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“Já é Carnaval, cidade!”: Confira 23 músicas da MPB para festejar
“Já é Carnaval, cidade!”: Confira 23 músicas da MPB para festejar
Finalmente já é Carnaval! O Brasil pode se encher de purpurina e alegria de novo! Para celebrar esse momento, preparamos uma seleção com 23 músicas de Carnaval que são clássicos da MPB. Vamos para folia? O Carnaval Por conta da Pandemia de Coronavírus que assolou o mundo inteiro e que, aos poucos, vai sendo controlada, … Continued

Finalmente já é Carnaval! O Brasil pode se encher de purpurina e alegria de novo! Para celebrar esse momento, preparamos uma seleção com 23 músicas de Carnaval que são clássicos da MPB. Vamos para folia?

O Carnaval
Por conta da Pandemia de Coronavírus que assolou o mundo inteiro e que, aos poucos, vai sendo controlada, graças ao isolamento que fizemos, às medidas sanitárias e ao desenvolvimento e aplicação da vacina na população mundial – ficamos sem as festividades de Carnaval por quase três anos.
Vamos ocupar as ruas, celebrar uma das maiores expressões e manifestações culturais do nosso país – festa que mistura vários ritmos da nossa música popular brasileira como o samba, o maracatu, o frevo, as marchinhas e o afoxé – celebrar as nossas raízes populares, pular atrás do trio elétrico do nosso bloquinho favorito ou acompanhar o desfile da nossa escola de samba do coração!
Já é carnaval cidade, acorda pra ver
A chuva passou cidade, e o sol vem aê
Lambada da Delícia – Gerônimo e Bego (1987)
22 músicas de carnaval que são clássicos da MPB
Para celebrar o Carnaval 2023, preparamos uma playlist com músicas que são clássicos carnavalescos da nossa MPB, mas antes de dar o play, confira as curiosidades sobre cada uma. Divirta-se!
1 – Ô Abre Alas – Chiquinha Gonzaga
Chiquinha Gonzaga compôs a primeira marchinha de carnaval da história, Ô Abre Alas, em 1899. A canção foi feita para o cordão carnavalesco Rosa de Ouro, citado na letra, que passava perto da casa dela, no bairro do Andaraí, no Rio de Janeiro.
A primeira gravação que se tem registro da música é da própria Chiquinha Gonzaga, em 1911. Depois, ela foi regravada por muitos outros nomes da nossa MPB como Beth Carvalho, Ângela Maria e Emilinha Borba.

2 – Pelo Telefone, Martinho da Vila (composição de Donga e Mauro de Almeida)
O primeiro samba a ser gravado no Brasil, a partir dos registros existentes na Biblioteca Nacional, é a música Pelo Telefone, de Donga e Mauro de Almeida, que tornou-se representante musical legítimo do Carnaval da época.
A primeira gravação que se tem registro é de 1917, pela Banda Odeon. Depois, muitos outros grandes nomes do samba a regravaram, como: Pixinguinha, Elza Soares, MPB-4, Gilberto Gil e Martinho da Vila, que a gente ouve aqui.
3 – Balancê – Gal Costa (composição João de Barro – o Braguinha – e Alberto Ribeiro)
Marchinha alegre e carnavalesca composta em 1937, por João de Barro e Alberto Ribeiro, e gravada pela primeira vez por Carmen Miranda, Balancê foi resgatada e ganhou nova roupagem quando regravada por Gal Costa em 1979, no disco Gal Tropical.
4 – Chiquita Bacana – Emilinha Borba (composição João de Barro – o Braguinha – e Alberto Ribeiro)
Outra parceria muito famosa de João de Barro, o Braguinha, e Alberto Ribeiro, é Chiquita Bacana, em que os autores aproveitaram a fase do existencialismo, muito explorado pela imprensa na época, para escrever uma marchinha.
Com a letra, eles pretendiam brincar com o conceito, muito trabalhado por nomes como Simone de Beauvoir e Jean- Paul Sartre. Além de dar a Braguinha a vitória no Carnaval de 1949, pelo terceiro ano consecutivo, Chiquita Bacana tornou-se uma de suas composições mais conhecidas, batendo, inclusive, o recorde de alcance geográfico de sua obra.
Foi gravada nos Estados Unidos, Argentina, Itália, Holanda, Inglaterra e França, onde, com o título de Chiquita Madame de la Martinique, e com versos de Paul Misraki, integra as discografias de Josephine Baker e Ray Ventura. A primeira gravação de Chiquita Bacana foi realizada por Emilinha Borba neste mesmo ano, e ficou imortalizada na voz da cantora.
