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#1 ForasDeSérie | CAZUZA: A história e legado do poeta exagerado

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12:00 22.07.2022
Foras de sÉrie

#1 ForasDeSérie | CAZUZA: A história e legado do poeta exagerado

Cazuza foi um dos maiores cantores brasileiros de todos os tempos. Mas, além de ser uma das vozes mais marcantes da década de 90, o artista também se consolidou como compositor, já que suas letras eram consideradas como uma verdadeira poesia. Cazuza é da mesma geração de Renato Russo e Caio Fernando Abreu e na … Continued

F.Content - 22.07.2022 - 12:00
#1 ForasDeSérie | CAZUZA: A história e legado do poeta exagerado
Cazuza no Foras de Série. | Foto: Produção interna.

Cazuza foi um dos maiores cantores brasileiros de todos os tempos. Mas, além de ser uma das vozes mais marcantes da década de 90, o artista também se consolidou como compositor, já que suas letras eram consideradas como uma verdadeira poesia.

Cazuza é da mesma geração de Renato Russo e Caio Fernando Abreu e na época, próximo a sua morte, namorava com Ney Matogrosso. 

O cantor se utilizou do período o qual estava vivendo e resolveu falar com toda a geração. Foi a partir daí que surgiram “O Tempo Não Para“, “Ideologia” e “Brasil”, músicas críticas e muito fortes, as quais mostram a sua indignação com a política e a condição das pessoas que viviam no país. Ele passou a escrever e a cantar, também, sobre a Aids, como acontece na faixa “Cobaias de Deus”. 

A inteligência de Cazuza para escrever e o seu talento natural faziam com que o artista conseguisse descrever o que sentia e pensava de maneira corriqueira, sem dificultar o entendimento, sem usar palavras complicadas demais. Com o simples, Cazuza era capaz de se comunicar com o seu público.

Conheça mais sobre o poeta Cazuza e seu estilo
Conheça mais sobre o poeta Cazuza e seu estilo. | Foto: Cazuza Gallery.

Quem foi Cazuza?

Tendo sido batizado com o nome de Agenor Miranda de Araújo Neto, Cazuza, como era mais conhecido, teve uma certa dificuldade para descobrir que o seu caminho verdadeiro era a música. Isso porque, antes de se tornar um astro brasileiro, o cantor foi funcionário da gravadora “Som Livre”, fez alguns cursos de fotografia e, também, trabalhou em peças teatrais. 

Justamente em uma dessas ocasiões, isto é, em um espetáculo teatral, denominado como: “Paraquedas do coração”, Cazuza percebeu o que realmente queria fazer na sua vida; cantar.

No ano de 1981, o artista acabou se encontrando com as pessoas que viriam a ser seus companheiros de estrada. Eram eles: Roberto Frejat (guitarrista), Dé Palmeira (baixista), Maurício Barros (teclado) e Guto Goffi (baterista). Os integrantes estavam em busca de um vocalista para a banda “Barão Vermelho“, que ainda não possuía um trabalho autoral. Com a entrada de Cazuza, deu-se início a uma nova era da banda.

Cazuza com Barão Vermelho
Cazuza com Barão Vermelho | Foto: Reprodução/Documentário Barão Vermelho/Netflix.

Como já foi dito acima, Cazuza foi um cantor brasileiro que elevou a música do país para um outro nível, assim como os seus colegas da época. Sua obra é lembrada até hoje e suas letras ainda ganham novas interpretações. Muitas de suas canções podem parecer ter sido escritas no ano atual, pois os temas ainda se fazem presentes em discussões. A sua genialidade transcendeu as décadas e não há quem não conheça o exagero do poeta. 

Uma curiosidade aqui: Cazuza só fumava o cigarro da marca “Hollywood”, sendo dois ou três por dia, após cada refeição.

Onde nasceu? / Infância

Nascido no Rio de Janeiro, em 4 de abril de 1958. O pai (José Araújo) de Cazuza era nordestino e é daí que vem o seu apelido (que depois virou o codinome artístico). Isso porque o significado da palavra cazuza, diz respeito a “moleque”, no dicionário nordestino. Cazuza, desde pequeno, já preferia o apelido ao seu nome de verdade, Agenor de Miranda Araújo Neto. 

A infância do cantor foi tranquila. Sempre bem cercado, Cazuza frequentou colégios caros, mas foi a partir da sua adolescência que o gene forte apareceu, preocupando sua mãe (Lucinha Araújo). O artista adotou um visual hippie e passou a se portar de maneira diferente. Em 1976, seu pai o arrumou um emprego na gravadora, onde conseguiu crescer e ascender de cargos. No entanto, não era isso que ele queria. 

