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A história das músicas “Festa do Interior” e “Jura Secreta”

Novabrasil
12:00 28.02.2023
Jornalismo

A história das músicas “Festa do Interior” e “Jura Secreta”

Hoje é aniversário do compositor e escritor Abel Silva. Em homenagem, confira as histórias das músicas Festa no Interior e Jura Secreta, de sua autoria. Sobre Abel Silva Nascido em Cabo Frio, município da Região dos Lagos, no estado do Rio de Janeiro, e completando 78 anos neste 28 de fevereiro, Abel é autor de grandes clássicos … Continued

Novabrasil - 28.02.2023 - 12:00
A história das músicas “Festa do Interior” e “Jura Secreta”
Abel Silva lança seu novo livro esta noite no Jardim Botânico. O novo trabalho traz 70 poemas, dois deles já musicados (Foto: Marcos Tristão)

Hoje é aniversário do compositor e escritor Abel Silva. Em homenagem, confira as histórias das músicas Festa no Interior e Jura Secreta, de sua autoria.

Abel Silva é compositor de grandes clássicos da MPB, como “Asa Partida” e “Festa do Interior”, famosa na voz de Gal Costa | Foto: Marcos Tristão

Sobre Abel Silva

Nascido em Cabo Frio, município da Região dos Lagos, no estado do Rio de Janeiro, e completando 78 anos neste 28 de fevereiro, Abel é autor de grandes clássicos da nossa MPB, como:

  • Festa do Interior;
  • Jura Secreta;
  • Coração Aprendiz;
  • e Asa Partida. 

Iniciou sua carreira em meados dos anos 1960, época em que ainda cursava a faculdade de Letras. Ele passou a morar no famoso Solar da Fossa, onde moraram outros nomes como Caetano Veloso e Gilberto Gil, dividindo apartamento com Paulinho da Viola. Preponderantemente letrista, sua primeira composição foi uma melodia que ganhou letra de João do Vale, chamada Eu Chego Lá e gravada pela cantora Marinês, em 1967.

Foi assistindo o famoso espetáculo de protesto protagonizado por João do Vale, Nara Leão (que depois foi substituída por Maria Bethânia) e Zé Keti, que Abel Silva ficou impressionado com o talento de João do Vale e foi procurá-lo em um bar para o qual os artistas seguiam depois da peça para entregar-lhe uma parte da canção que havia composto. Assim nasceu a parceria. 

A partir dos anos 1970, passou a compor ao lado de grandes nomes da música brasileira, como:

  • Fagner;
  • João Donato;
  • Dominguinhos;
  • João Bosco;
  • Moraes Moreira e Roberto Menescal;
  • e Sueli Costa, uma de suas principais e mais constantes parceiras.

Abel Silva foi gravado por diversos grandes nomes da música popular brasileira, como:

  • Elis Regina;
  • Simone;
  • Gal Costa;
  • Morais Moreira;
  • Fagner;
  • Emílio Santiago;
  • João Donato;
  • Zizi Possi;
  • Luiz Gonzaga;
  • Nélson Gonçalves;
  • e Nara Leão.

Saudando Grandes Compositores da MPB

Para homenagear o aniversariante do dia e seguir homenageando grandes compositores da nossa música popular brasileira – que são tão importantes e tem uma contribuição tão significativa quando cantores, intérpretes e músicos – nós damos continuidade à série Saudando Grandes Compositores da MPB, em que contamos a história de grandes clássicos das carreiras desses artistas.

Entre os vários sucessos de Abel Silva, falaremos sobre os clássicos Festa do Interior e Jura Secreta

A história da música ‘Jura Secreta’, de Abel Silva e Sueli Costa

Com a cantora e compositora Sueli Costa, sua mais constante parceira, Abel Silva compôs um de seus maiores sucessos: a canção Jura Secreta, gravada pela cantora baiana Simone, em 1977.

