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Dia Internacional da Mulher

Lívia Nolla
10:00 08.03.2024
Brasilidade

Dia Internacional da Mulher

Hoje, dia 8 de março, é celebrado o Dia Internacional da Mulher e nós da Novabrasil preparamos uma matéria especial para vocês, que conta sobre a importância da data e ainda traz uma playlist perfeita para este dia. A importância histórica da data O Dia Internacional da Mulher existe para nos lembrar … Continued

Lívia Nolla - 08.03.2024 - 10:00
Dia Internacional da Mulher
Na sequência, algumas mulheres da MPB: Elza Soares (Foto: Divulgação); Maria Bethania (Foto: Jorge Bispo); Liniker (Foto: Vinicius Marques); Marisa Monte (Foto: Leo Aversa); e Dona Ivone Lara (Foto: Divulgação)

por Lívia Nolla

Hoje, dia 8 de março, é celebrado o Dia Internacional da Mulher e nós da Novabrasil preparamos uma matéria especial para vocês, que conta sobre a importância da data e ainda traz uma playlist perfeita para este dia.

A importância histórica da data

O Dia Internacional da Mulher existe para nos lembrar e fazer refletir sobre a importância da luta das mulheres por equidade de gênero, por direitos e por respeito na sociedade patriarcal em que vivemos, onde o machismo e o sexismo são uma questões estruturais e a desigualdade e a violência contra a mulher atingem índices altíssimos e inaceitáveis.

A escolha da data foi oficializada pela Organização das Nações Unidas em 1977, mas tem suas origens fincadas nos movimentos socialista, operário e feminista do começo do século XX, se relacionando diretamente com a Revolução Russa e a atuação revolucionária das mulheres nesse acontecimento.

Alguns acontecimentos na história foram importantes para a criação dessa data. Por algum tempo, o Dia Internacional da Mulher foi atribuído a uma história que narrava um suposto incêndio que teria acontecido em uma fábrica em Nova York, no dia 08 de março de 1857.

Nessa história, as mulheres trabalhadoras teriam sido trancadas no interior de uma fábrica pelo proprietário. Em seguida, ele teria incendiado o local como represália às greves que suas funcionárias puxavam. Essa história, no entanto, é falsa.

Mas, outro incêndio, que de fato aconteceu, está diretamente ligado à criação do Dia Internacional da Mulher. Foi em uma fábrica em Nova York, chamada Triangle Shirtwaist Company, no dia 25 de março de 1911, e causou a morte de 146 pessoas, das quais 125 eram mulheres.

Esse incêndio foi resultado das más condições da fábrica e fortaleceu a luta dos trabalhadores sindicalistas contra as más condições de trabalho. Essa luta, que fazia parte do movimento operário, também tinha uma forte relação com a luta das mulheres e seu engajamento político o começo do século XX.

Dentro do movimento operário, que se fortalecia tanto nos Estados Unidos quanto na Europa, estavam mulheres que defendiam a redução da jornada de trabalho, melhorias salariais e o direito ao voto.

Na Rússia, em 1917, milhares de mulheres foram às ruas contra a fome e a guerra; a greve delas foi o pontapé inicial para a revolução russa e também deu origem ao Dia Internacional da Mulher — Foto: Getty Images
Na Rússia, em 1917, milhares de mulheres foram às ruas contra a fome e a guerra; a greve delas foi o pontapé inicial para a revolução russa e também deu origem ao Dia Internacional da Mulher — Foto: Getty Images

Em 1910, em um evento na Dinamarca – o II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas – Clara Zetkin, membro do Partido Comunista Alemão, propôs a criação de um dia internacional das mulheres. A proposta, no entanto, não tinha uma data certa a ser celebrada.

A data foi celebrada pela primeira vez em 1911, após o incêndio na Triangle Shirtwaist Company, em poucos países: Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça. Essa primeira celebração, por sua vez, foi realizada no dia 19 de março. Foi somente durante a Revolução Russa que o 8 de março se consolidou.

Isso porque, em 8 de março de 1917, uma greve de trabalhadoras da tecelagem aconteceu, dando força ao ciclo revolucionário que se estabeleceu na Rússia naquele ano e que resultou na queda do czarismo e na transformação da Rússia em uma nação socialista – a primeira da história.

