A Som Livre, principal gravadora de produção nacional, já possui mais de 50 anos. O braço fonográfico, principalmente de trilhas sonoras de novela, foi importante para o desenvolvimento musical e criação local, lançando discos de cantores como Novos Baianos, Rita Lee e Emílio Santiago.

Mais recentemente, voltou-se para o sertanejo moderno e a procura por novos artistas permitiu o descobrimento de revelações, por exemplo, Maria Gadú. O carro-chefe da Som Livre foram as trilhas sonoras de novelas brasileiras criadas para animar as produções nacionais. 

Elas são o termômetro do sucesso e um retrato dos costumes e dos estilos musicais consumidos pelos brasileiros ao longo das últimas décadas – desde a MPB (Música Popular Brasileira) até o tradicional rock, passando por ritmos mais populares, por exemplo, sertanejo e axé. Confira as trilhas sonoras de novelas da Globo mais simbólicas da televisão.

As trilhas sonoras são importantes para a produção nacional - ‘Gabriela’, ‘Tieta’ e ‘Avenida Brasil’
As trilhas sonoras são importantes para a produção nacional – ‘Gabriela’, ‘Tieta’ e ‘Avenida Brasil’. | Foto: TV Globo/Montagem.

Gabriela (1975)

É uma das músicas mais perfeitas da história da teledramaturgia. São doze temas originais, desenvolvidos especialmente para a trama. Marcam presença nela os então novatos Djavan e Fafá de Belém, e os veterano Dorival Caymmi criou Modinha para Gabriela, cantada por Gal Costa.

Saramandaia (1976)

Baseada no realismo fantástico, essa produção consagrou Pavão Mysteriozo, composição do cearense Ednardo. Outro destaque foi Canção da Meia Noite, tema macabro do grupo Almôndegas, e Sou o Estopim, interpretada por Sônia Braga.

Pecado Capital (1976)

Guto Graça Mello, então responsável pela definição dos temas das novelas, lembra-se de quando viu Paulinho da Viola desenvolvendo o tema principal da trama na sua frente. 

Pecado Capital foi feita com aspectos de caixa para suprir a lacuna deixada por Roque Santeiro, de Dias Gomes, música que em sua primeira versão foi vetada pela ditadura militar.

Estúpido Cupido (1977)

Foi uma das primeiras canções a vender mais de 1 milhão de cópias. Ambientada na década de 1950, a novela trazia grandes destaques da primeira geração do rock, como Celly Campelo (a faixa-título), ao lado de artistas da bossa nova, por exemplo, Os Cariocas e Sylvia Telles.

Dancin’ Days (1978)

A novela foi criada para aproveitar o sucesso das discotecas. A trilha, apesar de trazer temas dançantes (por exemplo a faixa-título, cantada pelas Frenéticas) tinha samba-canção (Dick Farney e sua Copabacana) e astros como Guilherme Arantes e Jorge Ben.

Sol de Verão (1982)

Embora a música principal seja Tô que Tô, produção da dupla Kleiton & Kledir interpretada por Simone, a trilha centra fogo no rock nacional, que estava se destacando àquela altura dos anos 80. Rádio Táxi, Blitz e Lulu Santos estão entre os cantores que deram sabor à trama.

Tieta (1989)

Adotou-se o mesmo processo de Roque Santeiro, ou seja, duas trilhas com temas nacionais. Nesta, que é uma das trilhas sonoras de novelas antigas mais emblemáticas da história, há um sucesso de Carlinhos Brown (Meia-Lua Inteira, cantada por Caetano Veloso), e mostra o crescimento do sertanejo com Chitãozinho & Xororó e Roberta Miranda.

Avenida Brasil (2012)

O maior sucesso da história recente das trilhas sonoras de novelas antigas é uma boa mistura de MPB sofisticada com temas populares. A canção “Assim Você Mata o Papai”, do grupo de pagode Sorriso Maroto, caiu como uma luva no personagem Leleco, de Marcos Caruso. Além disso, claro, seu tema de abertura destacou o hit Vem Dançar com Tudo, com o famoso refrão chiclete “oi-oi-oi”.

História das trilhas sonoras

Nessa história iniciada em 21 de dezembro de 1951 com a produção pela TV Tupi do primeiro capítulo da novela Sua vida me pertence, as trilhas sonoras de novelas são capítulos importantes, essenciais e às vezes tão emocionantes quanto as tramas em si. 

Um dos motivos é porque a música ajuda a despertar as emoções do telespectador e, de quebra, revela cantores, gera sucessos eternos na memória afetiva das pessoas e influencia a cena musical do Brasil.

Como imaginar a cena da novela Irmãos Coragem (1970 / 1971) em que o garimpeiro João Coragem (Tarcísio Meira) descobre o diamante ao som da música-título Irmãos Coragem (Nonato Buzar e Paulinho Tapajós, 1970) na voz do cantor Jair Rodrigues?

A novela existe no Brasil desde 1951, mas as canções começaram a entrar em cena de maneira relevante a partir de 1964. Desse modo, essa fase pré-histórica durou até 1968. E quem geralmente respondia pelos teletemas era o radialista e sonoplasta paraibano Salatiel Coelho, responsável pela maior parte das criações das trilhas sonoras das novelas desta era dominada pela TV Tupi.

Nessa fase inicial, o segmento fonográfico brasileiro ainda não tinha atentado para o poder aglutinador da novela, o que explica porque a primeira trilha sonora de novela editada em álbum específico foi Antonio Maria (1968 / 1969), sucesso da Tupi em 1968, quando a novela brasileira já tinha 17 anos. 

A segunda fase começou em 1969, ano em que a modernização da linguagem da novela, assim, proposta de maneira mais veemente pela trama urbana de Beto Rockefeller (1968 / 1969), sucesso da TV Tupi, como também é consolidada na TV Globo com Véu de noiva (1969 / 1070). 

Outro destaque foram as músicas Teletema (Antonio Adolfo e Tibério Gaspar, 1969) e Irene (Caetano Veloso, 1969), o disco da novela Véu de noiva, o desenvolvimento dessa produção musical foi orquestrado por Nelson Motta, além de marcar a modernidade das trilhas das novelas.

As trilhas sonoras de novelas são muito importantes, pois marcam o desenvolvimento das produções nacionais. Nesse sentido, para quem quer matar a saudade e curtir todas essas trilhas sonoras das novelas brasileiras a Novabrasil possui uma playlist, clique aqui e confira!