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Sosifor Agora: Saiba tudo sobre o primeiro show de Elis Regina
Sosifor Agora: Saiba tudo sobre o primeiro show de Elis Regina
Elis Regina, a eterna Pimentinha, é considerada uma das maiores cantoras do mundo. Primeira pessoa a inscrever a própria voz como um instrumento na Ordem dos Músicos do Brasil, trouxemos para essa matéria uma curiosidade: a história de Sosifor Agora, primeiro show profissional de Elis Regina. No livro biográfico da cantora, Elis Regina: nada será … Continued

Elis Regina, a eterna Pimentinha, é considerada uma das maiores cantoras do mundo. Primeira pessoa a inscrever a própria voz como um instrumento na Ordem dos Músicos do Brasil, trouxemos para essa matéria uma curiosidade: a história de Sosifor Agora, primeiro show profissional de Elis Regina.
No livro biográfico da cantora, Elis Regina: nada será como antes, o jornalista especializado em música Julio Maria buscou trazer curiosidades e fatos da vida da Pimentinha que, até então não eram de conhecidos do grande público, como a estreia de Elis nos palcos.
Ao contrário do que muitos pensam, esse não foi dirigido ou produzido por Luís Carlos Miele e Ronaldo Bôscoli. Confira a história completa abaixo:

Elis Regina
Nascida em Porto Alegre, em 17 de março de 1945, Elis Regina começou a carreira influenciada pelas cantoras do rádio, como Emilinha Borba e também Ângela Maria, sua maior fonte de inspiração.
Aos sete anos, sua mãe a levou à Rádio Farroupilha, para participar de um programa de rádio chamado Clube do Guri, apresentado pelo radialista Ari Rego. Antes mesmo do ensaio, Elis entrou em pânico e pediu para voltar para casa. Ela só voltou ao programa em 1957, aos 12 anos de idade, quando finalmente controlou seu nervosismo e conseguiu cantar.
Uma curiosidade interessante sobre Elis Regina é que, em dezembro de 1958, com 13 anos, iniciou a sua carreira profissional, agora como contratada da Rádio Gaúcha, passando a ser chamada de “a estrelinha da Rádio Gaúcha”. Nesse mesmo ano, foi eleita a Melhor Cantora do Rádio Gaúcha de 1958, em concurso realizado pela Revista de TV, Cinema, Teatro, Televisão e Artes, com apoio da sucursal gaúcha da Revista do Rádio, com sede no Rio de Janeiro.
Os primeiros discos de Elis
Em 1961, Wilson Rodrigues Poso, um gerente comercial do selo Continental, estava de passagem por Porto Alegre quando foi avisado por um de seus amigos radialistas de que a rádio em que ele trabalhava contava com um novo talento que o deixaria boquiaberto.
O gerente comercial não tinha autonomia para contratar artistas, mas ficou com medo de perder a cantora para a concorrência e, então, ofereceu um contrato padrão para dois discos aos pais de Elis: sem cachê, mas com divisão dos resultados das vendas – o que barateava a operação da gravadora.
Ao voltar ao Rio de Janeiro, não precisou de muito para convencer Nazareno de Brito, o diretor artístico do selo, que se encantou com a voz de Elis de primeira, mas disse que a menina precisava trocar de repertório. Logo, Carlos Imperial foi chamado para produzir o álbum de estreia da cantora: Viva a Brotolândia.
Apesar da divulgação, o disco não foi um sucesso de vendas, assim como o segundo, terceiro, quarto e quinto álbum – todos com alteração de repertório.

