Hoje, aqui no Brasil com S, vamos falar de Lampião, o Rei do Cangaço.

Uma das figuras mais emblemáticas do Sertão brasileiro, Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, foi o maior líder do cangaço.

Lampião, Rei do Cangaço, eternizou sua história não apenas na cultura nordestina, mas sim, brasiliera | Foto: Domínio Público.

Os cangaceiros lutavam contra a opressão dos coronéis, no Nordeste do país, no final do século XIX. A miséria assolava a região, as secas eram duradouras, tornando o alimento escasso. As disputas por terra eram violentas e a ordem era controlada por coronéis e seus bandos, já que a lei não valia no sertão. 

Lampião nasceu no finalzinho do século XIX, em Serra Talhada, no sertão de Pernambuco. Terceiro filho de José Ferreira dos Santos e Maria Sucena da Purificação, era alfabetizado e até os 21 anos de idade trabalhou como artesão, além de ajudar na pequena fazenda do pai, cuidando dos animais.

Até que seu pai foi assassinado pela polícia por conta de uma briga por terras, que envolvia roubo de animais, e sua mãe também acaba falecendo por conta dos problemas causados pelas desavenças com os donos de terras vizinhas e as mudanças de casa da família Ferreira. Esse fato traumatizou Lampião, influenciando a sua entrada no cangaço, na busca por vingança, junto com dois de seus irmãos.

Lampião liderou o bando contra a ditadura dos coronéis por mais de 20 anos. Ao lado de sua companheira, Maria Bonita (primeira mulher a integrar o bando), roubava de ricos e enfrentava a polícia, espalhando o medo por onde passava. Com um bando formado, os justiceiros invadiam as fazendas, saqueavam os comerciantes e distribuíam para os mais pobres uma parte do que recolhiam.

Lampião, Maria Bonita e seu bando | Foto: GESP.

Alguns encaravam os cangaceiros como um grupo de bandidos. Outros os adoravam por lutarem contra a opressão: eles eram os únicos que conseguiam fazer frente ao domínio dos coronéis, o que lhes garantiu o apoio das pessoas mais humildes, já que os policiais trabalhavam para os latifundiários.

Por parte das autoridades, Lampião simbolizava a brutalidade, uma doença que precisava ser cortada. Para uma parte da população sertaneja, ele encarnou valores como a bravura, o heroísmo e o senso da honra. Por conta disso, suas façanhas o transformaram em um herói popular no Brasil, principalmente na região nordeste.

Lampião era temido por onde passava, mas usava da violência apenas contra as forças opressoras. Ajudava os pobres com o dinheiro que tomava dos ricos. Segundo o biógrafo Cicinato Ferreira Neto, o apelido de Lampião foi lhe dado devido ter facilidade em manejar o rifle, “que, de tanto atirar, mais parecia um candeeiro aceso nas escuras noites da caatinga”.

Lampião criou roupas para si e para o bando: todos a cavalo, usavam trajes de couro, chapéus (aquele que depois foi reproduzido por Luiz Gonzaga, que o utilizava em homenagem ao cangaceiro), sandálias, casacos, medalhas, anéis e correntes de ouro, punhais de prata, cintos de munição e calças para protegê-los dos arbustos com espinhos típicos da vegetação caatinga. 

Em 1938, a polícia conseguiu capturar Lampião e seu bando em um sítio, no interior de Sergipe, e quase todos foram brutalmente executados e degolados. As cabeças do bando foram mumificadas, como se fossem troféus e – por muitos anos – ficaram expostas no Museu do Instituto Médico Legal Nina Rodrigues, na Bahia, até serem devidamente enterradas, no final da década de 60.

Preparamos uma Playlist especial com clássicos da música popular brasileira feitos especialmente para homenagear e contar a história de Lampião.