Depois de sua ida aos Estados Unidos para estudar fotografia na Universidade de Berkeley, o compositor voltou ao Brasil sem saber o que realmente queria fazer e qual era a sua vocação. Chegando de volta ao Rio, Cazuza entrou em um curso de teatro e durante uma apresentação, tudo mudou. Agora, ele tinha certeza de que o que queria era cantar. 

Barão Vermelho

A carreira de Cazuza como músico se iniciou com a sua entrada na banda Barão Vermelho. A banda de rock existe até hoje e já possui mais de 40 anos de carreira. Dentro do cenário do gênero musical, a banda é um destaque e mesmo tendo algumas mudanças nos integrantes, ela não deixou de fazer sucesso.

Sua trajetória foi marcada pela presença de três vocalistas distintos, sendo o primeiro deles o poeta exagerado. Atualmente, a composição da banda é marcada pela ausência do vocalista e guitarrista, Frejat, o qual estava presente desde o seu começo. Fazem parte dela: Maurício Barros, Guto Goffi, Fernando Magalhães e Rodrigo Suricato (o novo vocalista). 

Antes de a banda se tornar um grande sucesso, em 1981, Cazuza foi indicado pelo cantor Léo Jaime para ser vocalista da Barão Vermelho. Cazuza aproveitou a oportunidade e mostrou as letras que já tinha escrito, passando a compor juntamente com Frejat. Com isso, a banda deixou de só fazer covers para ter o seu próprio repertório. Foi no segundo CD da banda que “Pro Dia Nascer Feliz” surgiu, em 1983. 

Em 1985, no fim da Ditadura Militar, a Barão Vermelho se apresentou no Rock in Rio e lançou seu último álbum com a presença de Cazuza, o “Maior Abandonado”. 

Início da carreira solo

O início da carreira de Cazuza foi marcado através da banda Barão Vermelho, mas sua jornada solo apareceu no ano de 1985. Nesse mesmo ano, o cantor gravou o seu primeiro disco como solista e ele não poderia ter tido um resultado melhor. O “Exagerado”, como o intitulou, se tornou um grande sucesso na época.

Em 1987, ele lançou o seu terceiro álbum e foi nesse mesmo ano que os sintomas da Aids avançaram sobre ele. Por causa disso, Cazuza foi até os Estados Unidos em busca de melhores formas de tratamento, já que era uma nova doença, mas depois de dois meses retornou ao Brasil, em 1988, o artista entrou novamente nas paradas de sucesso com o novo disco “Ideologia”. Uma das músicas (“Brasil”) passou a ser trilha sonora da novela Vale Tudo, da Globo.

Cazuza gravou o quarto álbum, intitulado de “O Tempo Não Para” e a faixa que deu nome ao CD teve mais de 500 mil cópias vendidas. Um ano depois, chegou ao mercado o seu último disco em vida, chamado de “Burguesia”.

O impacto do cantor na música brasileira

Cazuza teve um impacto muito grande na cena musical brasileira. O artista ao mesmo tempo que conseguia encantar a todos com os seus romances musicais, trazia à tona as questões sociais, políticas, religiosas e obviamente, o preconceito. Cazuza sempre foi um artista irreverente e cheio de personalidade, sua vasta obra fala sobre as inquietações de uma geração e transcende o tempo.  

A doença o deixou mais vulnerável, tirando sua vida aos 32 anos, em 1990. Entretanto, ela não foi capaz de frear a sua áurea brilhante de criador. Na verdade, ela serviu para deixar Cazuza sem medo de dizer o que queria, ser livre com o que estava sentindo e com o que pensava sobre o mundo. 

A mensagem nas músicas de Cazuza permeiam até hoje e parecem que foram escritas para a realidade atual. Para muitos, é essa criticidade autêntica que ainda falta no rock brasileiro.

Cazuza na rede
Cazuza na rede | Foto: Instagram/@cazuza.oficial.

Legado

Por ser uma figura muito imponente na música brasileira, Cazuza sempre vai ser lembrado pela sua obra, mas também pela doença que o acometeu. A falta de tratamentos da época impediu que o cantor tivesse uma vida mais longa, porém a grandiosidade de sua arte transcende a sua morte, e nos impacta até os dias de hoje. 

As músicas de Cazuza e a sua maneira de viver seguem inspirando muitos adultos e jovens. Os seus costumes, a cultura, a forma com que a performance no palco era interpretada e, é claro, a sua naturalidade ao falar sobre sua sexualidade são pontos que sempre serão lembrados. 

Gostou de conhecer a vida de Cazuza? Então não perca o segundo capítulo que sai amanhã às 12h, aqui no site da Novabrasil. Você vai conhecer a história por trás de “Exagerado” e outros sucessos.

E para conhecer o cantor de uma forma mais profunda ouça o Acervo MPB, podcast da Novabrasil com episódios de áudio biografia de grandes nomes da música popular brasileira. Ouça:

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