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História da música A Cura, no dia do aniversário de Lulu Santos

Lívia Nolla
15:00 04.05.2024
Autor

Lívia Nolla

Pesquisadora Musical
Brasilidade

História da música A Cura, no dia do aniversário de Lulu Santos

Você conhece a história da música A Cura, de Lulu Santos? 04 de maio é dia de comemorar o aniversário do cantor, compositor, produtor, multi-instrumentista e apresentador carioca Lulu Santos, um dos maiores nomes da música popular brasileira da atualidade. Lulu completa hoje 71 anos de idade! E, para homenagear o aniversariante do dia e … Continued

Lívia Nolla - 04.05.2024 - 15:00
História da música A Cura, no dia do aniversário de Lulu Santos
História da música A Cura, no dia do aniversário de Lulu Santos

Você conhece a história da música A Cura, de Lulu Santos?

04 de maio é dia de comemorar o aniversário do cantor, compositor, produtor, multi-instrumentista e apresentador carioca Lulu Santos, um dos maiores nomes da música popular brasileira da atualidade. Lulu completa hoje 71 anos de idade!

E, para homenagear o aniversariante do dia e seguir homenageando grandes compositores da nossa música popular brasileira, nós damos continuidade à série Saudando Grandes Compositores da MPB, em que contamos a história de grandes clássicos das carreiras desses artistas.

Lulu Santos | Foto: Divulgação (Site Oficial do Artista)

Sobre Lulu Santos

Lulu Santos é um dos maiores nomes do rock brasileiro de todos os tempos. Mas ele é muito mais que isso: Lulu é rock, brilha no pop, é romântico, é dance e disco music, é samba e bossa nova, é música popular brasileira!

Nascido Luiz Maurício Pragana dos Santos, no Rio de Janeiro, ganhou sua primeira guitarra de presente do pai. Aos 12 anos, Luiz Maurício teve a sua primeira banda, em que fazia covers da banda inglesa Os Beatles. 

Já muito envolvido com música, ele saiu de casa aos 17 anos pra se dedicar ao seu sonho de ser artista. E, para a nossa sorte, o sonho deu certo! Mas, muita coisa aconteceu antes de Luiz Maurício se tornar Lulu Santos e ser conhecido e admirado no Brasil inteiro.

O artista chegou a trabalhar escrevendo matérias sobre rock pra uma revista, teve uma banda de rock progressivo com Ritchie e Lobão e foi produtor de repertório de trilhas pra novelas.

Em 1982, dois anos depois de lançar seu primeiro compacto, Lulu Santos lançou o seu primeiro álbum: Tempos Modernos, produzido por Liminha, e que já trazia grandes hits como a música título e também De Repente Califórnia (composta com seu parceiro recorrente Nelson Motta).

No ano seguinte, o álbum O Ritmo do Momento trouxe a canção que fez Lulu finalmente estourar no Brasil inteiro: o inusitado bolero misturado com pop-rock Como Uma Onda (Zen Surfismo), também parceria com Nelson Motta. 

O disco ainda conta com os super hits: Advinha O Quê e Um Certo Alguém. Depois disso, vieram inúmeros discos de sucesso e diversos outros estouros radiofônicos como o baião-pop Tudo Azul, O Último Romântico e Certas Coisas. A partir daí, Lulu se firmou como o maior showman da sua geração.

Lulu Santos | Foto: Ary Saraiva/Centro de Documentação do Sistema Verdes Mares (SVM)

Nos anos seguintes, o artista passou pelo experimentalismo e nos brindou com mais canções inesquecíveis como Toda Forma de Amor, A Cura e Apenas Mais Uma de Amor, além de pautar muito do que seria o pop-rock brasileiro das próximas décadas.

A parceria de sucesso com o DJ Memê uniu a sensibilidade pop de Lulu com as batidas disco-chiques do DJ, resultando em remixes das suas canções já consagradas e mais clássicos como a dançante Assim Caminha a Humanidade, Aviso aos Navegantes, Sereia e a regravações de Descobridor dos Sete Mares (Michel e Gilson Mendonça), Dancin’ Days (Nelson Motta e Ruban) e Se Você Pensa (Roberto e Erasmo Carlos). 