A mudança para o Rio de Janeiro
De volta a Porto Alegre mais uma vez, Elis Regina continuou trabalhando na rádio e fazendo apresentações esporádicas pelo sul do país. No final de 1963, participou de um show coletivo em Florianópolis, onde estava Armando Pittigliani, produtor da Philips, até então o maior selo do país.
Durante o intervalo da apresentação, Armando foi aos bastidores e perguntou para Elis porque ela cantava aquelas versões e não música brasileira. A cantora respondeu que amava música brasileira, mas que haviam lhe dito que não se vendia discos com aquilo.
Assim, Armando convenceu Elis a cantar “Chão de Estrelas” na sequência do show. Ao fim do espetáculo, ele deu à cantora o seu cartão. Ao voltar para casa, Elis contou sobre o encontro para a sua família e seu pai decidiu que era hora de ela se mudar definitivamente para o Rio de Janeiro, onde estava praticamente toda a indústria fonográfica nacional.
TV Rio
Elis Regina no início de 1964 e, com sua experiência na rádio do Rio Grande do Sul, já conseguiu rapidamente um emprego na TV Rio, para participar dos programas Noites de Gala e A Escolinha do Edinho Gordo.
O primeiro era um programa comandado por Ciro Monteiro, que acabou se tornando seu grande amigo, no qual Elis fazia apresentações musicais. O outro era um humorístico, no qual contracenava com nomes como Wilson Simonal e Jorge Ben Jor.
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Com suas aparições na TV Rio, Elis passou a ser vista e ouvida por um número maior de pessoas. Chegamos a curiosidade tema central dessa matéria sobre Elis Regina: Foi aí que os produtores e jornalistas Renato Sérgio e Roberto Jorge a conheceram e decidiram produzir o que seria o primeiro show de Elis no Rio de Janeiro.

‘Sosifor Agora’: o primeiro show de Elis Regina
O show aconteceu no Bottle’s, uma boate que fazia parte do famoso Beco das Garrafas, travessa de Copacabana que abrigava um conjunto de casas noturnas e boates, onde se apresentaram grandes nomes da música popular brasileira.
A ideia dos produtores é de que fosse um espetáculo com Elis cantando samba jazz, acompanhada pelo Copa Trio, e com uma música de abertura feita por Edu Lobo. Mas, nos ensaios, eles perceberam que Elis Regina tinha um grave problema de presença de palco.
Para resolver este problema, recrutaram a ajuda de Lennie Dale, coreógrafo ítalo-americano radicado no Brasil e que se naturalizou brasileiro. Desde 1960, Lennie vivia entre os Estados Unidos e o Rio de Janeiro e frequentava o Beco das Garrafas, dirigindo e coreografando alguns espetáculos.
Foi com Lennie que Elis aprendeu a mexer os braços como se estivesse nadando no ar, ou como as hélices de um helicóptero, algo bem característico das interpretações da cantora.
Sobre a descoberta da estreia de Elis nos palcos, Julio Maria disse relatou á Revista Continente:
“Elis distorcia algumas coisas e criava verdades paralelas, não com a intenção de mentir, mas como se ela acreditasse que algo tivesse acontecido mesmo. Além disso, se você brigasse com ela, seria apagado das suas histórias e outra versão seria inventada, como se ela soubesse que uma biografia a seu respeito seria feita um dia. Renato Sérgio é um exemplo. Você não acha textos nem comentários da Elis falando a respeito desse primeiro show”.

A briga que encerrou o show
Assim, Elis Regina estreou o show Sosifor Agora, com a presença do baterista Dom Um Romão e a apresentadora Íris Letieri, conhecida como “a voz dos aeroportos brasileiros”.
O show foi um sucesso de público no Bottle’s. Só que, no quinto final de semana da temporada, a artista faltou ao show sem avisar os produtores, para realizar outro show em São Paulo, e eles tiveram uma briga, que encerrou a temporada de apresentações.
Foi aí que entraram em cena a dupla Luís Carlos Miele e Ronaldo Bôscoli, produtores de shows no bar vizinho – o Little Club – que contrataram a cantora gaúcha para um show lá. Mas, assim como no show anterior, a cantora começou a faltar a suas apresentações para fazer shows em outras cidades, o que levou a outra briga e, novamente, ao cancelamento da temporada. Elis nunca mais se apresentou no Beco das Garrafas e o lugar começou a entrar em declínio nos anos seguintes.
Essa é apenas uma curiosidade da carreira de Elis Regina. Para ouvir a áudio-biografia completa da artista, ouça do Acervo MPB especial Elis Regina, quando e onde quiser.