5 – Expresso 2222 – Gilberto Gil
Em julho de 1972, logo após voltar do exílio em Londres por conta da repressão e perseguição sofrida por conta da ditadura militar, o baiano Gilberto Gil grava o disco Expresso 2222.
A faixa-título se dá em homenagem a um trem que Gil pegava para sair de Ituaçu (no interior da Bahia, onde morava na infância) em direção a Salvador, e tornou-se também o nome do agitado camarote de Gilberto Gil no Carnaval de Salvador, desde 1999, onde também desfila com seu próprio Trio Elétrico, também batizado de Expresso 2222.
Na canção composta em Londres, Gilberto Gil canta sobre o futuro “pra depois do ano 2000”, com um violão marcado, um triângulo dando o tom do baião, e um otimismo futurista, a partir da metáfora tecnológica com a linha de trem.
6 – Frevo do Trio Elétrico – Caetano Veloso (composição de Dodô e Osmar)
O trio elétrico surgiu por volta de 1950 – em Salvador – após os baianos Dodô e Osmar utilizarem um antigo caminhão com instrumentos musicais amplificados por alto-falantes na caçamba. A dupla também foi responsável por criar a chamada guitarra baiana.
A dupla, que mudou para sempre a história do Carnaval no Brasil, gravou a canção Frevo do Trio Elétrico, no seu primeiro disco – Jubileu de Prata – em 1975. A versão de Dodô e Osmar é apenas instrumental. Antes disso, Caetano Veloso a gravou – com letra que homenageia Dodô e Osmar – em um compacto de 1973.
7 – Eu Quero É Botar meu Bloco na Rua – Sérgio Sampaio
Lançada em 1973, para o álbum homônimo de Sérgio Sampaio, a canção Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua e apresentada originalmente no VII Festival Internacional da Canção, em 1972, a marcha é considerada o maior sucesso da carreira do compositor e foi regravada por diversos outros artistas, como Elba Ramalho, Margareth Menezes, Lenine e Ney Matogrosso.
Trata-se de uma marcha-rancho que usa o cenário de Carnaval para fazer um discurso crítico à repressão militar.
Eu Quero É Botar meu Bloco na Rua, um dos maiores músicas do Carnaval, foi citada pela revista Rolling Stone Brasil na trigésima oitava colocação na sua lista das 100 maiores músicas brasileiras.
8 – Pombo Correio – Moraes Moreira, Dodô e Osmar
Até 1976, os trios elétricos criados em Salvador por Dodô e Osmar em 1950 eram apenas instrumentais. Foi quando Moraes Moreira, recém saído dos Novos Baianos, assumiu os vocais do trio de Dodô e Osmar e tornou-se o primeiro cantor de trio elétrico do Brasil.
Depois disso, o Carnaval nunca mais foi o mesmo. Moraes é um dos grandes responsáveis pela afirmação e pelo crescimento do Carnaval de rua de Salvador. Fazendo fusões entre o frevo, a guitarra baiana e o batuque dos blocos afro, influenciou e abriu caminho para uma geração de cantores de trio elétrico que vieram depois.
No mesmo ano, a marchinha Pombo Correio – composição do trio – virou um dos hinos do carnaval de Salvador, e está no segundo disco solo do cantor, Cara e Coração, de 1977.
Muitos Carnavais (1977), de Caetano Veloso
- 9 – Chuva Suor e Cerveja – Caetano Veloso
- 10 – Atrás do Trio Elétrico – Caetano Veloso
- 11 – A Filha da Chiquita Bacana – Caetano Veloso
Desde que despontou no cenário musical nacional, lá em meados dos anos 60, o baiano Caetano Veloso sempre esteve muito ligado ao Carnaval. No início dos anos 70, ele procurou seguir uma tradição de antigos compositores: a de criar, todo ano, uma música especial para o Carnaval do ano seguinte.
Desde 1971, ano em que ainda estava no exílio em Londres, Caetano Veloso compunha – todo ano – canções especialmente para o carnaval e que faziam muito sucesso na folia.
Em 1977, ele gravou a coletânea Muitos Carnavais, com clássicos compostos durante todo esse período, mas só lançadas em compactos. Entre os sucessos: A Filha da Chiquita Bacana (que faz alusão à marchinha de Braguinha, de 1949), Chuva Suor e Cerveja e Atrás do Trio Elétrico.
A gente conta mais sobre este disco antológico: Muitos Carnavais (1977), de Caetano Veloso.

12 – Ilê Ayê – Gilberto Gil (Paulinho Camafeu)
No mesmo ano de 1977, Gilberto Gil lançou – em seu disco Realce – uma canção composta por Paulinho Camafeu – que homenageia Ilê Aiyê, ou Ilê, primeiro bloco afro do Brasil, que se consolidou como uma das expressões culturais do Carnaval de Salvador.
