No dia de hoje, completamos 22 anos sem o grande João Nogueira. O cantor e compositor carioca foi um dos maiores sambistas de todos os tempos e nos deixou em 5 de junho de 2000, aos 58 anos, vítima de um infarto fulminante.

João Batista Nogueira Júnior nasceu no bairro do Méier, no Rio de Janeiro, e teve contato com o samba desde muito novo. Seu pai – que lhe ensinou a tocar violão ainda criança – era violonista. Chegou a tocar com Noel Rosa e tinha amizade com grandes nomes do samba como Pixinguinha, Jacob do Bandolim e Donga. 

Mas o pai faleceu quando João Nogueira tinha apenas dez anos de idade e ele teve que ir trabalhar com outras coisas para ajudar no sustento da casa. Começou a fazer música aos 15 anos, com sua irmã, a compositora Gisa Nogueira.

Foto: Reprodução

Em 1958, passou a freqüentar o Bloco Carnavalesco Labareda do Méier – do qual, mais tarde, veio a ser diretor – e a compor os sambas para o bloco. Em 1968, gravou a sua primeira composição, Espere, Ó Nega, acompanhado por um conjunto de samba que, depois, passaria a ser chamado de Nosso Samba

Não demorou muito para que suas composições começassem a despertar a atenção de grandes nomes da música. Nessa época, conheceu Paulo César Valdez, que o levou até a sua mãe, a grande cantora Elizeth Cardoso, gravou a composição de João Nogueira, Corrente de Aço, em 1969.  Em 1971, Clara Nunes grava seu samba em parceria com a irmã Gisa Nogueira, Meu Lema; e Eliana Pittman faz muito sucesso, chega aos primeiros lugares nas rádios e ganha repercussão internacional com sua composição Das 200 Pra Lá.

Antes de lançar o seu primeiro disco solo, João Nogueira ainda gravou um LP coletivo intitulado Quem Samba Fica. Na contracapa, o locutor e descobridor de talentos Adelzon Alves  dizia: “É mais um João que veio diferente no cantar samba e fazer verso. É mais uma reza forte nas quebradas, meu compadre.”. 

No ano de 1972, João Nogueira lançou seu disco de estreia, que trazia seu nome como título e trazia suas composições: Alô Madureira, Morrendo em Versos, Beto Navalha, Mariana da Gente, Meu Caminho e Blá, Blá, Blá.

Mas foi com o lançamento do disco E Lá Vou Eu, em 1974, e a gravação do sucesso Batendo à Porta, sua parceria com Paulo César Pinheiro – seu parceiro mais constante – que o som do artista estourou em todo o Brasil.

A partir daí, João Nogueira trilhou uma carreira de sucesso, tornando-se uma das principais referências do samba em todo o Brasil. Com sua voz potente, forma de frasear muito própria e suas composições brilhantes – muitas delas em parceria com Paulo César Pinheiro – cantou sobre diversos temas mesclando humor, amor, sensibilidade, política e crítica social, em seus 18 discos de carreira.

Entre seus maiores sucessos, estão as canções: Espelho (escrito em homenagem ao seu pai, em 1977); Além do Espelho (de 1992, que – com a repetição do famoso verso “meu medo maior é o espelho se quebrar” – foi dedicado aos seus filhos); Poder da Criação, Súplica, Clube do Samba, Do Jeito Que o Rei Mandou, Um Ser de Luz, Guerreira, Mineira e Minha Missão.

 

Em 1979, preocupado com a desvalorização do samba no cenário musical brasileiro, João fundou o Clube do Samba, com a participação de sua irmã Gisa; do escritor, pesquisador e jornalista Sérgio Cabral; de Paulo César Pinheiro; da cantora Clara Nunes e de outros nomes de peso do samba. A primeira sede do Clube foi na casa de João Nogueira, no Méier. 

Entre as atividades do Clube do Samba estava a produção de um jornal com notícias sobre o samba e a realização periódica de um baile, frequentado por grandes nomes do gênero, como Beth Carvalho, Martinho da Vila, Chico Buarque e Paulinho da Viola. Em pouco tempo, o Clube se transformou em um bloco carnavalesco, arrastando amantes do carnaval e do samba em seu desfile na Avenida Rio Branco. Apesar de ter modificado um pouco o seu perfil nos anos seguintes, sobreviveu como um dos marcos de resistência do samba carioca, promovendo rodas de samba, ensaios e desfiles carnavalescos, graças – principalmente – à família de João Nogueira, que abraçou o projeto, mantendo vivo o seu sonho.

João deixou quatro filhos, entre eles o cantor e compositor Diogo Nogueira, que leva o seu legado com muito orgulho e competência, sendo um dos maiores sambistas da sua geração. 

Foto: Reprodução | Correio do Povo

Com sua morte, vários colegas se juntaram para um espetáculo em sua homenagem. Participaram Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, Dona Ivone Lara, Arlindo Cruz e Sombrinha, Emílio Santiago, Carlinhos Vergueiro e a família de João: o sobrinho Didu, o filho Diogo e a irmã e parceira Gisa. O show foi gravado e deu origem ao  famoso disco João Nogueira, Através do Espelho.