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Afinal, Funk também é cultura? Saiba como surgiu esse gênero e entenda o seu papel na cultura brasileira
Afinal, Funk também é cultura? Saiba como surgiu esse gênero e entenda o seu papel na cultura brasileira
Pode-se dizer que o gênero musical funk causa muitas polêmicas e discussões no Brasil. Apesar de estar presente na maioria das festas, inclusive no próprio baile funk, ele é alvo de críticas, seja por causa das letras, roupas ou danças. Entretanto, o funk vai além da aparência e representa muito mais para a sociedade do … Continued

Pode-se dizer que o gênero musical funk causa muitas polêmicas e discussões no Brasil. Apesar de estar presente na maioria das festas, inclusive no próprio baile funk, ele é alvo de críticas, seja por causa das letras, roupas ou danças. Entretanto, o funk vai além da aparência e representa muito mais para a sociedade do que se imagina. Quer saber como se desenvolveu a história desse gênero e sobre a discussão se funk é cultura ou não? Preparamos um conteúdo especial para você, continue a leitura!
Qual é a origem do funk?
Primeiro, é importante saber que o funk, na verdade, nem sempre foi como é conhecido hoje em dia. Inicialmente, derivado da soul music, gênero musical inspirado no rhythm and blues (r&b) e no gospel dos EUA, entre o fim dos anos 1950 e início dos anos 1960, especialmente entre os negros, o gênero, com o passar dos anos, sofreu diversas mudanças.
No Brasil, o funk chegou no final dos anos 1970. O primeiro disco do gênero, “Funk Brasil”, do DJ Marlboro, marcou o início do funk no país. Hoje, com mais de 30 anos de história, o funk já faz parte do calendário oficial, sendo celebrado todo 7 de julho. Além disso, o movimento é reconhecido também como manifestação cultural desde 2018 pela Câmara dos Deputados.
Quando a imprensa foi descobrindo o funk, ele começou a se espalhar por todo o país. Trata-se da popularização de um movimento que, até então, era produzido na periferia e para a periferia. Fernando Luís Mattos da Matta, conhecido como DJ Marlboro, foi o principal responsável por fazer o gênero se tornar o que é hoje. Foi ele quem introduziu a bateria eletrônica no gênero musical, recurso esse que perdura até os dias atuais.
Foi nos anos 2000 que o funk deixou de ser exclusivo das periferias e se espalhou por todo o país. Era super comum escutar o ritmo tocar em diversas casas noturnas, academias, festas e todo tipo de ambientes de convívio popular espalhados pelas metrópoles.
O grupo Bonde do Tigrão, por exemplo, alavancou justamente nesse período e obteve seu disco de platina pela Pró-Música Brasil em 2001. Tati Quebra-Barraco, como a MC ficou conhecida popularmente, também abriu portas para que as mulheres se tornassem estrelas no funk.
Já para os que curtem funks mais melódicos e que falam de amor, a dupla Claudinho & Buchecha também lançou alguns hits de sucesso que impactaram os programas musicais nas rádios e televisões nacionais. Dali em diante, o gênero definitivamente se consolidou na cultura nacional e chamou a atenção para uma parcela da população negligenciada.
Partindo de uma visão mais atual, é essencial destacar o maior canal brasileiro no YouTube de Funk, que é o do diretor e produtor musical Kondzilla, com mais de 63 milhões de inscritos. Já no Spotify, serviço de streaming de áudio, o consumo do gênero cresce 51% todo ano, desde 2014. Além disso, o ritmo aparece em segundo lugar nas buscas e downloads, ficando atrás apenas do sertanejo.
A fama do funk, representando muitas das músicas brasileiras mais populares e como um dos estilos musicais mais influentes, ganhou o mundo. Ele já apareceu como inspiração para diversos cantores e bandas de sucesso ao redor do mundo, sendo regravado diversas vezes e remixado. Assim, ele marca um ritmo viciante e que simboliza a essência brasileira.
No entanto, no seu próprio país, o gênero ainda é alvo de criminalização por grande parte da população. A visão deturpada do funk pinta o gênero e seus artistas, os mcs, como representantes do tráfico, da violência social e a denúncia da violência policial, além de outros elementos.
Sendo assim, para dar continuidade no debate sobre “funk é cultura”, vamos para o próximo tópico que fala sobre a importância desse gênero musical para a cultura brasileira.
O funk tem importância para a cultura brasileira?
Com certeza, o funk é um dos pilares da cultura brasileira, portanto, ele tem sua importância. O gênero se conecta muito com a juventude, uma vez que ela se sente representada pelas letras. Além disso, é de sensibilidade da população entender que o movimento funk é o maior movimento político e cultural que conversa com essa parte da população, mas é “esquecida” pelo Estado.
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Esses jovens encontraram no funk uma oportunidade de ascensão social, saindo da vida simples e conquistando seu dinheiro, tudo em nome de ajudar seus amigos e família. Foi assim também que surgiu a vertente do “funk ostentação”, com músicas que falavam sobre o sucesso financeiro no cenário musical e a conquista de poder aquisitivo por pessoas que vieram da periferia.
Atualmente, o funk movimenta milhões na indústria da música e um dos maiores exemplos é o Canal Kondzilla, da Kondzilla Filmes, como já mencionamos por aqui. Não sendo coincidência, o clipe brasileiro mais acessado da plataforma também é do mesmo canal. Prestes a atingir um bilhão de visualizações, “Bum bum tam tam”, de MC Fioti, mistura a música erudita de Partita de la menor, de Johann Sebastian Bach, com a batida do funk. Quem já imaginou que o funk usaria elementos da música clássica para montar um som?
No próximo tópico, vamos responder, de fato, se o funk é cultura ou não.
O funk pode ser considerado como cultura?
Do mesmo modo que outros gêneros que representavam pontos de liberdade e/ou rebeldia são cultura, como o samba, o rock, o punk e o rap, o funk também entrou para lista de criminalização, tendo assim, diversas opiniões de que não deveria ser considerado cultura.
O funk é cultura? Só com a capitalização e a comercialização pelo mercado que o funk começou a ser aceito, o que, consequentemente, também foi se desvencilhando de suas raízes. Porém, a resistência é grande e isso mantém a essência do funk, que é justamente expressar a voz daqueles que não são escutados, da maioria negra e pobre do país que, através da arte, diz o que tem que ser dito.
O rap já adquiriu certa legitimidade nesse ponto, mesmo vindo da mesma origem do funk e, hoje, também é um dos gêneros que mais cresce no mundo. O movimento desses gêneros e outras expressões artísticas através das gerações seguintes, vão aprendendo com esses processos e lidando melhor com eles. Esse processo é muito importante e lindo de se der.
Diante de toda essa áurea preconceituosa que envolve o funk a partir dos olhos da sociedade, principalmente das classes médias e elites e que sempre manifestam opiniões negativas e tentativas de criminalização, o funk vai se expandindo e mostrando sua profundidade e complexidade. Portanto sim, o funk é cultura e pode ser considerado como tal.
Agora que você já sabe mais sobre o gênero e sabe que o funk é cultura, que tal navegar pelo site da NovaBrasil e conferir conteúdos sobre música tão interessantes quanto este? Não perca tempo!