Veja também:
Fundado em 1974 por moradores do bairro do Curuzu, constitui um grupo cultural que promove a expansão da cultura de origem africana no Brasil. A expressão significa, em língua iorubá, Mundo Negro ou Casa de Negro ou ainda Casa da Terra.
13 – Chão da Praça – Moraes Moreira (parceria com Fausto Nilo)
Ao longo dos anos, outras composições de Moraes Moreira desta mesma época foram tornando-se hinos do carnaval da Bahia. Chão da Praça, por exemplo, ganhou o Carnaval de 1978, quando gravada pelo baiano de Itaúna em seu disco Alto Falante.
14 – O Amanhã – Simone (composição João Sérgio e Didi)
Da Bahia para o Rio de Janeiro, O Amanhã, enredo da escola de samba União da Ilha, composto por João Sérgio e Didi em 1978, foi gravado por Simone, em 1983, e tornou-se um dos maiores sucessos da carreira da cantora. A canção também foi gravada pela saudosa Elizeth Cardoso e é um grande hino do carnaval.
15- Vou Festejar – Beth Carvalho (composição de Jorge Aragão, Dida e Neoci Dias)
Ainda no Rio de Janeiro de 1978, a Madrinha do Samba Beth Carvalho lançou o disco De Pé no Chão, puxado pelo sucesso Vou Festejar (Jorge Aragão, Dida e Neoci Dias), Goiabada Cascão (Wilson Moreira e Nei Lopes) e Agoniza Mas Não Morre, de Nelson Sargento.
Este disco, que chegou a vender 500 mil cópias, marcou o surgimento do pagode carioca, um jeito inovador e descontraído de fazer samba, descoberto por Beth quando ela assistia a um ensaio do Bloco Carnavalesco Cacique de Ramos, cujos sambistas faziam um ritmo diferente com pandeiro, tamborim, banjo e tantã, instrumentos pouco usados em rodas de samba. “Vou Festejar”, símbolo desse estilo, ficou associada aos times de coração de Beth, o Botafogo, no Rio de Janeiro, e o Atlético em Minas Gerais.
16 – Bloco do Prazer – Gal Costa (Moraes Moreira e Fausto Nilo)
Outra canção carnavalesca icônica composta por Moraes Moreira nesta época – também em parceria com Fausto Nilo – é Bloco do Prazer, sucesso do Carnaval de 1979, quando gravada pelo trio elétrico de Dodô e Osmar e – depois – grade hit quando regravada magistralmente por Gal Costa, em 1982, versão que escutamos aqui.
17 – Vai Passar – Chico Buarque
Chico Buarque é outro compositor que escreveu muitos temas sobre o carnaval, principalmente na época da ditadura, quando a festa sofria bastante repressão, como Noite dos Mascarados (em 1967); Quando o Carnaval Chegar (1972); e Vai Passar (parceria com Francis Hime, de 1984), que escutamos agora.
18 – Chame Gente – Moraes Moreira (parceria com Armandinho)
Em 1986, Moraes Moreira volta a gravar um grande sucesso para o carnaval daquele ano: a canção Chame Gente – uma parceria com Armandinho, filho de Osmar – é uma grande homenagem ao carnaval da Bahia e fala dos circuitos e pontos mais importantes da cidade de Salvador.
19 – Haja Amor – Luiz Caldas
Haja Amor, de Luiz Caldas, também é uma das músicas ícone do Carnaval brasileiro. Em 1980, uma turma de músicos baianos foi contratada pelo estúdio WR (do empresário e produtor musical Wesley Rangel) para formar a banda Acordes Verdes, entre eles, o arranjador Alfredo Moura, o baterista Cesinha e o cantor, compositor e multi-instrumentista Luiz Caldas. Mais tarde, Carlinhos Brown também entrou para a banda, que deu início ao chamado movimento do Axé Music.
Em 1985, Luiz Caldas lançou o seu primeiro disco solo autoral, Magia, que conta com o primeiro grande sucesso nacional daquela cena musical de Salvador: a canção Fricote, composta em parceria com Paulinho Camafeu. O ritmo naquela época era chamado de Deboche, e havia sido criado por Alfredo Moura e Carlinhos Brown.
O arranjo inovador e de alta qualidade técnica foi marcante para que a canção (de apenas dois acordes) se tornasse um dos maiores sucessos brasileiros, um verdadeiro hit, espalhando-se por todo o país, estourando nas rádios brasileiras e virando um marco para o Axé Music.
A letra de Fricote foi hoje reconhecida como extremamente racista e, por isso, nem Luiz Caldas a canta mais. Por isso, selecionamos outra canção de muito sucesso do baiano, considerado o pai ou precursor do Axé Music: Haja Amor, de 1987, uma parceria com Chocolate da Bahia.
