Hoje, dia 27 de maio, completamos um ano sem Nelson Sargento. O sambista, compositor, cantor, pesquisador de música popular brasileira, artista plástico, ator e escritor brasileiro nos deixou em 27 de maio de 2021, aos 96 anos, por complicações da Covid-19.

Nelson Sargento nos deixou há 1 ano por complicações da Covid | Foto: Claudia Martini/Enquadrar/Estadão Conteúdo/Arquivo.

Nascido Nelson Mattos, no Rio de Janeiro de 1924,  ganhou o apelido artístico “Sargento” por conta da patente que alcançou por ter servido no Exército Brasileiro na segunda metade dos anos 1940. 

Nelson Sargento morou no Morro da Mangueira desde os 12 anos de idade e tornou-se um dos principais sambistas de todos os tempos da Estação Primeira de Mangueira, escola que integrou e presidiu a Ala de Compositores, bem como se tornou Presidente de Honra.

No Carnaval de 1949, Sargento venceu a seletiva de sambas-enredo da Mangueira com Apologia ao Mestre, parceria com seu padrasto Alfredo Lourenço, e escola de samba se consagrou campeã do desfile daquele ano. A parceria rendeu, para o desfile seguinte, o samba-enredo Plano SALTE – Saúde, Lavoura, Transporte e Educação, que garantiu um novo campeonato à escola.

Em 1955, Nelson e Alfredo Lourenço compuseram o samba-enredo As Quatro Estações do Ano ou Cântico à Natureza, considerado um dos mais belos sambas-enredo já realizados. Três anos depois, Nelson foi eleito presidente da Ala de Compositores da Mangueira, posição que lhe permitiu maior convivência e aprendizado com os sambistas veteranos da escola, como Carlos Cachaça, Saturnino, Aluisio Dias, Babaú e, principalmente, Cartola, de quem se tornaria um discípulo ao guardar na cabeça os versos que o mestre compunha de maneira descompromissada, além de completar outras das suas composições.

Nelson, inclusive, ganhou notabilidade como cantor no Zicartola, famoso restaurante de Cartola no Rio de Janeiro, onde se apresentava em meados dos anos 60. Pouco depois, integrou os conjuntos A Voz do Morro e Os Cinco Crioulos

Aos poucos, algumas de suas composições passaram a ser gravadas por artistas como Paulinho da Viola, que lançou Minha Vez de Sorrir (parceria de Sargento com Batista da Mangueira), em 1971, e Falso Moralista, em 1972, dois dos sambas mais conhecidos de Nelson. Em 1978, Beth Carvalho lançou Agoniza Mas Não Morre, que se tornou a composição de maior sucesso do sambista. 

Ao longo da sua vida, Nelson Sargento compôs mais de 400 canções. Somente em 1979, aos 55 anos, Sargento gravou o seu primeiro álbum solo: Sonho de Sambista.

Além da carreira musical, Nelson foi artista plástico e poeta, tendo publicado os livros Prisioneiro do Mundo e Um Certo Geraldo Pereira. Também fez participações nos filmes O Primeiro Dia e Orfeu.

Em 27 de maio de 2021, o sambista – que já tinha recebido tratamento para um câncer de próstata em 2005 – faleceu por complicações da Covid-19, aos 96 anos. Em sua homenagem, o Terreirão do Samba, localizado na Praça Onze, foi batizado com o seu nome.

Para sempre uma das principais figuras do nosso samba, viva Nelson Sargento!