Milhares de mulheres se reuniram no protesto na Rússia que ficou conhecido como Pão e Paz. Nesse protesto, as mulheres reivindicaram melhores condições de trabalho e de vida, lutaram contra a fome e a Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

Na sequência, algumas mulheres da MPB: Elza Soares (Foto: Divulgação); Maria Bethania (Foto: Jorge Bispo); Liniker (Foto: Vinicius Marques); Marisa Monte (Foto: Leo Aversa); e Dona Ivone Lara (Foto: Divulgação)
Na sequência, algumas mulheres da MPB: Elza Soares (Foto: Divulgação); Maria Bethania (Foto: Jorge Bispo); Liniker (Foto: Vinicius Marques); Marisa Monte (Foto: Leo Aversa); e Dona Ivone Lara (Foto: Divulgação)

Mulheres na música popular brasileira

Na nossa música popular brasileira, o que não faltam são grandes mulheres fazendo história: cantoras, produtoras, instrumentistas, intérpretes e também compositoras de suas próprias músicas, que deixaram a sua marca, quebraram padrões e transformam a história do nosso país, com personalidade, força e talento, mostrando que as mulheres podem ocupar todos os espaços.

Seria impossível citar todas, mas podemos enaltecer alguns grandes nomes como as saudosas:

  • Chiquinha Gonzaga; pioneira entre as mulheres na música, que abriu espaço para todas as que vieram depois;
  • Dona Ivone Lara, primeira mulher a integrar uma ala de compositores de uma escola de samba;
  • Rita Lee; que foi pioneira não só em fazer rock’n roll, mas em desnudar o universo feminino em suas letras, falando de prazer e sexualidade; 
  • Gal Costa, que foi uma das primeiras mulheres a tocar um violão enquanto cantava de saias, com as pernas abertas, e também foi considerada representante da Tropicália e de toda uma juventude no combate à ditadura militar, quando Gil e Caetano foram presos;
  • E Elza Soares, uma potência em forma de mulher.

Além de outras que já nos deixaram também, como: Dolores Duran, Elizeth Cardoso, Dalva de Oliveira, Aracy de Almeida, Ângela Maria, Inezita Barroso, Maysa, Elis Regina, Clara Nunes, Beth Carvalho, Nara Leão e Cássia Eller.

Passando também por lendas vivas como: Maria Bethânia, Alcione, Fafá de Belém. Ângela Rorô, Wanderléa, Elba Ramalho, Sandra Sá, Zélia Duncan, Simone, Marina Lima, Marisa Monte, Paula Lima, Adriana Calcanhoto, Baby do Brasil, Fernanda Takai, Vanessa da Mata, Ana Carolina, Luciana Mello, Daniela Mercury, Ivete Sangalo, Martnália.

Até chegar nos nomes mais jovens da nossa MPB como: Tulipa Ruiz, Liniker, Luiza Possi, Ana Cañas, Roberta Sá, Mariana Aydar, Mallu Magalhães, Iza Pitty, Assucena, Drik Barbosa, Maria Gadú, Ellen Oléria, Majur, Céu, Luedji Luna, Xênia França, Tiê, Roberta Campos, Mc Soffia, Anavitória e tantas outras.

Hoje é dia de homenageá-las. Avante, mulheres! Todo o nosso respeito e admiração. E obrigada por trazerem sua força e brilho para a nossa música popular brasileira!

Em homenagem à força e à luta feminina, separamos uma playlist com 16 canções empoderadas, que não nos deixam esquecer da importância dessa causa e do ser mulher em nossa sociedade!

 

1 – Pagu – Rita Lee e Zélia Duncan

Composta por essas duas mulheres incríveis, para homenagear outra mulher incrível: Pagu – jornalista, escritora, desenhista, poeta, professora, militante, revolucionária, presa política. A letra fala sobre a força da mulher e a opressão que ela sofre, na luta pela igualdade de direitos e pela quebra dos padrões impostos pela sociedade.

Mexo, remexo na inquisiçãoSó quem já morreu na fogueiraSabe o que é ser carvão
Eu sou pau pra toda obraDeus dá asas a minha cobraMinha força não é bruta Não sou freira, nem sou puta
Porque nem toda feiticeira é corcundaNem toda brasileira é bundaMeu peito não é de siliconeSou mais macho que muito homem 

2 – Maria de Vila Matilde – Elza Soares (Douglas Germano)

A canção faz parte do disco Mulher do Fim do Mundo, lançado pela força da natureza, Elza Soares, em 2015 e que conta com várias músicas que falam sobre a luta da mulher. Nesta faixa, Elza narra a vida de uma mulher que cansou de silenciar sobre a violência física que sofre do companheiro e seu relacionamento abusivo.