20 – Faraó Divindade do Egito – Margareth Menezes (composição Luciano Gomes)
É também em 1987 que Margareth Menezes – um dos maiores nomes da música e da cultura afro-brasileira – conhece o produtor, empresário e cantor baiano Djalma de Oliveira, que a convida para gravar com ele o seu primeiro single, lançado como LP: o grande clássico Faraó (Divindade do Egito), composição de Luciano Oliveira e primeiro samba-reggae gravado no Brasil, que vende mais de 100 mil cópias.
A canção torna-se um grande marco para o Axé Music e também para o Carnaval de Salvador, quase que um hino da festa soteropolitana. Até hoje, é uma das músicas mais famosas do Carnaval.

21 – Beija-Flor – Timbalada (de Xexéu e Zé Raimundo)
Falando em Carlinhos Brown, em 1991, o artista fundou a Timbalada, uma banda e um movimento percussivo pelo qual já formou mais de 15 mil músicos talentosos, sendo reconhecido como arte-educador pela Sociedade Internacional de Educação Musical.
A Timbalada reinventou as sonoridades do timbau, e – a partir dele – foram criados também novos instrumentos, como a Bacurinha, Surdos-Virados e Rubber Nose.
Com a Timbalada, Brown lançou inúmeros sucessos carnavalescos como:
- Toneladas de Desejo (composição dele, em 1994);
- Mimar Você (de Alain Tavares e Gilson Babilônia, em 1995);
- Água Mineral (de Brown, em 1996);
- e Beija-Flor (de Xexéu e Zé Raimundo), de 1993, que escutamos agora.
22 – O Canto da Cidade – Daniela Mercury (em parceria com Tote Gira)
Em 1992, surge outro grande ícone e outro grande hino do Carnaval baiano: Daniela Mercury. A artista baiana faz um show histórico no vão do MASP – Museu de Arte Moderna de São Paulo – que faz parar completamente a Avenida Paulista nos dois sentidos.
Mais de 20 mil paulistanos foram dançar e cantar com Daniela, que estampou capas de jornal, ficando conhecida como “a baiana que parou São Paulo”. O movimento foi tanto, que o show teve que ser interrompido no meio, pois a estrutura do MASP estava sendo abalada e as obras de arte estavam em risco.
A canção – composta por ela e Tote Gira e um hino em homenagem à cidade de Salvador e ao povo negro – faz parte do segundo disco da cantora, de 1992, também chamado O Canto da Cidade, um dos mais importantes da carreira de Daniela, que ultrapassou três milhões de cópias vendidas no Brasil e no exterior, fazendo dela primeira artista a receber o disco de diamante por um milhão de cópias vendidas – uma das músicas do Carnaval mais memoráveis que temos.
Por seu pioneirismo no gênero, Daniela Mercury é conhecida como a Rainha do Axé, abrindo caminhos para grandes nomes da nossa música que vieram depois, como Ivete Sangalo. Daniela foi a primeira backing vocal da Banda Eva, que, depois, veio apresentar Ivete ao mundo.
23 – Ivete Sangalo – Eva/ Alô Paixão / Beleza Rara
O primeiro disco da Banda Eva – conjunto que já existia desde o fim dos anos 70 e já tinha tido Daniela Mercury como backing vocal – com Ivete Sangalo assumindo o posto de vocalista foi lançado em 1993.
Dois discos depois, em 1996, a Banda Eva já era um dos maiores fenômenos nacionais e acumulava sucessos como:
- Levada Louca (Gilson Babilônia, Lula Carvalho e Alain Tavares);
- Beleza Rara (Ed Grandão e Nego John);
- Alô Paixão (Jorge Xaréu);
- Vem Meu Amor (Silvio e Guio);
- Leva Eu (Durval Lelys e Cly Loyle);
- Arerê (Gilson Babilônia e Alain Tavares);
- Me Abraça (Jorge Xaréu e Roberto Moura) e Eva (Giancarlo Bigazzi, Umberto Tozzi e Vrs. Marcos Ficarelli).
Ivete Sangalo saiu em carreira solo em 1999 e, de lá pra cá, consolidou-se como uma das maiores musas do Carnaval brasileiro.

Você conhece o Acervo MPB? Nesta série original Novabrasil de áudio-biografias de grandes nomes da música popular brasileira, você encontra uma temporada inteira sobre Carnaval, com todos esses grandes nomes que passaram pela nossa playlist de hoje!
Já é Carnaval, Cidade! Aproveite a seleção de músicas da MPB que são clássicos do Carnaval:



