Caatinga | Foto: iStock.

Dia 28 de abril é o Dia Nacional da Caatinga e, por isso, hoje – aqui no Brasil com S – a gente fala sobre este bioma exclusivamente brasileiro tão característico do nosso país.

Esta data foi criada com o intuito de não apenas homenagear este bioma único, mas também conscientizar as pessoas sobre a importância da sua conservação para o equilíbrio ambiental. 

A escolha do dia 28 de abril é uma homenagem ao professor João Vasconcelos Sobrinho (nascido em 28 de abril de 1908 e falecido em 4 de maio de 1989), um dos pioneiros nos estudos ambientais no Brasil. Antes dele, esse bioma era considerado sinônimo de miséria e escassez de recursos ambientais: sua diversidade, riqueza de espécies e o número de endemismos da Caatinga foram, por muito tempo, considerados baixos.

Vasconcelos Sobrinho conseguiu provar que, além de ser muito rico, o patrimônio biológico da Caatinga é único no planeta, a ponto de incluir inúmeras espécies que só podem ser encontradas no nordeste brasileiro.

Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade, a Caatinga é  um dos biomas mais povoados do Brasil: são mais de 20 milhões de brasileiros vivendo nos 850 mil km², que representam cerca de 11% do território nacional, abrangendo todos os estados do Nordeste e do norte de Minas Gerais. 

O site do ICMBio destaca em seu site que a área da Caatinga é de 844.453 Km² (segundo dados do IBGE de 2004) e a totalidade de seus limites encontra-se dentro do território brasileiro, ou seja, seu patrimônio biológico não é encontrado em nenhuma outra região do mundo.

O nome Caatinga decorre da paisagem esbranquiçada apresentada pela vegetação durante o período seco: a maioria das plantas perde as folhas e os troncos tornam-se esbranquiçados e secos.

A região caracteriza-se por apresentar clima tropical semiárido, com chuvas inferiores a 750mm anuais na maior parte do domínio e temperatura média anual em torno de 26°C. “As Caatingas são espaços de resiliência, poucas regiões vivem stress hídricos tão permanentes, mas as formas de vida que ali residem se relacionam com a abundância e a escassez de uma forma equilibrada, harmônica e de fruição, vivendo cada dia cada estação como se fosse única”, argumenta o analista ambiental do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave) do ICMBio, na Paraíba, Elivan Souza, em declaração ao site do Instituto.

O site ainda aponta que são registradas para o bioma, até o momento, 3.200 espécies de plantas, 371 de peixes, 224 de répteis, 98 de anfíbios, 183 de mamíferos e 548 de aves. A Caatinga é o lar da ave com maior risco de extinção no Brasil, a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii), e de outra espécie ameaçada, a arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari). 

Outras aves endêmicas identificadas pelo Cemave, são o soldadinho-do-araripe, beija-flor-de-gravata-vermelha, bico-virado-da-caatinga, tem-farinha-aí, zabelê. Na lista de animais endêmicos, há também o sapo-cururu, asa-branca, cotia, gambá, preá, veado-catingueiro, tatu-peba e o sagüi-do-nordeste, entre outros.