Assumir sua orientação sexual ou identidade de gênero em um país como o Brasil, um dos lugares onde mais se mata membros LGBTQIA+, nunca foi algo fácil. Para muitos, infelizmente, pode implicar até mesmo em quebra de contratos de gravadoras, puramente por conta de preconceito. 

Ao longo da matéria, você verá uma lista de cantores da MPB que se identificam dentre as siglas LGBTQIA+ e que inspiram representatividade e brasilidade na música popular. Continue a leitura!

Saiba quem são os cantores que inspiram representação na MPB. Na foto, Daniela Mercury
Saiba quem são os cantores que inspiram representação na MPB. Na foto, Daniela Mercury. | Foto: Celia Santos/@danielamercury.

1. Renato Russo

Um dos grandes nomes da MPB e do rock nacional, Renato Russo dominou os anos 80 com suas composições e poesias associadas à crítica social. Nos anos 90, assumiu sua bissexualidade em uma entrevista para uma revista da época: “Eu estava precisando me assumir havia muito tempo. Mas fica aquela coisa, filho de católico, ‘você é doente’ etc. (…) Sei que sou assim desde os 3, 4 anos”. 

Antes de se assumir, Renato usou de suas canções para se expressar. Renato chegou a retratar um romance proibido entre dois homens na música “Soldados” (1985), “Daniel na cova dos leões” (1986) e “Meninos e meninas” (1989).

2. Caetano Veloso

Um dos nomes mais aclamados da nossa MPB, tanto no Brasil quanto países afora, Caetano Veloso foi o primeiro artista a compor uma música inspirada em um muso, “Menino do Rio”, falando da admiração do cantor por um surfista. A canção tratava do afeto entre os dois homens de maneira lírica e delicada. 

Na Feira Literária de Paraty (2020), enquanto falava sobre sua autobiografia, falou sobre sua prisão (1968) e como isso afetou o lado homoafetivo de sua sexualidade: “O espaço muito masculino da prisão militar causou um outro apagão aqui, que foi a atração sexual e sentimental por homens. Fiquei com uma rejeição sexual em relação à figura dos homens, que eu não tinha“.

3. Daniela Mercury

A cantora baiana Daniela Mercury se tornou um dos grandes símbolos da representatividade quando assumiu relacionamento com Malu Verçosa há alguns anos. “Eu não sou só gay não, eu sou sapa, sapatinha, girina, sapatilha”’.

Rainha dos carnavais e dos trios elétricos por todo o Brasil, a cantora sempre falou abertamente sobre a bissexualidade, embora afirme não gostar de rótulos. 

4. Cazuza

Se há uma única palavra que possa definir o cantor Cazuza, essa palavra é “coragem”. Não somente por falar sobre sua sexualidade abertamente, mas também por ser um dos únicos artistas a ter coragem de assumir publicamente quando foi infectado com o vírus do HIV, justamente nos anos 80, onde era muito estigmatizada e quase uma sentença de morte.

Cazuza foi capaz de expressar tudo em suas composições, como no trecho da letra “Ideologia”: “O meu prazer agora é risco de vida”. Além disso, o artista se destacou por ser um dos maiores nomes do rock nacional capaz de inspirar peças, musicais e até um filme “Cazuza – O tempo não para”, interpretado por Daniel de Oliveira.

5. Liniker

Liniker é uma das vozes de maior destaque da música brasileira atual. Desde 2015, quando começou a carreira ao lado do grupo Os Caramelows, Liniker vem conquistando espaços cada vez maiores. A cantora é uma mulher trans e foi a primeira a receber uma indicação ao Grammy Latino.

Em seu primeiro disco solo, o “Indigo Borboleta Anil”, a artista retrata nas letras sobre sua experiência como mulher trans preta, incluindo temas como afeto e autoestima em uma sociedade preconceituosa. 

6. Angela Ro Ro

A cantora, compositora e pianista Angela Maria Diniz Gonçalves, mais conhecida como Angela Ro Ro, foi uma das primeiras artistas brasileiras a assumir sua sexualidade no Brasil na década de 80.

Inclusive, Ro Ro já chegou a declarar, em entrevista para Diário, que foi alvo de agressões físicas por conta de sua orientação sexual. “Me assumir lésbica me custou a cegueira de um olho e meio e metade da audição. Fui espancada quatro vezes pela Polícia Militar e uma pela Polícia Civil. Sofri agressões físicas em 1981, 1983, dois episódios em 1984 e em 1990 por soco inglês, barras de ferro e cacetete. Era ditadura, mas acho que não tem ligação direta”, começou Angela, que já se nomeou ‘lésbica diamante’.

7. Ney Matogrosso

Cantor, compositor e performer, Ney Matogrosso é um dos artistas mais completos da música popular brasileira. 

Se hoje temos alguns artistas que transcendem as questões de gênero através das vestimentas, uso de maquiagens e diversas formas de expressões, pode-se ter certeza que muito dessa liberdade foi trabalhada há anos por Ney, desde a época de Secos e Molhados.

Uma curiosidade sobre o cantor é que, além de ajudar na produção do álbum “Ideologia”, de Cazuza, ele também teve um romance com o artista.

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