Cadê meu celular? Eu vou ligar prum oito zeroVou entregar teu nome e explicar meu endereçoAqui você não entra maisEu digo que não te conheçoE jogo água fervendo se você se aventurar
Eu solto o cachorroE, apontando pra vocêEu grito péguixEu quero ver você pular, você correrNa frente dos vizinhos‘Cê vai se arrepender de levantar a mão pra mim

3 – Triste Louca ou Má – Francisco El Hombre (Juliana Strassacapa/Mateo Piraces Ugarte/Sebastian Piraces Ugarte/Rafael Gomes da Silva/Andrei Kozyreff)

Composição conjunta da banda e lindamente interpretada por Juliana Strassacapa, tornou-se um hino feminista e fala sobre os padrões e estereótipos associados às mulheres e a importância da libertação da mulher ao entender que é o seu próprio lar.

Triste, louca ou máSerá qualificadaEla quem recusarSeguir receita tal
A receita culturalDo marido, da famíliaCuida, cuida da rotina
Só mesmo, rejeitaBem conhecida receitaQuem não sem doresAceita que tudo deve mudar
Que um homem não te defineSua casa não te defineSua carne não te defineVocê é seu próprio lar

4 – Todas as Mulheres do Mundo – Rita Lee

Rita Lee sempre quebrou padrões. Além de ser a primeira mulher a tomar conta da cena do Rockn Roll brasileiro, antes somente dominada por homens, Rita é a primeira a colocar em suas letras assuntos tão importantes do universo feminino como a sexualidade, a opressão, a menstruação, a menopausa e tantas outras questões.

Nesta canção, Rita cita o nome de várias mulheres que fizeram história, como ela, e que não aceitaram abaixar a cabeça para os padrões e as opressões da sociedade, fazendo uma menção a mulheres de todos os tipos, livres de rótulos, estereótipos e de idealizações masculinas. Mulheres que querem poder ser e fazer o que quiserem, ocupar todos os espaços. No refrão, Rita homenageia outra mulher revolucionária e à frente de seu tempo, que sofreu muito por conta disso: a atriz Leila Diniz.

Garotas de Ipanema, minas de Minas
Loiras, morenas, messalinas
Santas sinistras, ministras malvadas
Imeldas, Evitas, Beneditas estupradas

Toda mulher quer ser amada
Toda mulher quer ser feliz
Toda mulher se faz de coitada
Toda mulher é meio Leila Diniz

5 – Desconstruindo Amélia – Pitty

A baiana que quebrou padrões ao tornar-se uma das vozes referência do Rock brasileiro, assim como Rita Lee, segue nos desconstruindo com essa canção que fala sobre uma mulher que resolveu mudar as coisas e quebrar os padrões de uma sociedade machista. E desconstruindo, também, a antiga e submissa Amélia, da canção que Ataulfo Alves e Mário Lago escreveram em 1942.

Disfarça e segue em frenteTodo dia até cansarE eis que de repente ela resolve então mudar

Vira a mesaAssume o jogoFaz questão de se cuidarNem serva, nem objetoJá não quer ser o outroHoje ela é o também

6 – Menopower – Rita Lee

Rita Lee marcará forte presença nesta playlist – e não é à toa! Nesta canção, Rita fala de menstruação, menopausa e contracepção com a naturalidade que essas pautas -consideradas tabus – devem ser tratadas.

Vestida para matar em pleno climatério
A velha senhora só vai ficar mocinha no cemitério
Chega de derramamento de sangue
Cinquentonadolescente
Quem disse que útero é mangue
Progesterona urgente

Menopower pra quem foge às regras
Menomale quando roça esfrega
Menopower pra quem nunca se entrega
Melancólicas, vocês são piegas

7 – Respeita – Ana Cañas

Ativista declarada e poderosa da causa feminista, Ana Cañas canta por respeito, liberdade, igualdade e individualidade da mulher.

Você que pensa que pode dizer o que quiser
Respeita, aí!
Eu sou mulher
Quando a palavra desacata, mata, dói
Fala toda errada que nada constrói

8 – As Loucas – Rita Lee

Mais uma vez ela. Aqui, Rita canta sobre a hipocrisia de as mulheres serem chamadas de loucas quando isso convêm. Ao mesmo tempo em que se assume louca, com muito orgulho.

Eles amam as loucas
Mas se casam com outras
Eles amam as loucas
Mas se casam com outras

Loucas fatais, loucas de pedra
Loucas varridas, loucas fudidas
Loucas molhadas, loucas taradas
Loucas fetiche, loucas de haxixe

9 – Velha e Louca – Mallu Magalhães

Falando em louca, Mallu Magalhães passou o batom vermelho e, com a maturidade, deixou de ligar pro julgamento dos outros. Podem falar o que quiserem, que ninguém vai tirar seu riso frouxo, porque ela agora segue o seu próprio nariz. Isso sim é ser mulher!