Aliás, Roberto, Erasmo e a Jovem Guarda são grandes influências para Lulu, que já os homenageou em um álbum tributo, assim como fez com sua amiga Rita Lee.

Com mais de 40 anos de carreira e mais de 30 álbuns lançados, Lulu Santos segue sendo um dos maiores ícones do pop e do rock brasileiro e também influenciando gerações.

Se você quiser saber ainda mais sobre a vida e a obra deste gigante da nossa música, escute o Acervo MPB Especial Lulu Santos, nossa série de áudio-biografias original Novabrasil.

Ou ainda, confira esta matéria especial, que publicamos no aniversário de 70 anos de Lulu Santos, completados no ano passado.

Hoje, para prestar uma homenagem a este artista tão importante da nossa música, vamos contar a história de um dos maiores sucessos de Lulu Santos, o hit A Cura, lançado em 1988.

Capa do álbum “Toda Forma de Amor” de Lulu Santos

História da canção A Cura

Em 1988, o disco Toda Forma de Amor, trouxe um dos maiores hits da carreira de Lulu Santos: A Cura.

Nesta época, o mundo era assolado pela primeira grande epidemia da segunda metade do século XX: a epidemia da AIDS ou Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, uma doença do sistema imunológico humano, causada pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV).

Segundo o UNAIDS– programa das Nações Unidas criado em 1996 e que tem a função de criar soluções e ajudar nações no combate à AIDS –  aproximadamente 85,6 milhões de pessoas foram infectadas pelo HIV desde o início da epidemia, em 1981, até o final de 2022. 40,4 milhões de pessoas já morreram de doenças relacionadas à AIDS; e 39 milhões de pessoas estavam vivendo com HIV no mundo em 2022.

As principais formas de contágio são por meio do sangue, do fluído vaginal, do pré-sêmen (fluido seminal), do sêmen e do “leite materno” de pessoas com HIV, ou seja, a maioria das pessoas contrai o HIV ou em relações sexuais desprotegidas, ou compartilhando da mesma agulha ou seringa ao consumir drogas, ou por nascer de mãe infectada, podendo o bebê ser infectado antes, durante ou depois do parto. 

Antigamente, outra forma de contaminação por AIDS era por meio de transfusão (recebimento) de sangue de um doador infectado, mas – atualmente – o fornecimento de sangue é examinado cuidadosamente. Não existe nenhum caso documentado de transmissão do HIV pela lágrima ou saliva.

Quando a pessoa é infectada pelo HIV, seu corpo tenta atacar a infecção desenvolvendo anticorpos (moléculas especiais que combatem os microorganismos estranhos que entram em nosso corpo, no caso, o HIV). A pessoa que possui anticorpos contra o HIV é denominada “HIV positivo”, soropositiva, portadora do HIV ou pessoa vivendo com HIV

Ser HIV positivo ou estar infectado pelo vírus não significa o mesmo que ter AIDS (estar doente). Muitas pessoas soropositivas vivem bem por anos sem apresentar sintomas da doença. Existe um ataque progressivo e constante ao sistema imunológico pelo HIV

Quando o sistema imunológico fica enfraquecido (imunodepressão), os vírus, parasitas, protozoários, fungos e bactérias que normalmente não causam nenhum problema podem produzir doenças. Estas enfermidades são conhecidas como “infecções oportunistas”. 

História da AIDS

A AIDS foi observada clinicamente pela primeira vez em 1981, nos Estados Unidos. Em 1982, o primeiro caso surgiu no Brasil. Naquela época, havia muita desinformação e preconceito e logo conhecemos uma das epidemias mais devastadoras da história. 

No início dos anos 80, o maior impacto da epidemia foi sobre a comunidade homossexual. Nessa época, nas manchetes de jornais ou em conversas de rua, a desinformação levou os preconceituosos e moralistas desinformados a chamarem a AIDS de “peste gay” ou “câncer gay”. 

Por isso, muito tempo se levou até que se iniciassem pesquisas efetivas na área, para uma possível cura, vacina ou tratamento. Essa negligência só acabou quando se descobriu que a AIDS não escolhia gênero, sexualidade, idade ou classe social.

