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História da música Carinhoso no aniversário de João de Barro

Lívia Nolla
15:00 29.03.2024
Brasilidade

História da música Carinhoso no aniversário de João de Barro

Hoje é celebrado o aniversário de um dos maiores compositores da história da nossa música popular brasileira, de carreira mais longeva e também responsável por inúmeros sucessos inesquecíveis da nossa história: João de Barro, também conhecido como Braguinha. E, para homenagear o aniversariante do dia e seguir homenageando grandes compositores da nossa música popular brasileira, … Continued

Lívia Nolla - 29.03.2024 - 15:00
História da música Carinhoso no aniversário de João de Barro
Braguinha | Imagem: Divulgação

Hoje é celebrado o aniversário de um dos maiores compositores da história da nossa música popular brasileira, de carreira mais longeva e também responsável por inúmeros sucessos inesquecíveis da nossa história: João de Barro, também conhecido como Braguinha.

E, para homenagear o aniversariante do dia e seguir homenageando grandes compositores da nossa música popular brasileira, nós damos continuidade à série Saudando Grandes Compositores da MPB, em que contamos a história de grandes clássicos das carreiras desses artistas.

João de Barro, o Braguinha | Foto: Divulgação
João de Barro, o Braguinha | Foto: Divulgação

por Lívia Nolla

Sobre João de Barro, o Braguinha

Seu nome verdadeiro era Carlos Alberto Ferreira Braga, por isso o apelido Braguinha, mas o artista passou a usar o nome artístico de João de Barro quando integrou o Bando dos Tangarás, ao lado de Noel Rosa, Alvinho e Almirante.

Ele cursava a faculdade de Arquitetura, e seu pai não queria que ninguém da família seguisse carreira artística na música popular, muito mal vista na época, por puro preconceito. Aí, Braguinha passou a usar justamente o nome de um pássaro arquiteto como pseudônimo: João de Barro.

Em 1931, resolveu deixar a Arquitetura e dedicar-se à composição. No carnaval de 1933, conseguiu os primeiros grandes sucessos com as marchas Moreninha da Praia e Trem Blindado, pouco antes do fim do Bando de Tangarás.

Passou anos dedicando-se à composição – e depois também à dublagem, inclusive de filmes da Disney – até a sua morte, por falência múltipla dos órgãos, pouco antes de completar 100 anos de idade.

Sua musicografia completa, inclusive com versões, marchinhas de carnaval e músicas infantis, passa dos 420 títulos, uma das maiores e de mais sucessos da música popular brasileira.

Entre os maiores sucessos compostos por João de Barro, estão clássicos como: Carinhoso (de 1937, parceria com Pixinguinha); Balancê (de 1936, parceria com Alberto Ribeiro); Cantores do Rádio (de 1936, parceria com Alberto Ribeiro e Lamartine Babo); Copacabana (de 1944, parceria com Alberto Ribeiro); Chiquita Bacana (de 1949, parceria com Alberto Ribeiro).

Hoje, para celebrar a existência de João de Barro, um dos maiores compositores da MPB, vamos contar a história de um de seus maiores sucessos e uma das músicas brasileiras mais importantes de todos os tempos: Carinhoso.

João de Barro, o Braguinha | Foto: Divulgação
João de Barro, o Braguinha | Foto: Divulgação

A história de Carinhoso

Carinhoso é uma das obras mais importantes da música popular brasileira de todos os tempos. A música foi composta por Pixinguinha, entre 1916 e 1917, sendo anterior ao seu ingresso, em 1933, como aluno, no então Instituto Nacional de Música, atual Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Mas, só foi gravada pela primeira vez em 1928, pela Orquestra Típica Pixinguinha-Donga, contando somente com o instrumental. Um ano depois, foi gravada pela Orquestra Victor Brasileira, e em 1934, pelo bandolinista Luperce Miranda.

Pixinguinha contou os motivos que o fizeram manter a música inédita por mais de dez anos, em depoimento ao Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, em 1968: Naquele tempo (1917) o pessoal nosso da música não admitia choro assim de duas partes, choro tinha que ter três partes. Então, eu fiz o Carinhosoe encostei. Tocar o Carinhosonaquele meio, eu não tocava… ninguém ia aceitar!”.

Pixinguinha, então com 20 anos, não se atrevia a contrariar o esquema adotado nos choros da época. Primeiro a música foi classificada como uma polca lenta, mais tarde mudou-se para chorinho.

Foi só em 1936, que Carinhoso recebeu letra de João de Barro, a pedidos de uma cantora chamada Heloisa Helena, que pretendia interpretá-la em um espetáculo beneficente organizado pela primeira-dama da época, Darcy Vargas.

Esta versão com letra de João de Barro foi gravada ainda em 1937, com grande sucesso, por Orlando Silva. Em 1950, a música recebeu uma versão em inglês, chamada Love Is Like This, composta por Ray Gilbert para o filme Romance Carioca. A interpretação ficou a cargo da atriz protagonista do filme, Jane Powell.

Ao longo dos anos, Carinhoso foi sendo bastante regravada, por nomes como Dalva de Oliveira, João Donato, Ângela Maria, Baden Powell, Elis Regina e os próprios compositores, até voltar a ser um imenso sucesso em 1973, quando a regravação de Márcio Montarroyos foi escolhida como música tema da telenovela da TV Globo de mesmo nome.

Ganhou ainda diversas versões depois disso, como de Elizeth Cardoso, Jair Rodrigues, Tom Jobim, Toquinho, Maria Bethânia, Paulinho da Viola e Marisa Monte, até ser escolhida – em 2009 – como a terceira maior música brasileira de todos os tempos, segundo a revista Rolling Stone Brasil.

Pixinguinha, parceiro de João de Barro em Carinhoso | Imagem:  Maureen Bisilliat / Acervo IMS
Pixinguinha, parceiro de João de Barro em Carinhoso | Imagem: Maureen Bisilliat / Acervo IMS

Em 2021, segundo um levantamento do Ecad, a canção contava com 411 gravações registradas, fazendo de Carinhoso a canção brasileira mais regravada no país em todos os tempos.

Segundo a Enciclopédia Itaú Cultural, uma das qualidades da canção é a sintonia entre estrutura musical (melodia e harmonia) e narrativa poética (letra): “Os versos enunciam os sentimentos de um enamorado que, após observar sua amada de longe (‘Meu coração, não sei por quê/ Bate feliz quando te vê’), imagina como seria declarar seu amor (‘Ah se tu soubesses como sou tão carinhoso/ E o muito, muito que te quero’) e, finalmente, consumá-lo (‘Vem sentir o calor dos lábios meus/ À procura dos teus’).”.

“Esses três momentos, carga emotiva crescente, correspondem às três seções da música (e não duas, como afirmava Pixinguinha). A primeira, em Fá maior (do início até ‘foges de mim’), a segunda, em Lá menor (de ‘Ah se tu soubesses’ até ‘não fugirias mais de mim’) e a terceira, em Fá maior (de ‘Vem sentir o calor’ até o final). Musicalmente, essas seções também acumulam uma tensão progressiva, sobretudo na passagem da segunda para a terceira parte (‘Vem, vem, vem, vem’).”.

É aí que a música chega ao ápice e faz com que todos nós nos identifiquemos com aquela canção sobre um amor não correspondido que – quando correspondido – nos faz explodir de felicidade: “E só assim então, serei feliz, bem feliz!”.

Gostou de saber mais sobre as histórias de grandes canções da nossa música popular brasileira? Continue acompanhando a nossa série Saudando Grandes Compositores da MPB. Hoje, homenageamos o aniversariante João de Barro, o Braguinha.

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