosse moralmente reabilitado pela Ordem dos Advogados do Brasil, em julgamento simbólico.

Sua vida virou filme (que nos mostra o quanto o racismo teve influência no julgamento imperdoável que Simonal sofreu por parte da mídia, da classe artística e da opinião pública no auge de sua carreira), musical, livro e especial comandando pelos seus filhos – o maravilhoso Baile do Simonal!

 

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