Em 1985, quando aconteceu o primeiro caso de transmissão de mãe para filho no Brasil, surgiu o primeiro programa de AIDS do Ministério da Saúde e logo a sociedade também se organizou. 

Surgiram instituições de luta contra a AIDS, entre elas a ABIA, que contava com o sociólogo e ativista dos direitos humanos Herbert de Souza, o Betinho, soropositivo, na presidência.

O Dia Mundial de Luta Contra à AIDS foi instituído em 1986, depois de já se saber que a ideia de um grupo de risco era incorreta. No ano seguinte, surgiu o AZT, o primeiro medicamento e a primeira esperança real de vida para quem tinha a doença e também foi criada a Comissão Nacional de AIDS, um espaço que amplia a contribuição da sociedade na resposta à epidemia. 

Com o SUS, após a Constituição de 1988, começou a distribuição de medicamentos para infecções oportunistas. 

Foi nesta época que Lulu Santos  – ao se deparar com muitos artistas importantes, pessoas que ele admirava e até amigos próximos serem levados pela AIDS – escreveu  A Cura: como uma forma de esperança de que se descobrisse logo uma cura para a doença.

A Cura – Lulu Santos

Existirá, em todo porto tremulará
A velha bandeira da vida
Acenderá, todo farol iluminará
Uma ponta de esperança

E se virá, será quando menos se esperar
Da onde ninguém imagina
Demolirá toda certeza vã
Não sobrará pedra sobre pedra

Enquanto isso, não nos custa insistir
Na questão do desejo, não deixar se extinguir
Desafiando de vez a noção
Na qual se crê que o inferno é aqui

Existirá
E toda raça então experimentará
Para todo mal, a cura

As ações de prevenção foram ganhando mais corpo e, em 1994, foram distribuídas quase 13 milhões de camisinhas. Em 1995, o Brasil já produzia o AZT e, em 1996, surgiu um novo tratamento com combinação de três drogas, denominado terapia anti-retroviral altamente potente – o “coquetel”

Esse tratamento reduziu em torno de 50% as taxas de mortalidade, além de reduzir em 80% as internações hospitalares por infecções oportunistas. Além disso, novos tratamentos contra as infecções oportunistas também contribuíram para a redução da mortalidade por HIV/AIDS.

Neste mesmo ano, 1996, o SUS distribuiu os medicamentos do coquetel de tratamento para a AIDS e o país já começou a produzir o coquetel de anti-retrovirais. Em 2002, passa a ser garantido o tratamento universal de AIDS. 

Com o passar dos anos, as pessoas foram tendo mais acesso ao tratamento e também às informações sobre a doença, o tratamento como prevenção passa a ser adotado no país e aumentam o número de campanhas contra o preconceito, relacionadas à identidade e respeito. Em 2014, o tratamento 3 em 1, que une três anti-retrovirais, foi finalmente anunciado. 

Embora muito se tenha avançado, que a infecção por HIV não seja mais uma sentença de morte como nos anos 80 e que o tratamento permita que pessoas infectadas convivam com o vírus do HIV sem desenvolver a AIDS, até hoje não existe vacina ou cura para a AIDS

2020: Uma nova Cura

Infelizmente, mais de 30 anos depois, em março de 2020, o mundo se viu mais uma vez devastado, desta vez por uma pandemia: a de Covid-19. 

Foi então que o jovem cantor e compositor gaúcho Vitor Kley teve a ideia de convidar Lulu Santos para regravar A Cura, dando um novo significado para ela: a esperança pela vacina para a Covid-19. 

Curiosamente, a música – que voltou ao topo das paradas de sucesso interpretada pelos dois artistas de gerações tão diferentes – foi lançada no mesmo mês em que foi finalmente desenvolvida a vacina para a Covid-19:  janeiro de 2021.

Gostou de saber mais sobre as histórias de grandes canções da nossa música popular brasileira? Continue acompanhando a nossa série Saudando Grandes Compositores da MPB. Hoje, homenageamos o aniversariante Lulu Santos.

por Lívia Nolla

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