Você conhece Sivuca?

O compositor de grandes clássicos da MPB como Feira de Mangaio e João e Maria, é um dos mais importantes nomes da nossa música no mundo e completaria 92 anos no dia de hoje. Por isso, nós preparamos uma lista com 12 curiosidades sobre o cantor, compositor,  multi-instrumentista, maestro, arranjador e orquestrador paraibano.

1 – Severino Dias de Oliveira, mais conhecido como Sivuca, nasceu em Itabaiana, na Paraíba, no dia 26 de maio de 1930. Ganhou uma sanfona de presente da sua família quando tinha 9 anos e, aos 15, foi para Pernambuco, participar de programas de calouros. Logo se destacou e passou a apresentar-se na Rádio Clube de Recife.

2 – Em 1948, foi contratado pela Rádio Jornal do Commercio, onde atuou até meados da década de 1950. Em 1949, foi convidado para gravar com a cantora Carmélia Alves em São Paulo. Carmélia foi a primeira a gravar, em 1951, o baião Adeus Maria Fulô, composição de Sivuca e Humberto Teixeira. A música foi o primeiro sucesso nacional de Sivuca e depois foi regravada em uma versão psicodélica e inesquecível pelo conjunto Os Mutantes, em 1968.

3 – Também em 1951, Sivuca gravou o primeiro seu primeiro 78 rotações, pela Continental, com as canções Carioquinha do Flamengo (de Waldir Azevedo, Bonfiglio de Oliveira) e Tico-Tico no Fubá (Zequinha de Abreu, sucesso na voz de Carmen Miranda).

4 – Em 1955, o artista vai morar no Rio de Janeiro, contratado pelas Emissoras Associadas de Rádio e Televisão Tupi e estuda teoria musical e harmonia durante três anos com Guerra Peixe. No ano seguinte, lança Eis Sivuca, seu primeiro disco solo, em 1956, gravou seu famoso choro Homenagem à Velha Guarda.

5 – Também em 1956, o artista partiu para a sua primeira temporada de shows pela Europa, com o grupo Os Brasileiros. Desde jovem, Sivuca viaja pelo interior do Nordeste brasileiro, tocando música regional com músicos locais, período de aprendizagem e experimentações, que lhe concede o conhecimento do universo musical nordestino. Segundo o artista, essa vivência entre músicos da cultura popular  fornece as bases de sua obra. Apesar de decisiva, a arte de Sivuca não se resume à influência regional, transitando entre diversos gêneros da música nacional e internacional.

6 – Mestre da sanfona, instrumento do qual é um dos principais divulgadores na música nacional e internacional, seus trabalhos podem ser identificados com a bossa-nova, jazz, forró, choro, baião, maracatu e frevo. No entanto, predomina o virtuosismo no acordeom e o improviso musical, característico de expressões da Paraíba, como os cantadores de coco.

7 – A partir de 1959, chegou a morar em Lisboa e Paris, sendo considerado o melhor instrumentista de 1962 pela imprensa parisiense. Morou também em Nova York, de 1964 a 1976, e – em 1971, Harry Belafonte o convidou para arranjar e tocar no especial dele e de Julie Andrews, na TV NBC. Sivuca usou violão e sanfona, arranjou para orquestra de cordas e fez, inclusive o arranjo de uma canção escrita para Julie Andrews homenagear Vincent van Gogh.

8 – Na década de 70, Sivuca compôs trilhas para filmes em curta-metragem da televisão educativa americana, trabalho pelo qual é indicado ao Grammy, com a trilha do filme Joy. Nesse período, fez parcerias com artistas como Hermeto Pascoal, Bette Midler e Paul Simon. Em 1975, casou-se com a compositora e compositora Glória Gadelha, com quem passou a desenvolver parcerias artísticas.

9 – Nessa época, o artista voltou para o Rio de Janeiro e participou da série de espetáculos Seis e Meia, com o show Sivuca e Rosinha de Valença. Gravado ao vivo, esse torna-se o primeiro registro do baião Feira de Mangaio, parceria com Glorinha Gadelha, considerado um dos maiores clássicos da MPB, que fez muito sucesso na voz de Clara Nunes, que o gravou em 1979, no seu disco Esperança.

10 – Em 1977, Chico Buarque escreveu a letra para uma melodia composta por Sivuca em 1947, dando origem a outro grande clássico da música popular brasileira: a canção João e Maria, única parceria dos dois compositores, sucesso em um duo de Chico e Nara Leão nesse mesmo ano, no disco Os Meus Amigos Um Barato, da cantora.

11 – Em 1985, Sivuca escreveu a sua primeira peça sinfônica: Concerto Sinfônico para Asa Branca, inovando ao mobilizar a orquestra pela ótica do acordeonista. Em 2003, voltou à Paraíba, onde seguiu trabalhando. No ano seguinte, em Recife, gravou com a Orquestra Sinfônica da cidade, o clássico disco Sivuca Sinfônico. Três anos depois, compôs seu último arranjo sinfônico, Choro de Cordel, com Glorinha.

12 – Sivuca faleceu em 2006, aos 76 anos, vítima de um câncer. Muitas de suas partituras foram doadas por sua viúva ao acervo da Fundação Joaquim Nabuco, do Recife. A doação à instituição pernambucana deveu-se a uma dívida de gratidão que o próprio artista dizia ter com o Recife em sua formação musical. O legado de Sivuca permanece vivo para as próximas gerações.