A canção entrou para a trilha da novela O Profeta, da TV Tupi, no mesmo ano, e – no ano seguinte – foi gravada também com sucesso por Fagner e Zizi Possi. Sueli Costa a gravou em 1979 e, depois, a canção foi regravada por outros nomes como Wando, Zélia Duncan, Elymar Santos e Wanderléa.

Abel Silva e Sueli Costa foram vizinhos no Solar da Fossa, mas nunca haviam composto juntos, até que Abel mandou uma carta para Sueli, com sua primeira letra escrita. Era Jura Secreta, uma canção que fala sobre arrependimentos de não ter feito algo quando poderia ter feito e que deixou todo o estúdio de gravação aos prantos quando Simone gravou, de tão emocionante que é.

A partir do sucesso desta música, a carreira de Abel Silva como compositor deslanchou e ele passou a compor em parceria com outros grandes nomes e ser gravado por quase todas as grandes vozes da MPB.

Só uma coisa me entristece 

O beijo de amor que eu não roubei

A jura secreta que eu não fiz 

A briga de amor que eu não causei

A história da música ‘Festa do Interior’, de Abel Silva

Abel Silva nunca imaginou que iria compor uma música como Festa do Interior. Ele é filho de pastor metodista e não teve vivência de carnaval e de festa de São João até os seus 15 anos, quando percebeu que gostava muito de música de festas como essas.

Foi na ditadura militar que ele resolveu falar contra o terrorismo das bombas de uma maneira absolutamente diferente do que vinha se falando entre os militares, principalmente depois de uma bomba estourar exatamente no colo de um militar, durante o fatídico atentado no Rio Centro, em 1981. 

O Atentado no Rio Centro, em 1981

O evento marcado para aquela noite tinha como objetivo iniciar as comemorações do Dia do Trabalhador, e contaria com a presença de artistas como Chico Buarque, Alceu Valença, Gonzaguinha e Gal Costa, sendo que alguns se destacaram na oposição ao regime militar, tendo inclusive retornado ao país após a Lei de Anistia de 1979. 

O atentado pretendia explodir três bombas no local e, com isso, incriminar os grupos de esquerda, fazendo com que o processo de abertura política cessasse.

Mas os militares que organizaram o atentado não conseguiram realizar o planejado, já que uma das bombas explodiu em um carro no estacionamento do Riocentro, matando um sargento e ferindo gravemente outro oficial.

Havia no veículo outra bomba que não explodiu. Mas uma terceira bomba explodiu na central de energia do local do evento. O caso causou enorme desgaste ao governo do general João Batista Figueiredo. 

Capa do Jornal da Tarde de 02/5/1981 | Foto: Acervo/Estadão

Bombas de paz, de comemoração, de celebração, de alegria em ‘Festa do Interior’

Falar sobre as bombas  que traziam alegria, como as de Festa Junina e Carnaval, e não sobre a tristeza e a violência que se instaurava com o regime militar e suas bombas, era a ideia de Abel Silva. Sobre festas com bombas em que ninguém matava e ninguém morria. Bombas de paz, de comemoração, de celebração, de alegria. Não de guerra e morte.

Abel ficou na dúvida entre mandar a letra para Dominguinhos ou Moraes Moreira. Acabou enviando para o ex-Novos Baianos, a quem o letrista havia conhecido jogando futebol. Logo, Moraes ligou de volta para Abel com a música pronta, inclusive com o inconfundível solo de violão que abre a canção.

Gal Costa gravou Festa do Interior com muito sucesso, em seu disco Fantasia, de 1981, e – depois  – a canção foi regravada pelo mundo, em 13 idiomas diferentes.

No Brasil, outros grandes nomes que regravaram o sucesso foram Sérgio Mendes e o próprio Moraes Moreira.

Bombas na guerra – magia

Ninguém matava, ninguém morria

Nas trincheiras da alegria

O que explodia era o amor

Gostou de saber mais sobre as histórias de grandes canções da nossa música popular brasileira? Continue acompanhando a nossa série Saudando Grandes Compositores da MPB. Hoje, homenageamos o aniversariante Abel Silva.

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