Dia Mundial da Mulher Indígena: 4 cantoras indígenas para conhecer

Novabrasil
09:30 05.09.2022
Jornalismo

Dia Mundial da Mulher Indígena: 4 cantoras indígenas para conhecer

Dia Mundial da Mulher Indígena: A data é um marco de apoio à luta das mulheres indígenas Hoje, 5 de setembro, é celebrado anualmente o Dia Mundial da Mulher Indígena. A data é um marco de apoio à luta das mulheres indígenas por justiça social e em defesa dos direitos individuais e coletivos de seus … Continued

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- 05.09.2022 - 09:30
Dia Mundial da Mulher Indígena: 4 cantoras indígenas para conhecer
Kaê Guajajara é | Foto: Divulgação/Redes sociais

Dia Mundial da Mulher Indígena: A data é um marco de apoio à luta das mulheres indígenas

Hoje, 5 de setembro, é celebrado anualmente o Dia Mundial da Mulher Indígena. A data é um marco de apoio à luta das mulheres indígenas por justiça social e em defesa dos direitos individuais e coletivos de seus povos. 

O Dia Mundial da Mulher Indígena também homenageia a liderança Bartolina Sisa, uma mulher quéchua, símbolo das resistências indígena e camponesa na história colonial da América do Sul, que morreu nesta data (em 1782), esquartejada pelas forças realistas durante a rebelião anticolonial de Túpaj Katari, no Alto Peru.

De acordo com a ONU Mulheres – que reconheceu a data depois dela ser instituída no ano de 1983, durante o II Encontro de Organizações e Movimentos da América – este dia reconhece a continuidade do protagonismo histórico das mulheres indígenas desempenhado tanto no passado, quanto no tempo presente, como agentes de transformação social em suas famílias, comunidades e na vida do povo.

Na foto, a cantora, compositora, ativista, escritora e atriz, Kaê, do povo Guajajara | Foto: Laryssa Machada/Instagram.

Para celebrar o Dia Mundial da Mulher Indígena – essa data de extrema importante, nós trouxemos quatro cantoras indígenas que vocês precisam conhecer:

4 cantoras indígenas para conhecer

1 – Djuena Tikuna

Djuena Tikuna é uma cantora, compositora e jornalista indígena da etnia Tikuna. Djuena nasceu na Aldeia Umariaçu II, localizada no município de Tabatinga (AM), região de fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.

A artista cantou o Hino Nacional em língua Tikuna na abertura das Olimpíadas de 2016 e, em 2017, fez história ao tornar-se a primeira indígena a protagonizar um espetáculo musical no Teatro Amazonas (Manaus), nos 121 anos de existência do local, onde lançou o seu primeiro álbum: Tchautchiane

Com o álbum, foi a primeira artista oriunda da Amazônia brasileira a ser nomeada para o Indigenous Music Awards, na categoria de Melhor Artista Indígena Internacional, no Canadá, em 2018. Em suas canções, Djuena Tikuna canta a força de seu povo e clama pela resistência dos povos indígenas.

Em 2021, Djuena lançou seu segundo álbum: Wiyaegu.

A artista esteve no programa Faro, aqui da Novabrasil, vale a pena conferir!

 

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2 – Katú Mirim

Katú Mirim é cantora, compositora, atriz e ativista pela causa indígena. Filha biológica de um homem do povo Boe Bororo, a artista foi adotada por um casal de não indígenas antes de completar um ano de vida. Criada na periferia de São Paulo, somente anos mais tarde – aos 19 anos, quando passou a ter acesso à internet – descobriu sua origem.

Em 2017, teve as suas raízes reconhecidas pelo povo Guarani M’bya e por lá foi batizada como Katú Mirim. Em seu trabalho musical, Katú flui pelo rap e o trap em canções que debatem a demarcação de terras, a ancestralidade, a vida dos povos indígenas e a sobrevivência de sua cultura no Brasil.

“Quando eu acordei, me tornei mais uma voz potente e acordei mais pessoas que são como eu: indígenas, estão na periferia e não sabem quem são ainda, porque a sua família teve que se esconder”, conta Katú. “Eu até falo disso numa música minha. Se eu não fosse atrás do meu povo, não entendesse quem eu sou, não ia cobrar justiça. E quem não cobra justiça é menos um para cobrar do Estado”, explica ela, que em 2020 lançou o EP Nós e, em 2022, o seu primeiro álbum: Revolta.

 

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3 – Brisa Flow

Filha de indígenas do Chile, a rapper Brisa Flow, nascida em Minas Gerais e radicada em São Paulo, também usa a sua música para falar da questão indígena. Ela tem três álbuns lançados: Newen (2016), Selvagem como o Vento (2018) e Janequeo (2022), além de um EP: Free Abya Yala (2020). 

Em seu povo, os mapuche, foi buscar inspiração em histórias como as dos guerreiros Lautaro, que matou o conquistador espanhol e ameaçou invadir Madri como revanche, e Janequeo, uma mulher que liderou um exército para expulsar os invasores e vingar a morte de seu marido.

Veja também:

“Nossa, é uma história triste, mas contada por um indígena se torna uma história de vitória. É bom a gente saber histórias de vitória, dos nossos que não morreram de cabeça baixa. E o quanto incomoda a nossa cabeça erguida, e o quanto é difícil sustentar a cabeça erguida constantemente diante dessas violência”, reflete Brisa.

4 – Kaê Guajajara

Cantora, compositora, ativista, escritora e atriz, Kaê, do povo Guajajara, é fundadora do Coletivo Azuruhu e autora do livro Descomplicando com Kaê Guajajara – O que você precisa saber sobre os povos originários e como ajudar na luta antirracista.

Natural de Mirinzal, no Maranhão, Kaê Guajajara vivia em uma terra não demarcada e precisou mudar para o Rio com sua família ainda criança por conta de conflitos com madeireiros. A artista vê a música indígena como um caminho para mudar a situação dos povos originários.

Ela já deu aulas para dentro e fora do Brasil, contando vivências e histórias:

“Muitas vezes sou convidada para fazer o show, porque as próprias letras das músicas já denunciam”, conta. “Acho que o maior desafio é mostrar para as pessoas que nós não estamos no passado, que existem indígenas em contexto urbano. E que não é porque a gente está na cidade que deixa de ser indígena”.

Unindo hip-hop, instrumentos tradicionais e elementos de sua língua materna Ze’egete (“a fala boa”), Kaê faz música sobre a realidade dos povos indígenas urbanizados e o apagamento das identidades indígenas.

Seu primeiro EP foi Hapohu, lançado em 2019, em um vídeo no YouTube, a página descreve o EP com as seguintes palavras:

“Tecendo uma linha entre ancestralidade e futurismo indígena, Hapohu vem quebrando o silêncio e as correntes impostas pelo racismo e a colonização, trazendo à tona gritos de resistência que atravessam e ecoam meio milênio. Uma ótima oportunidade disponível em vários meios digitais pra conscientizar não indígenas sobre quem são os verdadeiros donos dessa terra e a que pé estamos.”

No ano de 2020 lançou dois EPs, Uzaw e Wiramiri. O segundo gira em torno do autocuidado, do amor-próprio, da resistência indígena e da pandemia do COVID-19. Em 2021, lançou seu primeiro álbum: Kwarahy Tazyr.

Recentemente, Kaê lançou “Minha Voz” e “Ancestralizou (interlúdio)” – ambas faixas falam sobre a necessidade de expressão dos povos originários, tanto como forma de protesto contra o apagamento dessas culturas por parte dos colonizadores, até as consequências que os mesmos causaram que ainda são reflexos em nossa sociedade.

 

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