Nem vem tirar
Meu riso frouxo com algum conselho
Que hoje eu passei batom vermelho
Eu tenho tido a alegria como dom
Em cada canto eu vejo o lado bom

10 – Desinibida – Tulipa Ruiz

Outra mulher livre, de bem com a vida e cheia de personalidade é Desinibida, de Tulipa Ruiz.

11 – Lança Perfume – Rita Lee

Em 1980, nenhuma mulher cantava tão abertamente sobre sexualidade e o prazer feminino. Mas Rita não é qualquer mulher, Rita é Rita!

Lança, menina, lança todo esse perfume
Desbaratina, não dá pra ficar imune
Ao teu amor que tem cheiro de coisa maluca
Vem cá, meu bem, me descola um carinho
Eu sou neném, só sossego com beijinho
Vê se me dá o prazer de ter prazer comigo
Me aqueça

Me vira de ponta-cabeça
Me faz de gato e sapato
E me deixa de quatro no ato
Me enche de amor, de amor, oh

12 – 1º de Julho – Cássia Eller (Renato Russo)

Composta por Renato Russo, especialmente para Cássia Eller, quando a cantora estava grávida de seu filho, Chicão. A letra fala sobre a potência de ser mãe e ao mesmo tempo filha, fera, bicho, anjo, irmã, deusa, menina. Mas principalmente, de ser sua e de mais ninguém. A potência e o aprendizado de ser mulher.

Sou fera, sou bicho
Sou anjo e sou mulher
Sou minha mãe, minha filha
Minha irmã, minha menina
Mas sou minha, só minha
E não de quem quiser
Sou Deus, tua deusa, meu amor

13 – Luz Del Fuego – Rita Lee

Mais uma vez: Rita Lee! Nesta canção ela homenageia Luz Del Fuego, uma dançarina, atriz e escritora que já em 1949 era feminista e lutava pelos direitos e pela emancipação das mulheres. Foi morta brutalmente em 1967, aos 50 anos de idade, por pescadores que invadiram a Ilha do Sol, reduto naturista onde ela morava, e saquearam a sua casa.

Eu hoje represento a loucura
Mais o que você quiser
Tudo que você vê sair da boca
De uma grande mulher
Porém louca!

Eu hoje represento o segredo
Enrolado no papel
Como luz del fuego
Não tinha medo
Ela também foi pro céu, cedo!

14 – Dona de Mim – Iza

A música inspiradora de Iza fala de força, amor próprio, auto aceitação, empoderamento e determinação da mulher, principalmente da mulher negra. Traz visibilidade questões como o racismo e o  machismo e traz à tona as opressões de gênero, raça e classe no Brasil.

Sempre fiquei quieta, agora vou falar
Se você tem boca, aprende a usar
Sei do meu valor e a cotação é dólar
Porque a vida é louca, mano
A vida é louca

Me perdi pelo caminho
Mas não paro não
Já chorei mares e rios
Mas não afogo não

Sempre dou o meu jeitin
É bruto, mas é com carin
Porque Deus me fez assim
Dona de mim

15 – Menina Pretinha – MC Soffia

Na época, MC Soffia tinha apenas 11 anos, entretanto a pouca idade não a impediu de cantar sobre a realidade de ser uma menina negra no Brasil.

Com o lançamento de Menina Pretinha, a artista mostrou a consciência que tinha da sociedade ao seu redor e provou que não há limite etário para se falar do empoderamento das mulheres negras. Faço música de força e resistência. Quero ajudar as meninas negras para que elas se amem e se aceitem como são’’, disse a MC.

Menina pretinha, exótica não é linda
Você não é bonitinha
Você é uma rainha

Devolva minhas bonecas
Quero brincar com elas
Minhas bonecas pretas, o que fizeram com elas?

Vou me divertir enquanto sou pequena
Barbie é legal, mas eu prefiro a Makena africana
Como história de griô, sou negra e tenho orgulho da minha cor

 

1 – Psiu – Liniker

Em Psiu, Liniker fala sobre coragem, força, resiliência, sabedoria, superação e transformação. Nada mais potente e poético sobre o ser mulher.

Pra quem não sabia contar gotas
Cê aprendeu a nadar
O mar te cobriu sereno
Planeta Marte

Sem ponto, sem virgula, sem meia, descalça
Descascou o medo pra caber coragem
Sem calma, sem nada, sem ar

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