Silas de Oliveira | Foto: O Globo/ Manoel Soares (1972)

Há exatos 50 anos o Brasil se despedia de um dos compositores e sambistas mais importantes da história da música popular brasileira, Silas de Oliveira, responsável por escrever aquele que se tornou um dos maiores hinos do nosso país: a Aquarela Brasileira.

Veja a interpretação dessa marcante composição das vozes dos mestres do samba Elza Soares, Martinho da Vila, Clara Nunes, Alcione, Jair Rodrigues, Nogueira, entre outros:

 

Nascido no subúrbio de Madureira, no Rio de Janeiro, em 1916, Silas, desde menino era frequentador assíduo das rodas de samba. Por insistência de seu pai, trabalhou como professor, mas a paixão pelo samba sempre falou mais alto.

Em 1934 compôs, com seu parceiro Mano Décio da Viola, o primeiro samba intitulado Meu Grande Amor. Por essa época, Mano Décio o levou para a escola de samba Prazer da Serrinha, que posteriormente, em 1947, se tornaria o Grêmio Recreativo e Escola de Samba Império Serrano, do qual os dois amigos – junto com outros sambistas – foram fundadores. 

Silas começou tocando tamborim e passou a ser diretor de bateria da escola. Seu primeiro samba para a Império Serrano foi Sagrado Amor (em parceria com Manula). O artista dedicou 28 anos de sua vida à escola e, nesse período, fez 16 sambas-enredo, dos quais 14 foram apresentados no desfile oficial.  

Muitos desses sambas-enredo tornaram-se clássicos do gênero, sendo o principal deles justamente Aquarela Brasileira, de 1964. O samba é uma homenagem a outro clássico da MPB, Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, composto em 1939. 

Aquarela Brasileira exalta o Brasil, contando em seus versos a respeito das regiões geográficas, a arquitetura tradicional e moderna, as lendas e costumes das diferentes culturas dos povos que compõem a nossa nação. 

A canção foi regravada por vários dos grandes nomes da MPB como Elza Soares, Martinho da Vila, Emílio Santiago, Fernanda Abreu, Alcione, Leci Brandão, Simone, Zeca Pagodinho e Dona Ivone Lara.

Com Dona Ivone Lara inclusive, Silas de Oliveira formou outra bela parceria, compondo com ela Os Cinco Bailes da História do Rio ou Os Cinco Bailes da Corte, samba-enredo que ficou em segundo lugar no carnaval de 1965. 

Os dois artistas se conheceram na Império Serrano e começaram a compor juntos, mas Dona Ivone Lara – por conta do machismo e preconceito predominante na época, que não permitia que mulheres fossem compositoras de samba – passou 20 anos sem poder assinar as suas composições, entregando-as para o seu primo, Mestre Fuleiro, assinar. 

O primeiro samba que Dona Ivone Lara pôde assinar foi justamente este, em parceria com Silas de Oliveira e Bacalhau, aos 44 anos, enfrentando todas as restrições feitas às mulheres até aquela época, quebrando as barreiras impostas e conquistando seu espaço, atingindo o reconhecimento de sua obra como uma das principais compositoras de samba da história.

Outros importantes sambas de Silas de Oliveira são: Heróis da Liberdade (1969, em parceria com Mano Décio da Viola e Manoel Ferreira), Pernambuco, Leão do Norte (de 1968) e Glória e Graça da Bahia (de 1966, em parceria com Joacyr Santana).

No dia 20 de maio de 1972, passando por dificuldades financeiras, Silas de Oliveira foi a uma roda de samba no Clube ASA, em Botafogo, na tentativa de arranjar dinheiro para matricular uma de suas filhas no vestibular. No momento em que cantava Os Cinco Bailes da História do Rio, um de seus sambas-enredo mais famosos, sofreu um infarto fulminante. 

Silas foi velado na Associação de Escolas de Samba e, na ocasião do enterro, o presidente da Portela, Natal da Portela, sugeriu que fosse cantado seu samba Heróis da Liberdade, que passou a ser executado em funerais de sambistas a partir daí.  

Seu nome foi dado à principal rua da comunidade do Morro da Serrinha: Rua Compositor Silas de Oliveira, no morro que divide os subúrbios de Vaz Lobo e Madureira. O viaduto que faz a ligação entre os dois lados da linha do trem de Madureira também leva o seu nome.